{"id":37914,"date":"2025-12-02T22:01:26","date_gmt":"2025-12-03T01:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/?p=37914"},"modified":"2025-12-02T22:01:27","modified_gmt":"2025-12-03T01:01:27","slug":"metroid-prime-4-beyond-analise-review","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/metroid-prime-4-beyond-analise-review\/","title":{"rendered":"Metroid Prime 4: Beyond\u00a0\u2013\u00a0An\u00e1lise (Review)"},"content":{"rendered":"\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de finalmente iniciar esse jogo no Switch 2 \u00e9 quase surreal, e a melhor parte: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho antigo, \u00e9 um jogo que se sustenta hoje, em 2025, lado a lado com os grandes t\u00edtulos modernos, sem parecer uma pe\u00e7a de museu. Desde o primeiro minuto, Metroid Prime 4: Beyond deixa claro que n\u00e3o est\u00e1 interessado em ser apenas um \u201cmais do mesmo em HD\u201d. Ele abre com um pr\u00f3logo explosivo, cheio de tiros, naves, mechas e um certo ca\u00e7ador de recompensas rival que os f\u00e3s j\u00e1 vinham ca\u00e7ando em finais secretos h\u00e1 anos. \u00c9 quase como se o jogo dissesse: \u201cCalma, a fase de tutorial vai ser barulhenta, mas eu sei por que voc\u00ea veio: atmosfera, explora\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio e aquela sensa\u00e7\u00e3o de estar min\u00fasculo em um planeta gigantesco\u201d. E, felizmente, ele entrega isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha jogatina foi toda no Nintendo Switch 2, principalmente no modo TV, com o jogo no modo de Qualidade (4K a 60 fps). Vou ser bem direto: \u00e9 a experi\u00eancia ideal aqui. Metroid Prime 4: Beyond \u00e9 um daqueles t\u00edtulos em que voc\u00ea sente vontade de pausar s\u00f3 para ficar olhando o cen\u00e1rio. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es eu parei no meio de uma ponte de gelo, ou na beira de um lago de lava, s\u00f3 para girar a c\u00e2mera e pensar: \u201cQue jogo massa!\u201d&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"mecnicasejogabilidade\">Mec\u00e2nicas e Jogabilidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Metroid Prime 4: Beyond \u00e9, antes de qualquer coisa, um Metroid Prime de verdade. A espinha dorsal da jogabilidade \u00e9 aquela que os f\u00e3s conhecem bem: explora\u00e7\u00e3o em primeira pessoa, foco enorme em observar o ambiente, escanear tudo, encontrar upgrades que abrem rotas antes inacess\u00edveis e uma mistura cuidadosa de combate t\u00e1tico com resolu\u00e7\u00e3o de puzzles.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"aestruturabiomasenormeshubdesrtico\">A estrutura: biomas enormes + hub des\u00e9rtico<\/h3>\n\n\n\n<p>A campanha \u00e9 estruturada em torno de um planeta alien\u00edgena, Viewros, que funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cmundo quebrado\u201d em biomas distintos. Voc\u00ea tem \u00e1reas como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Uma floresta densa e \u00famida, cheia de vegeta\u00e7\u00e3o bioluminescente e ru\u00ednas engolidas pela natureza.<\/li>\n\n\n\n<li>Um complexo de f\u00e1bricas biomec\u00e2nicas escuras, cheias de m\u00e1quinas pulsando luzes roxas e amarelas.<\/li>\n\n\n\n<li>Um laborat\u00f3rio congelado, com corredores quebrados, gelo em todo lugar, animais presos em c\u00e1psulas, e uma sensa\u00e7\u00e3o de que alguma coisa deu muito errado ali.<\/li>\n\n\n\n<li>Uma zona vulc\u00e2nica sufocante, repleta de rios de magma, plataformas que sobem e descem entre colunas de lava e m\u00e1quinas abandonadas tentando n\u00e3o derreter.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esses biomas s\u00e3o interligados por um imenso deserto central chamado Sol Valley. Ele \u00e9 o hub que liga tudo, e \u00e9 aqui que entra uma das novidades mais chamativas do jogo: a moto espacial Vi-O-La, o ve\u00edculo da Samus.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dos biomas, o jogo \u00e9 puro Metroid Prime: corredores interligados, salas com segredos, \u00e1reas que voc\u00ea passa e sente \u201cvou ter que voltar aqui depois com algo novo\u201d. J\u00e1 o deserto \u00e9 um espa\u00e7o mais aberto, onde voc\u00ea percorre longas dist\u00e2ncias em alta velocidade com a moto, acha pequenos santu\u00e1rios opcionais, pontos de coleta de cristais verdes e alguns encontros de combate.