{"id":2557,"date":"2020-08-15T19:30:30","date_gmt":"2020-08-15T19:30:30","guid":{"rendered":"http:\/\/revolutionarena.com.br\/?p=2557"},"modified":"2025-07-13T01:58:53","modified_gmt":"2025-07-13T04:58:53","slug":"revisitando-the-last-of-us-por-que-e-um-jogo-tao-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/revisitando-the-last-of-us-por-que-e-um-jogo-tao-especial\/","title":{"rendered":"Revisitando The Last of Us \u2013 Por que \u00e9 um jogo t\u00e3o especial?"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Aten\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;Esta \u00e9 uma an\u00e1lise do primeiro jogo, direcionada a quem j\u00e1 jogou, uma vis\u00e3o minha sobre os motivos que levaram The Last of Us ao sucesso que \u00e9. Se voc\u00ea nunca jogou o primeiro The Last of Us, recomendo que pule este review, voc\u00ea n\u00e3o precisa dele, apenas jogue esta obra-prima sem pensar duas vezes. Tamb\u00e9m \u00e9 importante frisar que essa n\u00e3o \u00e9 uma review tradicional, n\u00e3o vou focar muito em mec\u00e2nicas e gameplay no geral, apenas no que pra mim torna o jogo o sucesso que \u00e9.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O \u00e1pice da narrativa em videogames<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Jogos com grande \u00eanfase na hist\u00f3ria que est\u00e1 sendo contada n\u00e3o s\u00e3o novidade na ind\u00fastria, os ditos jogos \u201ccinematogr\u00e1ficos\u201d j\u00e1 s\u00e3o praticamente um padr\u00e3o na ind\u00fastria, portanto, The Last of Us n\u00e3o \u00e9 inovador nesse aspecto, seu grande trunfo na verdade n\u00e3o est\u00e1 em o que ele faz e sim em como o faz.<br>\u00c9 verdade que videogames est\u00e3o cada vez mais pr\u00f3ximos do que filmes entregam em termos de complexidade da hist\u00f3ria a ser contada, por\u00e9m h\u00e1 ainda muitos obst\u00e1culos que distanciam a qualidade em que entregam essas hist\u00f3rias, seja por diferen\u00e7as irremedi\u00e1veis entre as m\u00eddias, seja por limita\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas, ou at\u00e9 mesmo por qualidade de dublagem e atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou dar um exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Horizon Zero Dawn \u00e9 um jogo incr\u00edvel, que tem um enredo fant\u00e1stico, criativo, com uma lore cheia de possibilidades e uma personagem com muita personalidade, mas o desenrolar dessa hist\u00f3ria raramente passa alguma emo\u00e7\u00e3o, alguma veracidade, e isso se d\u00e1 principalmente por dois motivos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>As express\u00f5es faciais e as atua\u00e7\u00f5es de grande parte dos atores\/dubladores n\u00e3o acompanham a qualidade gr\u00e1fica do game, e falham em transmitir a emo\u00e7\u00e3o que certas cenas teriam, teoricamente, que passar.<\/li><li>A hist\u00f3ria n\u00e3o consegue se fundir t\u00e3o bem com o gameplay, esse aspecto entra num senso comum da ind\u00fastria onde parece que o jogo se divide em gameplay e cutscene, as duas coisas andam separadas. Um sentimento de \u201cVou ali pra ativar a cutscene e dar continuidade na hist\u00f3ria\u201d, que me soa um tanto artificial, um tanto \u201cpadr\u00e3o demais\u201d.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>The Last of Us, lan\u00e7ado 4 anos antes, faz com maestria tudo o que Horizon e grande parte dos jogos AAA falham em fazer.<br>Eu joguei The Last of Us em meados de 2014, bem depois do game ter sacudido a ind\u00fastria, e joguei com certa descren\u00e7a de que realmente poderia ser tudo o que falam. Iniciei o jogo e logo no pr\u00f3logo o jogo j\u00e1 me marcou pra sempre.<br>A morte de Sarah foi um grande acerto estrutural para o in\u00edcio da hist\u00f3ria que seria contada a partir dali, mas n\u00e3o s\u00f3 isso, a atua\u00e7\u00e3o e o trabalho dos dubladores naquela cena foram de uma qualidade que at\u00e9 ent\u00e3o eu nunca havia visto fora da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica. O desespero do Joel vendo sua filha baleada fez eu me sentir na pele dele, fez eu entender o que ele estava sentindo &#8211; e eu nem tenho filho &#8211; a agonia da Sarah, uma crian\u00e7a que mal teve tempo de entender o que estava acontecendo, chorando nos bra\u00e7os do pai sem conseguir emitir uma \u00fanica palavra at\u00e9 sua morte, foi brutal e totalmente honesto para com o jogador, \u00e9 uma cena que faz voc\u00ea entender as motiva\u00e7\u00f5es e os sentimentos do personagem e esfrega na sua cara que tanto ele quanto o mundo em que vive nunca mais seriam o mesmo.