{"id":37617,"date":"2025-07-08T21:32:34","date_gmt":"2025-07-09T00:32:34","guid":{"rendered":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/?p=37617"},"modified":"2025-07-08T21:47:38","modified_gmt":"2025-07-09T00:47:38","slug":"jurassic-world-recomeco-analise-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/jurassic-world-recomeco-analise-critica\/","title":{"rendered":"Jurassic World: Recome\u00e7o \u2013 An\u00e1lise Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p>Sentei na poltrona do cinema sem grandes expectativas. Depois de <em>Jurassic World: Dom\u00ednio<\/em>, confesso que meu entusiasmo pela franquia estava enterrado em \u00e2mbar. Mas <em>Jurassic World: Recome\u00e7o<\/em> prometia uma nova dire\u00e7\u00e3o. Um t\u00edtulo sugestivo, um elenco estrelado e um diretor competente \u2013 Gareth Edwards, que sabe lidar com escalas gigantescas \u2013 me faziam torcer para que este novo cap\u00edtulo me surpreendesse. E, de fato, surpreendeu&#8230; em partes. Vi um filme que tenta ser reboot, homenagem, renova\u00e7\u00e3o e encerramento ao mesmo tempo \u2013 e nessa tentativa, entrega uma experi\u00eancia mista, ora empolgante, ora cansativa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Enredo e estrutura narrativa<\/h3>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria parte de uma premissa intrigante: os dinossauros, outrora motivo de fasc\u00ednio mundial, agora s\u00e3o apenas inconvenientes da paisagem. Esquecidos, subestimados, quase folcl\u00f3ricos, vivem isolados na fict\u00edcia \u00cele Saint-Hubert, um novo laborat\u00f3rio de segredos gen\u00e9ticos e escava\u00e7\u00f5es \u00e9ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o \u00e9 simples e direta: uma equipe composta por mercen\u00e1rios, cientistas e um paleont\u00f3logo \u00e9 enviada clandestinamente \u00e0 ilha para extrair sangue de tr\u00eas esp\u00e9cies gigantes, com fins farmac\u00eauticos (ou seja, lucro acima de tudo). E como manda a cartilha da franquia, tudo d\u00e1 errado. A natureza d\u00e1 o troco. Humanos viram presa.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 aqui, tudo bem. O roteiro come\u00e7a com uma energia promissora, at\u00e9 evocando certo charme B de filme de monstro cl\u00e1ssico, com uma ambienta\u00e7\u00e3o sonora sombria e uma fotografia opressora. Por\u00e9m, ap\u00f3s os primeiros 40 minutos, a narrativa mergulha num ritmo err\u00e1tico, dividido entre duas tramas paralelas que parecem se ignorar: a miss\u00e3o principal e uma fam\u00edlia perdida, resgatada no mar e que termina na ilha por acaso.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a miss\u00e3o do DNA se esfor\u00e7a para manter a tens\u00e3o, a trama da fam\u00edlia Delgado soa deslocada. N\u00e3o h\u00e1 entrela\u00e7amento emocional entre os n\u00facleos \u2013 tudo acontece em paralelo, como se fossem dois filmes que se cruzam apenas por obriga\u00e7\u00e3o contratual. Isso mina o impacto dram\u00e1tico, dilui a urg\u00eancia e torna o filme mais inchado do que deveria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Personagens: Quando os dinossauros t\u00eam mais carisma que os humanos<\/h3>\n\n\n\n<p>Scarlett Johansson, no papel de Zora Bennett, entrega uma performance s\u00f3lida como a agente fria, pragm\u00e1tica e ferida por traumas do passado. Seu carisma segura o protagonismo, e suas cenas de a\u00e7\u00e3o funcionam, mas o roteiro n\u00e3o lhe d\u00e1 muita profundidade al\u00e9m do arqu\u00e9tipo da anti-hero\u00edna durona. Mahershala Ali, como o capit\u00e3o Duncan, \u00e9 magn\u00e9tico em tela e quase sempre rouba a cena com seu carisma descontra\u00eddo. Os dois juntos funcionam muito bem \u2013 e mereciam um filme s\u00f3 para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Jonathan Bailey interpreta o paleont\u00f3logo Henry Loomis com ternura e idealismo. Sua paix\u00e3o pelos dinossauros, inclusive uma cena onde ele se emociona ao tocar um brontossauro, humaniza o personagem e oferece a \u00fanica verdadeira conex\u00e3o emocional com os animais que justificam o t\u00edtulo da franquia.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, os demais personagens oscilam entre o raso e o descart\u00e1vel. Rupert Friend, como o vil\u00e3o farmac\u00eautico, \u00e9 estereotipado e pouco amea\u00e7ador. A fam\u00edlia Delgado \u2013 Reuben, suas filhas e o namorado desinteressante \u2013 est\u00e1 no filme apenas para preencher tempo e trazer um elemento de \u201cdrama familiar\u201d que nunca se conecta ao enredo principal. Sua presen\u00e7a poderia ser completamente cortada sem preju\u00edzo \u00e0 trama \u2013 e talvez com algum benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dinossauros, finalmente os verdadeiros protagonistas?