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa o seguinte: quando voc\u00ea entra numa regi\u00e3o principal, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de explorar um enorme \u201cdungeon\u201d 3D ao estilo Zelda, com v\u00e1rias camadas verticais, atalhos internos, muita coisa escondida em cantos do mapa e um fluxo constante de \u201cver, suspeitar, marcar, voltar depois\u201d. Quando voc\u00ea sai para o deserto, o ritmo muda: voc\u00ea chega a ter minutos de sil\u00eancio quase total, s\u00f3 voc\u00ea, a areia, umas estruturas gigantes ao fundo e o ronco da moto.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 bom e ruim ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>No lado bom, a estrutura dos biomas em si \u00e9 fant\u00e1stica. Cada um deles tem uma identidade clara, tanto visual quanto mec\u00e2nica. Voc\u00ea entra sabendo que vai aprender alguma coisa, pegar um upgrade importante, enfrentar um chefe memor\u00e1vel e desbloquear mais um peda\u00e7o da hist\u00f3ria daquele planeta e dos Lamorn, a civiliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena extinta que est\u00e1 no centro de tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>No lado problem\u00e1tico, Sol Valley \u00e9 grande demais e nem sempre preenche esse espa\u00e7o com atividades que realmente justificam o tamanho. A moto tenta amenizar a travessia, e dirigir Vi-O-La \u00e9 gostoso (vou falar mais dela j\u00e1 j\u00e1), mas n\u00e3o muda o fato de que, depois da en\u00e9sima ida e volta entre dois polos do deserto, aquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201cuau, planeta enorme\u201d come\u00e7a a virar \u201cok, t\u00e1 demorando para chegar, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"amotoviolaestilosadivertidasubaproveitada\">A moto Vi-O-La: estilosa, divertida, subaproveitada<\/h3>\n\n\n\n<p>Vi-O-La \u00e9 uma parada \u00e0 parte. A primeira vez que voc\u00ea sobe na moto, d\u00e1 um boost e faz uma derrapada estilo Akira em uma duna, voc\u00ea automaticamente pensa: \u201cEu quero um spin-off s\u00f3 disso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os controles s\u00e3o simples e funcionais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Anal\u00f3gico esquerdo: dire\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Bot\u00e3o de acelera\u00e7\u00e3o: acelera de forma padr\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Bot\u00e3o de boost: d\u00e1 um turbo por alguns segundos.<\/li>\n\n\n\n<li>Bot\u00e3o de freio + dire\u00e7\u00e3o: gera aquelas derrapadas cinematogr\u00e1ficas.<\/li>\n\n\n\n<li>Ataques da moto: um disparo lock-on que acerta inimigos em alta velocidade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A f\u00edsica tem peso. N\u00e3o \u00e9 um \u201ccarrinho flutuando\u201d, voc\u00ea sente o atrito, a moto quica levemente em relevos, ganha estabilidade depois de alguns upgrades. Em termos de sensa\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma das coisas mais legais do jogo. O problema \u00e9 que, mecanicamente, ela quase sempre \u00e9 \u201cs\u00f3\u201d um meio de transporte. Existem algumas situa\u00e7\u00f5es em que a moto vira parte do puzzle (subir rampas espec\u00edficas, acessar shrines escondidos, combates em movimento), mas elas s\u00e3o minoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Boa parte do tempo, Vi-O-La \u00e9 usada para percorrer dist\u00e2ncias gigantes num deserto que, mesmo com alguns pontos de interesse, poderia facilmente ter metade da extens\u00e3o. Tem cristais verdes para coletar (necess\u00e1rios para certas melhorias de habilidades e para um requisito importante rumo ao final), tem ru\u00ednas que escondem desafios curtos, tem pe\u00e7as de um mecha para voc\u00ea encontrar. Mas a densidade de conte\u00fado n\u00e3o acompanha o tamanho. Isso cria uma disson\u00e2ncia clara: a moto \u00e9 incr\u00edvel de controlar, mas o que voc\u00ea faz com ela nem sempre faz jus ao potencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, \u00e9 ineg\u00e1vel que, no come\u00e7o principalmente, descer as dunas a toda velocidade, olhando os biomas distantes surgindo no horizonte, \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o bem particular, bem \u201csci-fi solit\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"poderespsquicosevoluonorevoluo\">Poderes Ps\u00edquicos: evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o revolu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>Metroid Prime 4 apresenta uma nova camada na jogabilidade: os poderes Psique, concedidos \u00e0 Samus por um cristal alien\u00edgena Lamorn. Em vez de substituir completamente o velho scanner, eles se somam a ele, funcionando como um tipo de \u201cmodo ps\u00edquico\u201d do visor.