<br>At\u00e9 hoje eu me impressiono como o jogo conseguiu me passar tanta emo\u00e7\u00e3o, fez eu sentir tanto a perda de uma personagem em quest\u00e3o de minutos, foi um feito absurdo, e at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dito pra mim em tantos anos de jogatina. A partir dali The Last of Us mostrou do que seria capaz durante toda sua campanha.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/maxresdefault-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2558\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>N\u00e3o vou me ater ao b\u00e1sico da hist\u00f3ria, que a essa altura todos voc\u00eas que est\u00e3o lendo j\u00e1 conhecem, ao inv\u00e9s disso quero focar nas nuances dessa hist\u00f3ria, na forma que ela \u00e9 contada.<br>Depois dos eventos do pr\u00f3logo, vemos um Joel marcado pelo tempo, tanto em sua apar\u00eancia quanto em sua personalidade, um homem que nunca souber lidar com sua perda, mesmo 20 anos depois, preferindo a maquiar com uma personalidade dura, se apoiar no esquecimento for\u00e7ado e assim fugir do seu passado. \u00c9 aqui que voc\u00ea come\u00e7a a perceber o qu\u00e3o importante aquele pr\u00f3logo foi, pois de uma maneira geral somos apresentado a um personagem e depois a suas motiva\u00e7\u00f5es e\/ou passado, enquanto The Last of Us segue o caminho contr\u00e1rio, fazendo com que automaticamente nos conectemos com o personagem, e essa conex\u00e3o \u00e9 extremamente importante para um jogo que almeja contar uma hist\u00f3ria marcante.<br>Joel ent\u00e3o \u00e9 apresentado a Ellie, uma garotinha que inicialmente para ele \u00e9 apenas mais um de seus trabalhos como contrabandista, mas que ao longo do jogo se apresenta como pe\u00e7a fundamental para uma grande mudan\u00e7a na vida do mesmo. E aqui temos outro ponto chave do sucesso do game.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Gameplay&nbsp;que anda de m\u00e3os dadas com a hist\u00f3ria<\/strong><\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Ao apresentar dois personagens desconhecidos um ao outro, a Naughty Dog permitiu que o player se conectasse e vivenciasse a forma\u00e7\u00e3o do la\u00e7o que se forma ao longo do jogo. Voc\u00ea na pele de Joel, se apega a Ellie quase que ao mesmo tempo, e de uma forma t\u00e3o natural que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o se envolver emocionalmente, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o querer proteger a Ellie tanto quanto o Joel, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o se sentir imerso nesse mundo e nessa rela\u00e7\u00e3o entre os dois.<br>Videogames tem uma vantagem sobre o cinema quando o assunto \u00e9 contar hist\u00f3rias, mas raramente a aproveita: O tempo de dura\u00e7\u00e3o.<br>Enquanto um jogo tem em m\u00e9dia 20 horas de dura\u00e7\u00e3o, um filme tem no m\u00e1ximo 3 pra contar sua hist\u00f3ria. Deixado a diferen\u00e7a de t\u00e9cnicas entre as duas m\u00eddias de lado, isso \u00e9 uma grande vantagem subutilizada nos videogames, uma boa parte falha em atingir um envolvimento nessas 20 horas, ou demora algumas horas com momentos aqui e ali, enquanto The Last of Us consegue entregar isso em quest\u00e3o de minutos sem deixar de lado o gameplay.<br>Conforme eu disse no come\u00e7o do texto, Jogos normalmente \u201cseparam\u201d a hist\u00f3ria contada de seu gameplay. No geral h\u00e1 um sentimento de que as cutscenes s\u00e3o o \u00fanico meio de contar a hist\u00f3ria, e que o gameplay serve para que voc\u00ea chegue at\u00e9 elas e descubra o que acontece a seguir. The Last of Us consegue quebrar isso de maneira extremamente inteligente usando textos bem escritos, personagens bem constru\u00eddos e dublagens incr\u00edveis, mas DURANTE o gameplay.