<\/h3>\n\n\n\n<p>Se tem algo que o filme faz bem, \u00e9 tratar os dinossauros como mais do que figurantes digitais. Em <em>Jurassic World: Recome\u00e7o<\/em>, eles ganham personalidade, presen\u00e7a e respeito. H\u00e1 uma variedade de criaturas exibidas com criatividade: o retorno triunfal do T-Rex, o Mosassauro em momentos de tens\u00e3o aqu\u00e1tica, e at\u00e9 um beb\u00ea Aquilops ador\u00e1vel que serve de al\u00edvio c\u00f4mico e emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o grande destaque \u00e9 o <em>Distortus Rex<\/em>, uma aberra\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que parece sa\u00edda de um pesadelo entre Alien e um T-Rex com tra\u00e7os de Kaiju. Embora sua escala varie em algumas cenas e seu papel seja inconsistente, sua presen\u00e7a evoca medo e instabilidade. \u00c9 o s\u00edmbolo da arrog\u00e2ncia humana em manipular a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>As cenas de a\u00e7\u00e3o com os dinossauros s\u00e3o bem coreografadas, com boa montagem e efeitos de tirar o f\u00f4lego. A sequ\u00eancia no barco, por exemplo, \u00e9 um espet\u00e1culo tenso e envolvente, que mostra o melhor do que Edwards sabe fazer: criar suspense em larga escala com o m\u00ednimo de di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dire\u00e7\u00e3o, est\u00e9tica e trilha sonora: Gareth Edwards e o peso da responsabilidade<\/h3>\n\n\n\n<p>Gareth Edwards imprime sua marca visual com compet\u00eancia. Os cen\u00e1rios s\u00e3o vastos, belos e opressivos quando necess\u00e1rio. H\u00e1 uma paleta de cores tropical, saturada, que contrasta com a escurid\u00e3o dos laborat\u00f3rios e das cavernas escondidas da ilha. A dire\u00e7\u00e3o de arte \u00e9 um ponto forte.<\/p>\n\n\n\n<p>A trilha sonora de Alexandre Desplat, no entanto, n\u00e3o atinge o n\u00edvel de impacto emocional de John Williams. Em muitos momentos, ela serve apenas como pano de fundo. O filme tenta emular o tom de maravilhamento do original de 1993, mas falha ao n\u00e3o ancorar suas cenas ic\u00f4nicas no ponto de vista dos personagens \u2013 como acontece na famosa cena do Brachiossauro em <em>Jurassic Park<\/em>. Em <em>Recome\u00e7o<\/em>, o equivalente ocorre de forma a\u00e9rea, desconectada da emo\u00e7\u00e3o do elenco em cena. Um erro que compromete a imers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o: Recome\u00e7o ou repeti\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n\n\n\n<p><em>Jurassic World: Recome\u00e7o<\/em> n\u00e3o \u00e9 um desastre. Tem boas atua\u00e7\u00f5es, dinossauros em destaque, cenas de a\u00e7\u00e3o competentes e momentos de espet\u00e1culo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 um filme que hesita, que tenta agradar todas as frentes ao mesmo tempo e, com isso, entrega um produto seguro demais para ser memor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Como f\u00e3 da franquia, sa\u00ed do cinema dividido. Vi lampejos do potencial que um &#8220;Recome\u00e7o&#8221; poderia ter, mas tamb\u00e9m reencontrei v\u00edcios antigos: personagens descart\u00e1veis, roteiro repetitivo e mensagens recicladas sobre o poder destrutivo da gan\u00e2ncia humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, os dinossauros ainda impressionam. Mas talvez seja hora de deix\u00e1-los descansar um pouco, para que, no futuro, possamos reencontr\u00e1-los com o mesmo encanto de antes.<\/p>\n\n\n\n<p>Recomendado com ressalvas: Se voc\u00ea ama dinossauros e busca uma aventura visualmente impactante, <em>Jurassic World: Recome\u00e7o<\/em> cumpre o papel. Mas se espera um verdadeiro &#8220;renascimento&#8221; da franquia, prepare-se para encontrar mais uma repeti\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada de novidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-electric-grass-gradient-background has-background\"><strong>Pontos positivos:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Dinossauros com presen\u00e7a forte e criativa<\/li>\n\n\n\n<li>Sequ\u00eancias de a\u00e7\u00e3o bem dirigidas, especialmente no mar<\/li>\n\n\n\n<li>Carisma de Scarlett Johansson e Mahershala Ali<\/li>\n\n\n\n<li>Visual bel\u00edssimo e dire\u00e7\u00e3o de arte caprichada<\/li>\n\n\n\n<li>Clima de aventura com toques de terror cl\u00e1ssico<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-blush-bordeaux-gradient-background has-background\"><strong>Pontos negativos:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Roteiro previs\u00edvel e repleto de d\u00e9j\u00e0 vu<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00facleo da fam\u00edlia Delgado completamente desnecess\u00e1rio<\/li>\n\n\n\n<li>Ritmo desequilibrado e inchado<\/li>\n\n\n\n<li>Falta de inova\u00e7\u00e3o real para justificar o t\u00edtulo &#8220;Recome\u00e7o&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>Trilha sonora funcional, mas esquec\u00edvel<\/li>\n\n\n\n<li>Uso emocional superficial das cenas-chave com os dinossauros<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o:<\/strong><br><strong>Roteiro:<\/strong> 5.5<br><strong>Atua\u00e7\u00f5es:<\/strong> 7.5<br><strong>Dinossauros e efeitos visuais:<\/strong> 8.5<br><strong>Trilha sonora:<\/strong> 6.0<br><strong>Dire\u00e7\u00e3o e est\u00e9tica:<\/strong> 8.0<br><strong>Divers\u00e3o geral:<\/strong> 7.0<br><strong>Nota final: 7.1 \/ 10<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentei na poltrona do cinema sem grandes expectativas. 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