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses poderes se manifestam de v\u00e1rias formas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Visor Ps\u00edquico<\/strong>: revela plataformas invis\u00edveis, trilhos para Morph Ball, glifos que voc\u00ea precisa tra\u00e7ar com o movimento para ativar mecanismos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Control Beam<\/strong>: voc\u00ea dispara um proj\u00e9til e, por alguns instantes, o tempo desacelera enquanto voc\u00ea controla a trajet\u00f3ria do disparo manualmente. Isso serve tanto para puzzles (acertar alvos distantes, contornar obst\u00e1culos) quanto para combate (atingir pontos fracos que normalmente s\u00e3o dif\u00edceis de mirar).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Lasso Ps\u00edquico<\/strong>: um tipo de la\u00e7o de energia que puxa escudos de inimigos, arranca tampas de portas resistentes, manipula pe\u00e7as do cen\u00e1rio e funciona como uma esp\u00e9cie de grapple beam especial em pontos marcados.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Bombas Ps\u00edquicas<\/strong>: voc\u00ea entra em Morph Ball, carrega uma bomba especial e depois, em forma normal, guia essa esfera energizada at\u00e9 slots de bomba distantes.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, quase tudo isso \u00e9, sim, uma varia\u00e7\u00e3o de coisas que a s\u00e9rie j\u00e1 fez: controlar proj\u00e9teis, puxar objetos, ver plataformas invis\u00edveis, movimentar a Morph Ball com mais liberdade. Mas a forma como isso \u00e9 amarrado ao tema ps\u00edquico e aos Lamorn d\u00e1 uma boa camada de identidade, e o mais importante: amplia o espa\u00e7o de experimenta\u00e7\u00e3o sem quebrar o que j\u00e1 funcionava.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos puzzles misturam habilidades cl\u00e1ssicas e novas. Tem se\u00e7\u00f5es em que voc\u00ea precisa, por exemplo, usar o visor ps\u00edquico para revelar uma s\u00e9rie de plataformas tempor\u00e1rias, pular de uma a outra, acionar um mecanismo com o Control Beam e, ent\u00e3o, rolar como Morph Ball por um trilho rec\u00e9m ativado, tudo sem cair. \u00c9 aquela sensa\u00e7\u00e3o de \u201ccore Prime\u201d sendo reciclado de um jeito fresco o suficiente para tirar voc\u00ea da zona de conforto, mas ainda reconhec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"combatemenosfrenticomaiscerebral\">Combate: menos fren\u00e9tico, mais cerebral<\/h3>\n\n\n\n<p>O combate continua 100% alinhado com a filosofia Prime: n\u00e3o \u00e9 um FPS \u201cde reflexo puro\u201d, tipo arena shooter, \u00e9 mais um combate baseado em leitura de padr\u00e3o, posicionamento e uso inteligente de habilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A Samus conta com:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O cl\u00e1ssico Power Beam, com tiro normal e carregado.<\/li>\n\n\n\n<li>M\u00edsseis, agora tamb\u00e9m usados para acionar certas travas ambientais.<\/li>\n\n\n\n<li>Beams elementais (fogo, gelo, eletricidade), que t\u00eam papel duplo:\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Ofensivo (congelar inimigo, eletrocutar grupo).<\/li>\n\n\n\n<li>Ambiental (ligar geradores, congelar l\u00edquidos, derreter barreiras).<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n\n\n\n<li>Esquiva r\u00e1pida lateral, muito importante em lutas contra chefes.<\/li>\n\n\n\n<li>Os poderes ps\u00edquicos, que entram em cena para controlar proj\u00e9teis, puxar escudos, desacelerar inimigos, etc.