<br>\u00c9 comum que durante o gameplay, haja di\u00e1logos extremamente din\u00e2micos entre Joel e Ellie. Nos momentos de luta, quando voc\u00ea arrebenta um inimigo na porrada voc\u00ea escuta um \u201coh my god, joel\u201d de Ellie, ou muitas vezes ela grita seu nome em desespero quando \u00e9 agarrada por um inimigo, at\u00e9 aqui n\u00e3o temos nada extraordin\u00e1rio, mas o jogo d\u00e1 um passo adiante e durante as andan\u00e7as do jogo, \u00e9 comum ter di\u00e1logos opcionais (n\u00e3o confundir com di\u00e1logos de escolhas, como The Witcher) que d\u00e3o um panorama interessante sobre a personalidade de cada um, al\u00e9m \u00e9 claro, dos di\u00e1logos que acontecem sem a necessidade de um prompt.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/convo_21a.jpg_1200x675_-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2559\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Nunca esque\u00e7o de um momento em que Ellie aprende a assobiar, e ela fica extremamente feliz, enquanto Joel apenas resmunga ir\u00f4nico que ser\u00e1 mais uma coisa que \u201cdeixar\u00e1 ele louco\u201d. Pode parecer bobo, mas \u00e9 algo que humaniza os personagens, pois eu facilmente posso imaginar uma crian\u00e7a real tendo aquela rea\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o em momentos como esse que vemos que apesar de ter passado por tanta coisa, Ellie ainda \u00e9 uma crian\u00e7a e, como tal, tem seus momentos de simplicidade e inoc\u00eancia. E quem n\u00e3o se lembra do ic\u00f4nico momento em que ela v\u00ea uma girafa pela primeira vez? A rea\u00e7\u00e3o dela, maravilhada, como se aquele momento t\u00e3o singelo fosse a coisa mais incr\u00edvel que poderia acontecer a ela \u2013 e talvez de fato fosse, naquele contexto &#8211; \u00e9 simplesmente tocante, ela tem a rea\u00e7\u00e3o que se espera de uma crian\u00e7a real, e tudo isso acontece com voc\u00ea no controle, tendo um somente um comando simples para interagir com aquele momento, e esse comando simples faz toda a diferen\u00e7a, pois voc\u00ea sente que est\u00e1 no personagem, voc\u00ea \u00e9 Joel naquele momento, e essa imers\u00e3o do momento n\u00e3o seria poss\u00edvel em uma cutscene tradicional.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/The_Last_of_Us_girafa.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2560\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Tudo isso n\u00e3o s\u00e3o apenas coisas espor\u00e1dicas, h\u00e1 v\u00e1rios destes momentos no game, v\u00e1rios di\u00e1logos opcionais que em sua grande maioria d\u00e3o sempre uma profundidade a mais, por mais simples que sejam. Essa humaniza\u00e7\u00e3o dos personagens em meio ao gameplay faz com que o mesmo ande de m\u00e3os dadas com a hist\u00f3ria e a trajet\u00f3ria dos personagens; o jogo quer te contar uma hist\u00f3ria com come\u00e7o meio e fim definidos, mas quer te incluir nela, fazer com que voc\u00ea sinta o que os personagens sentem e isso faz toda a diferen\u00e7a.<br>Tudo isso \u00e9 envolto em um pacing agrad\u00e1vel, que intercala momentos de extrema tens\u00e3o, com momentos de calmaria, aonde voc\u00ea pode admirar os incr\u00edveis ambientes criados fielmente a partir da premissa \u201cO que aconteceria com o mundo se n\u00f3s n\u00e3o tiv\u00e9ssemos nele?\u201d; explorar os cen\u00e1rios muito bem constru\u00eddos para renovar seus suprimentos e descobrir colet\u00e1veis que enriquece a lore daquele mundo desolado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Cordyceps&nbsp;e os \u201cZumbis\u201d<\/strong><\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Mesmo em seu aspecto mais fantasioso, os \u201czumbis\u201d, The Last of Us encontrou uma forma criativa e \u201cp\u00e9 no ch\u00e3o\u201d, para somar ao realismo daquele mundo. Aqui temos, ao inv\u00e9s do v\u00edrus tradicional, um fungo chamado Cordyceps, que existe no mundo real, e possui mais de 400 esp\u00e9cies, sendo todas elas parasitas. Em sua maioria, as v\u00edtimas s\u00e3o insetos e artr\u00f3podes, como formigas e aranhas, mas eles tamb\u00e9m podem parasitar at\u00e9 outros fungos. A principal caracter\u00edstica do Cordyceps \u00e9 que ele rep\u00f5e o tecido do seu hospedeiro, criando um aspecto de cogumelo, e pode controlar o comportamento do animal.<br>Ap\u00f3s alguns dias, a infec\u00e7\u00e3o mata o hospedeiro e o utiliza para espalhar esporos (Te lembra alguma coisa?)<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/1_PR_hCjluLKd9jbN69lMERw.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2561\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/the-last-of-use284a2-remastered_20140827220432-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2562\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Isso traz um aspecto realista visualmente falando, com cada est\u00e1gio tendo caracter\u00edsticas bem espec\u00edficas, com o fungo cada vez mais vis\u00edvel. Falando especificamente de um: Os Clickers.<br>O som que eles emitem, sua apar\u00eancia, o fato deles serem cegos, mas sens\u00edveis a barulho, al\u00e9m de sua letalidade, tudo isso junto faz com que tenhamos um inimigo mortal, que d\u00e1 uma din\u00e2mica ao gameplay e um toque de terror ao ambiente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/5028ef9d7b9b7c55744a2f33bc42e15d-788x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2563\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>E o Gameplay em si?<\/strong><\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>The last of Us n\u00e3o entrega nada que j\u00e1 n\u00e3o vimos antes; seus elementos de stealth s\u00e3o extremamente b\u00e1sicos, por\u00e9m o gunplay e as lutas corpo a corpo s\u00e3o competentes e viscerais. Joel \u00e9 um cara bruto e disposto a qualquer coisa para sobreviver, e isso transparece nas lutas, tendo diversas anima\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00f5es diferentes, e um peso excelente aos comandos. A parte de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos pontos altos do jogo, pois por ser um jogo aonde os recursos s\u00e3o escassos, procurar itens para se manter \u00e9 extremamente prazeroso.<br>O maior ponto negativo do jogo est\u00e1 na IA dos inimigos humanos, especialmente no que diz respeito ao seu parceiro, j\u00e1 que eles o ignoram completamente mesmo que passe na frente, quebrando a imers\u00e3o do jogo quando isso acontece. Eu entendo que talvez essa seja uma decis\u00e3o para o seu parceiro n\u00e3o atrapalhar e frustrar o jogador, mas poderiam ao menos fazer com o que a IA nunca se expusesse aos inimigos, por exemplo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/tlou1-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2564\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Uma trilha sonora tocante<\/strong><\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma boa trilha sonora \u00e9 fundamental para ajudar a passar qualquer tipo de sentimento, e aqui ela \u00e9 parte fundamental da experi\u00eancia como um todo, quase um personagem extra do jogo. A Naughty dog contratou um m\u00fasico argentino chamado Gustavo Santaolalla, que j\u00e1 ganhou diversos pr\u00eamios na ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, inclusive dois Oscars por melhor trilha sonora original (Babel, O Segredo de Brokeback mountain), e este seria seu primeiro trabalho em um Videogame. Foi uma decis\u00e3o incrivelmente acertada.<\/p>\n\n\n\n<p>A come\u00e7ar pelo tema do jogo, uma m\u00fasica que usa apenas um instrumento chamado Ronroco, uma esp\u00e9cie de Bandolin misturado com cavaquinho (\u00e9 o mais pr\u00f3ximo que posso chegar de descrev\u00ea-lo hahah) e tem um som meio doce e melanc\u00f3lico, que na minha opini\u00e3o passa exatamente o tom do jogo, no geral. \u00c9 uma m\u00fasica marcante, que hoje j\u00e1 faz parte do seleto grupo de m\u00fasicas que ficam na cabe\u00e7a dos players atrav\u00e9s dos anos.<br>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ela que d\u00e1 o tom do jogo, todas as melodias sempre tocam exatamente no momento certo para dar o feeling que o momento quer passar, seja ele drama, a\u00e7\u00e3o, terror, etc. Foi um trabalho magn\u00edfico, que toca o cora\u00e7\u00e3o e contribui ainda mais para toda a experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Gustavo Santaolalla: The Music of The Last of Us\" width=\"1140\" height=\"641\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ejdjcun2Jo4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tons de Cinza<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>The Last of Us n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria sobre o apocalipse ou sobre a busca pela salva\u00e7\u00e3o da humanidade, ela \u00e9, em sua ess\u00eancia, uma hist\u00f3ria sobre nosso comportamento e todas as nuances que vem com ele, e talvez, acho que se eu fosse resumir tudo, acredito que seria isso que faz de The Last of Us algo t\u00e3o especial. N\u00e3o h\u00e1 super her\u00f3is ou personagens estereotipados, apenas pessoas com qualidades, defeitos, medos, ang\u00fastias, traumas&#8230; o jogo pega tudo isso e retrata em um mundo p\u00f3s-apocal\u00edptico, de forma quase perfeita.