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de lock-on com mira livre fina (via gyro ou mouse) brilha muito aqui. Voc\u00ea trava o inimigo com um bot\u00e3o, mas ainda precisa ajustar a mira manualmente para acertar pontos fracos que muitas vezes s\u00e3o min\u00fasculos ou escondidos. Em lutas de chefe, isso \u00e9 vital: alguns monstros s\u00f3 ficam vulner\u00e1veis por segundos, em janelas pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os inimigos comuns variam de criaturas selvagens com padr\u00f5es simples a rob\u00f4s que se teleportam, se ocultam, refletem tiros ou atacam em enxames. N\u00e3o \u00e9 a IA mais avan\u00e7ada do mundo, n\u00e3o espere o comportamento de um shooter t\u00e1tico moderno, mas h\u00e1 variedade suficiente para o jogo nunca virar aquele festival de \u201cmesmo bicho colorido de outra cor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os chefes, por\u00e9m, s\u00e3o o verdadeiro show. A maioria das lutas grandes \u00e9 constru\u00edda como um puzzle de a\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea entra, apanha, observa, escaneia, l\u00ea a descri\u00e7\u00e3o, tenta algo, sente que alguma habilidade rec\u00e9m adquirida deve ser a chave. Aos poucos, a coisa se encaixa: \u201cah, \u00e9 aqui que eu tenho que congelar esse fluxo de magma\u201d, \u201c\u00e9 nessa fase que eu uso o Control Beam por tr\u00e1s do escudo\u201d. A sensa\u00e7\u00e3o de finalmente encaixar todas as pe\u00e7as em uma luta longa \u00e9 deliciosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de dificuldade, Metroid Prime 4 n\u00e3o \u00e9 um muro de concreto. No modo normal, ele \u00e9 desafiador em momentos pontuais, especialmente em alguns chefes mais avan\u00e7ados, mas raramente injusto. Existe um modo mais dif\u00edcil destravado depois, ent\u00e3o quem quer dor pode ir atr\u00e1s. F\u00e3s saudosistas talvez sintam que \u00e9 um pouco mais \u201cgentil\u201d que Prime 2, por exemplo, mas nunca se sente simpl\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"npcsetimedafederaomaiscompanhiadoquevocesperaria\">NPCs e \u201ctime da Federa\u00e7\u00e3o\u201d: mais companhia do que voc\u00ea esperaria<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma das mudan\u00e7as mais faladas \u00e9 a presen\u00e7a de outros personagens, especialmente membros da Federa\u00e7\u00e3o Gal\u00e1ctica que tamb\u00e9m foram arrastados para Viewros. Eles aparecem:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Como apoio em cutscenes, conversas em base e r\u00e1dio.<\/li>\n\n\n\n<li>Em segmentos de combate onde lutam ao seu lado.<\/li>\n\n\n\n<li>Como \u201cvoz explicativa\u201d de mec\u00e2nicas e objetivos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Myles MacKenzie, o engenheiro falante, \u00e9 a cara desse lado mais \u201cmoderno\u201d da narrativa: ele comenta, faz piada, d\u00e1 dicas de onde ir. Em boa parte do tempo ele cumpre esse papel sem exagero, mas em alguns momentos ele passa daquela linha t\u00eanue entre \u201cajudar\u201d e \u201cme deixa errar sozinho, por favor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoalmente, eu acho que o jogo teria ganhado muito com uma op\u00e7\u00e3o mais granular de desligar apenas as interven\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o por r\u00e1dio. Voc\u00ea pode reduzir tutoriais no menu, o que j\u00e1 diminui o problema, mas algumas falas de \u201ctalvez voc\u00ea devesse voltar para tal \u00e1rea\u201d continuam aparecendo. N\u00e3o chega a arruinar a experi\u00eancia, mas para quem curte se perder de prop\u00f3sito em Metroid, \u00e9 um inc\u00f4modo.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que, na maior parte das regi\u00f5es principais, voc\u00ea ainda est\u00e1 sozinho. A estrutura \u00e9 mais ou menos assim: momentos de \u201ccampanha shooter\u201d com NPCs, intercalados com longos blocos de explora\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria nos biomas. Para mim, o balan\u00e7o final ficou aceit\u00e1vel: eles n\u00e3o estragam o que faz Metroid ser Metroid, mas tamb\u00e9m n\u00e3o acrescentam tanto quanto poderiam em termos de profundidade de personagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"grficos\">Gr\u00e1ficos<\/h2>\n\n\n\n<p>Visualmente, Metroid Prime 4: Beyond \u00e9 um espet\u00e1culo no Switch 2. Eu joguei praticamente todo o tempo no modo de Qualidade, a 4K e 60 quadros por segundo no dock, e \u00e9 aquele tipo de jogo que parece feito sob medida para mostrar a diferen\u00e7a entre as duas gera\u00e7\u00f5es da plataforma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"direodeartecadareapareceumpsterdescifi\">Dire\u00e7\u00e3o de arte: cada \u00e1rea parece um p\u00f4ster de sci-fi<\/h3>\n\n\n\n<p>O que mais impressiona n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a resolu\u00e7\u00e3o ou a taxa de quadros, e sim a dire\u00e7\u00e3o de arte. Viewros \u00e9 um planeta desenhado com uma obsess\u00e3o por detalhes que beira o exagero. Alguns destaques:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Florestas<\/strong>: \u00e1rvores retorcidas com veias de energia roxa, pequenas criaturas que saem correndo quando voc\u00ea se aproxima, luz passando por folhas transl\u00facidas criando manchas coloridas no ch\u00e3o. Em certos pontos, voc\u00ea v\u00ea torres Lamorn ao longe, inteiramente esculpidas em material que parece m\u00e1rmore vivo, com linhas de luz fluindo como rios em miniatura.