<br>Todos os personagens agregam ao que o jogo quer passar ao jogador, todos tem um papel fundamental, algo a passar, e por mais curta que seja sua participa\u00e7\u00e3o na jornada de Ellie e Joel, todos nos ensinam algo, nos mostra uma lado que n\u00f3s, no conforto do nosso mundo atual, nem sabemos que temos.<br>The Last of Us nos faz questionar nossa pr\u00f3pria natureza, nossa pr\u00f3pria moral. Tem uma cena que Ellie acha um di\u00e1rio do nosso tempo, em que uma garota escreve sobre qual roupa vai combinar, sobre o namoradinho da escola e coisas assim, e ent\u00e3o Ellie ao ler aquilo questiona: \u201cNossa, era com isso que as garotas nessa \u00e9poca se preocupavam? Roupas e garotos? Que estranho\u201d, e sim, parando pra pensar, o qu\u00e3o trivial \u00e9 tudo isso? O qu\u00e3o imersos estamos em nossas superficialidades a ponto de \u00e0s vezes nem perceber o que realmente importa?<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o temos o final do jogo, onde Joel descobre, que a opera\u00e7\u00e3o que possivelmente poderia salvar a humanidade com uma vacina, acabaria por matar Ellie. E ent\u00e3o ele, j\u00e1 tomado por um amor que ele havia perdido h\u00e1 20 anos atr\u00e1s, decide salv\u00e1-la, comprometendo toda a humanidade. O jogo termina exatamente como um espelho ao seu in\u00edcio, com Joel segurando uma garotinha em seus bra\u00e7os, mas dessa vez n\u00e3o estava disposto a deixar acontecer o mesmo que aconteceu com sua filha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s Ellie acordar, ele mente para ela, dizendo que a cura era imposs\u00edvel e Ellie o faz jurar que est\u00e1 dizendo a verdade.<br>Foi uma decis\u00e3o ego\u00edsta? Far\u00edamos o mesmo se fosse algu\u00e9m que amamos? Joel \u00e9 um her\u00f3i ou um vil\u00e3o? O que voc\u00ea faria?<br>Toda essa filosofia por tr\u00e1s, capaz de deixar o jogar at\u00f4nito e pensativo enquanto os cr\u00e9ditos rolam, \u00e9 que faz com que percebemos o qu\u00e3o \u00fanica aquela jornada foi, e todo esse sentimento, toda essa filosofia e todos esses tons de cinza, \u00e9 que fazem com que The Last of Us seja&#8230; The Last of Us.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/revolutionarena.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/c38a8fde9c2c616ab2a4a7d734848a97.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2565\" \/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o: Esta \u00e9 uma an\u00e1lise do primeiro jogo, direcionada a quem j\u00e1 jogou, uma vis\u00e3o minha sobre os motivos que levaram The Last of Us ao sucesso que \u00e9. Se voc\u00ea nunca jogou o primeiro The Last of Us, recomendo que pule este review, voc\u00ea n\u00e3o precisa dele, apenas jogue esta obra-prima sem pensar duas vezes. Tamb\u00e9m \u00e9 importante frisar que essa n\u00e3o \u00e9 uma review tradicional, n\u00e3o vou focar muito em mec\u00e2nicas e gameplay no geral, apenas no que pra mim torna o jogo o sucesso que \u00e9.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":33021,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[24,23,443,18,13,59],"tags":[66,26,60,67,61,68],"class_list":["post-2557","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-e-curiosidades","category-destaques","category-games","category-pc","category-playstation","category-reviews","tag-analises","tag-materias-especiais","tag-reviews-pc","tag-reviews-playstation-3","tag-reviews-playstation-4","tag-the-last-of-us"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2557"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2557\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32274,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2557\/revisions\/32274"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}