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Laborat\u00f3rio de gelo<\/strong>: parede rachada com gelo semi-transparente, ilumina\u00e7\u00e3o fria, tubos quebrados com l\u00edquido congelado \u201cescorrendo\u201d no meio. Pequenos efeitos como cristais de gelo se formando na superf\u00edcie do canh\u00e3o da Samus deixam tudo mais palp\u00e1vel.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>F\u00e1bricas biomec\u00e2nicas<\/strong>: estruturas que parecem cruzamento de H. R. Giger com prog rock, esteiras levando sucata alien\u00edgena, m\u00e1quinas gigantes que abrem e fecham como mand\u00edbulas mec\u00e2nicas, tudo isso com raios cortando o c\u00e9u e fa\u00edscas passando perto da c\u00e2mera.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Zona vulc\u00e2nica<\/strong>: rios de lava com textura convincente, ondas de calor distorcendo o ar, fuma\u00e7a e cinzas voando, tudo contrastando com o brilho intenso dos beams elementais.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O visor da Samus \u00e9 outro show \u00e0 parte. A HUD \u00e9 rica sem ser polu\u00edda, e v\u00e1rios detalhes sutis refor\u00e7am a imers\u00e3o: respingos de \u00e1gua, granula\u00e7\u00e3o quando algo sobrecarrega o sistema, reflexos de luz que deixam ver brevemente o rosto da Samus. A m\u00e3o dela indo ao encontro do capacete em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como frio intenso, adiciona pequenas anima\u00e7\u00f5es que humanizam a personagem sem quebrar o sil\u00eancio ic\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"modelagemiluminaoeefeitos\">Modelagem, ilumina\u00e7\u00e3o e efeitos<\/h3>\n\n\n\n<p>Os modelos dos inimigos s\u00e3o caprichados, especialmente os monstros maiores e os chefs. Textura de pele, carapa\u00e7as, detalhes mec\u00e2nicos, tudo tem um cuidado grande. Em alguns casos, \u00e9 quase \u201cnojento\u201d de prop\u00f3sito: criaturas com Metroids grudados no corpo, como se fossem tumores, s\u00e3o um destaque visual fort\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>A ilumina\u00e7\u00e3o din\u00e2mica se destaca demais. A forma como o jogo usa luz e sombra para guiar seu olhar, em vez de setas ou HUD gigante, \u00e9 exemplar. Corredores escuros se abrem para salas banhadas por luz artificial azulada; cavernas com s\u00f3 uma pequena fenda iluminando o ch\u00e3o, fazendo voc\u00ea enxergar silhuetas distantes. Em v\u00e1rios momentos eu parei s\u00f3 para girar lentamente a c\u00e2mera e observar como sombras se projetavam nas superf\u00edcies.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que nem tudo \u00e9 perfeito. Alguns detalhes menores, como certos arbustos ou grades met\u00e1licas, ainda denunciam que o jogo nasceu como cross-gen. Voc\u00ea v\u00ea texturas menos definidas em cantos, elementos repetidos no deserto, mas nada que tire o brilho geral.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"designdoslamornedaarquitetura\">Design dos Lamorn e da arquitetura<\/h3>\n\n\n\n<p>O estilo Lamorn \u00e9 um show \u00e0 parte. Eles t\u00eam um visual ritual\u00edstico, mas tecnol\u00f3gico. Os templos, torres, portas e dispositivos ps\u00edquicos misturam formas org\u00e2nicas com geometrias r\u00edgidas e s\u00edmbolos circulares. \u00c9 aquele tipo de est\u00e9tica que parece antiga e avan\u00e7ada ao mesmo tempo, refor\u00e7ando que a Samus est\u00e1 lidando com algo muito mais velho e sofisticado que a pr\u00f3pria Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumindo: no Switch 2, Metroid Prime 4: Beyond \u00e9 consistentemente bonito. N\u00e3o \u00e9 \u201cfoto-realista\u201d, claro, mas dentro da proposta de sci-fi estilizado, entrega cenas que ficam na cabe\u00e7a por muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"som\">Som<\/h2>\n\n\n\n<p>Se tem uma coisa que Metroid nunca errou, \u00e9 trilha sonora e som ambiente. Beyond n\u00e3o s\u00f3 mant\u00e9m o n\u00edvel como, em v\u00e1rios momentos, parece uma carta de amor aos temas cl\u00e1ssicos, misturada com composi\u00e7\u00f5es novas bem ousadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"trilhasonoravariaoeidentidade\">Trilha sonora: varia\u00e7\u00e3o e identidade<\/h3>\n\n\n\n<p>A trilha abra\u00e7a diferentes estilos de acordo com cada bioma:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Florestas e ru\u00ednas: temas et\u00e9reos, com vocais sutis e synths flutuando, quase uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201cdream pop sci-fi\u201d.<\/li>\n\n\n\n<li>Laborat\u00f3rios e f\u00e1bricas: batidas eletr\u00f4nicas mais marcadas, linhas de baixo pesadas, elementos industriais e glitches t\u00edmidos.<\/li>\n\n\n\n<li>Zona de gelo: temas mais contemplativos, com piano e pads gelados, que ajudaram muito a refor\u00e7ar a sensa\u00e7\u00e3o de abandono e isolamento.<\/li>\n\n\n\n<li>Vulc\u00e3o: metais e percuss\u00f5es fortes, algo mais agressivo e tribal, com ecos de temas cl\u00e1ssicos da s\u00e9rie reimaginados em arranjos mais grandiosos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O grande acerto \u00e9 que, mesmo quando a m\u00fasica sobe o tom em lutas de chefe ou setpieces de a\u00e7\u00e3o, ela nunca cai naquele lugar comum de \u201ctrilha gen\u00e9rica de blockbuster\u201d. Voc\u00ea reconhece \u201cisso \u00e9 Metroid Prime\u201d, s\u00f3 que mais moderno.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"efeitossonorosemixagem\">Efeitos sonoros e mixagem<\/h3>\n\n\n\n<p>Os efeitos de som s\u00e3o extremamente satisfat\u00f3rios: O disparo carregado da Samus tem um estalo forte, seguido de um eco que preenche o ambiente; O som da Morph Ball rolando pelos trilhos \u00e9 met\u00e1lico, mas com um toque \u201corg\u00e2nico\u201d, como se a pr\u00f3pria armadura vibrasse; As criaturas t\u00eam sons pr\u00f3prios, desde grunhidos e estalos de insetos gigantes at\u00e9 rugidos abafados e mec\u00e2nicos de drones.<\/p>\n\n\n\n<p>O mix de \u00e1udio \u00e9 bem cuidadoso. Em muitos momentos, o jogo se permite ficar quase completamente silencioso, com apenas o som do vento, uns pingos de \u00e1gua ao fundo, e talvez um rangido distante. Quando um inimigo surge, o mero som j\u00e1 te deixa alerta antes mesmo de voc\u00ea v\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os di\u00e1logos s\u00e3o bem dublados (em ingl\u00eas, com legendas em portugu\u00eas), com performances competentes dos NPCs da Federa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 dublagem de filme oscarizado, mas segura o storytelling.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica decis\u00e3o que ainda me incomoda um pouco \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de manter a Samus completamente muda em todos os contextos, mesmo quando algu\u00e9m fala com ela diretamente. Em alguns momentos, seria interessante ao menos uma palavra, uma rea\u00e7\u00e3o verbal m\u00ednima. Como isso n\u00e3o acontece, certas cenas soam um pouco estranhas, com os outros personagens tagarelando e ela s\u00f3 respondendo com um aceno ou encarada. Ainda assim, n\u00e3o chega a estragar nada, s\u00f3 \u00e9 uma curiosidade estil\u00edstica que talvez valesse ser repensada no futuro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"diverso\">Divers\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cDivers\u00e3o\u201d \u00e9 sempre a parte mais subjetiva, mas eu gosto de pensar nela como: quanto eu estava empolgado para ligar o Switch 2 de novo, e qu\u00e3o pouco eu queria largar o controle.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui, honestamente, Metroid Prime 4: Beyond me prendeu forte.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"explorarrecompensador\">Explorar \u00e9 recompensador<\/h3>\n\n\n\n<p>Cada nova \u00e1rea traz aquela cl\u00e1ssica sensa\u00e7\u00e3o de \u201cmapa desconhecido\u201d na tela, com poucas salas reveladas. A vontade de abrir tudo, encontrar cada \u00edcone de item secreto, especular \u201cesse canto vazio do mapa claramente esconde alguma coisa\u201d est\u00e1 toda ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontrar upgrades continua sendo aquele pequeno festival interno de dopamina. Ver uma porta vermelha inacess\u00edvel no come\u00e7o do jogo e, horas depois, voltar com o beam certo e finalmente ver o que tem ali \u00e9 exatamente o tipo de recompensa que faz f\u00e3s de metroidvania sorrirem. O jogo ainda ajuda voc\u00ea a n\u00e3o se perder demais: tem um sistema de marca\u00e7\u00e3o de mapa, e mais para frente surgem robozinhos que ajudam a localizar itens n\u00e3o coletados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"ritmofortenosbiomasmornonodeserto\">Ritmo forte nos biomas, morno no deserto<\/h3>\n\n\n\n<p>Na maior parte do tempo, a progress\u00e3o \u00e9 bem gostosa. Voc\u00ea sente um bom equil\u00edbrio entre explorar livremente, resolver puzzles, entrar em combates tensos e ler logs e absorver lore. O problema \u00e9 que, em alguns momentos, esse ritmo sofre quedas bruscas quando voc\u00ea \u00e9 for\u00e7ado a cruzar Sol Valley v\u00e1rias vezes, especialmente se ainda precisa farmar cristais verdes para alcan\u00e7ar algum requisito espec\u00edfico perto do final.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses momentos \u201cdeserto demais, jogo de menos\u201d n\u00e3o s\u00e3o a maior parte da experi\u00eancia, mas s\u00e3o suficientes para eu ter soltado um suspiro fundo algumas vezes, tipo \u201ct\u00e1, bora, atravessar tudo isso de novo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"npcssvezesajudamsvezesatrapalham\">NPCs: \u00e0s vezes ajudam, \u00e0s vezes atrapalham<\/h3>\n\n\n\n<p>Como experi\u00eancia \u201cde divers\u00e3o pura\u201d, os NPCs t\u00eam altos e baixos. Alguns personagens s\u00e3o carism\u00e1ticos o suficiente para tornar certas miss\u00f5es mais legais. Ver a Samus trabalhando com um sniper da Federa\u00e7\u00e3o em uma miss\u00e3o espec\u00edfica, por exemplo, gera situa\u00e7\u00f5es interessantes de cobertura, de sentir que voc\u00ea est\u00e1 coordenando uma opera\u00e7\u00e3o em ambiente hostil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o excesso de interven\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e as partes onde voc\u00ea precisa cuidar da vida da IA (reviver soldados para evitar game over) podem quebrar um pouco a fantasia da ca\u00e7adora solit\u00e1ria. Em alguns segmentos isso adiciona tens\u00e3o, em outros s\u00f3 parece uma ancoragem desnecess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, de maneira geral, a divers\u00e3o vem muito daquilo que a s\u00e9rie sempre fez melhor: a explora\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria, a descoberta gradual de como o planeta funciona, e aquele prazer quase infantil de encontrar um caminho secreto que voc\u00ea tinha ignorado horas antes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"performanceeotimizao\">Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Testei o jogo exclusivamente no Nintendo Switch 2, tanto no modo TV quanto no port\u00e1til, alternando entre Quality e Performance Mode.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"mododequalidadetveporttil\">Modo de Qualidade (TV e port\u00e1til)<\/h3>\n\n\n\n<p>Na TV, rodando em 4K a 60 fps, Metroid Prime 4: Beyond \u00e9 um exemplo muito bonito do que o Switch 2 \u00e9 capaz. Durante toda a minha campanha, praticamente n\u00e3o vi quedas de performance percept\u00edveis. Mesmo em lutas de chefe cheias de part\u00edculas, lasers e explos\u00f5es, a taxa de quadros se manteve est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em port\u00e1til, rodando a 1080p a 60 fps no modo de Qualidade, a experi\u00eancia foi igualmente suave. Claro que a tela menor inevitavelmente esconde alguns detalhes finos, mas a nitidez geral \u00e9 excelente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim, esse \u00e9 claramente o modo ideal para a maior parte dos jogadores: a combina\u00e7\u00e3o de fluidez com fidelidade visual cai como uma luva para um jogo que depende tanto de leitura de cen\u00e1rio e atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"mododeperformancetveporttil\">Modo de Performance (TV e port\u00e1til)<\/h3>\n\n\n\n<p>O modo de Performance sobe a taxa de quadros para 120 fps (1080p na TV, 720p no port\u00e1til). Visualmente, a diferen\u00e7a de fluidez \u00e9 percept\u00edvel, especialmente se voc\u00ea \u00e9 do tipo que repara imediatamente em qualquer micro stutter. Em vistoria r\u00e1pida, eu pude ver que o input fica um pouco mais \u201cseco\u201d, mais imediato, o que pode agradar quem quer jogar no modo mouse full time ou focar em precis\u00e3o m\u00e1xima.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, voc\u00ea perde um bom tanto de defini\u00e7\u00e3o, especialmente em texturas distantes e detalhes finos de cen\u00e1rio. Eu, pessoalmente, curti mais sacrificar os 120 fps e manter o 4K, porque o ritmo de Metroid Prime 4 n\u00e3o exige o tipo de reflexo e leitura milim\u00e9trica que justificaria essa troca para a maior parte das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"carregamentosetruquestcnicos\">Carregamentos e truques t\u00e9cnicos<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma coisa curiosa \u00e9 como o jogo esconde quase todos os carregamentos com truques cl\u00e1ssicos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Elevadores longos entre se\u00e7\u00f5es de dungeon.<\/li>\n\n\n\n<li>Pequenas cutscenes da Samus entrando ou saindo da nave, de canh\u00f5es a la \u201clan\u00e7amento\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>No Switch 2, esses momentos s\u00e3o curtos e n\u00e3o chegam a incomodar, mas se voc\u00ea reparar bem, \u00e9 ali que a transi\u00e7\u00e3o entre cen\u00e1rios est\u00e1 acontecendo. O resultado \u00e9 uma experi\u00eancia que, na maior parte do tempo, parece bem cont\u00ednua, sem telas de loading expl\u00edcitas a cada porta aberta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"estabilidade\">Estabilidade<\/h3>\n\n\n\n<p>Durante toda a minha jogatina, n\u00e3o tive crashes, soft locks ou bugs graves. O m\u00e1ximo que vi foram pequenas situa\u00e7\u00f5es de f\u00edsica meio estranha (inimigo preso em quina, ragdoll bizarro em queda), mas nada que afetasse progresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista de otimiza\u00e7\u00e3o, Metroid Prime 4: Beyond \u00e9 s\u00f3lido. N\u00e3o \u00e9 \u201cmilagre t\u00e9cnico\u201d no n\u00edvel de certos jogos de PC ultra ajustados, por\u00e9m, dentro da proposta de um t\u00edtulo cross-gen rodando num hardware h\u00edbrido, ele faz bonito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"conclusovaleapena\">Conclus\u00e3o &#8211; Metroid Prime 4: Beyond vale a pena?<\/h2>\n\n\n\n<p>Metroid Prime 4: Beyond tinha um peso gigantesco nas costas. N\u00e3o era s\u00f3 \u201cmais um jogo\u201d, era a volta de algo que muita gente j\u00e1 tinha praticamente se despedido mentalmente. E, com tudo isso, ainda decide sair em um momento em que a ind\u00fastria est\u00e1 saturada de jogos open world, looter shooter, live service, battle royale, e por a\u00ed vai.<\/p>\n\n\n\n<p>O que ele faz? Volta \u00e0s origens. N\u00e3o tenta reinventar todo o g\u00eanero, n\u00e3o tenta ser o \u201cnovo tudo\u201d. Ele entrega uma experi\u00eancia profundamente focada em: Explora\u00e7\u00e3o inteligente; Puzzles ambientais bem pensados; Combate t\u00e1tico e satisfat\u00f3rio; Atmosfera sci-fi densa e melanc\u00f3lica; Um planeta alien\u00edgena que voc\u00ea sente que realmente existe, com hist\u00f3ria, camadas e cicatrizes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, ousa em pontos espec\u00edficos: coloca uma moto veloz e estilosa para mudar o ritmo das travessias, adiciona personagens da Federa\u00e7\u00e3o com mais presen\u00e7a, introduz poderes ps\u00edquicos que aproximam ainda mais a Samus da tecnologia alien\u00edgena que ela est\u00e1 desvendando.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ousadia nem sempre acerta. Sol Valley, o grande deserto-hub, \u00e9 impressionante nos primeiros minutos, mas perde impacto depois de tantas idas e vindas. As interven\u00e7\u00f5es de Myles no r\u00e1dio \u00e0s vezes passam do ponto. O final se apoia em alguns trechos alongados que parecem existir mais para aumentar o rel\u00f3gio de jogo do que por necessidade narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, quando eu olho para o pacote inteiro, o saldo \u00e9 muito, muito positivo. Nos momentos em que Metroid Prime 4: Beyond foca no que faz melhor, ele n\u00e3o apenas honra a s\u00e9rie, como mostra que ainda existe espa\u00e7o no cen\u00e1rio atual para experi\u00eancias \u201csingle player, sem frescura, sem servi\u00e7o online, sem monetiza\u00e7\u00e3o estranha\u201d, que confiam na curiosidade do jogador e no prazer simples de descobrir um caminho escondido.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea gosta de Metroid, de metroidvanias em geral, de sci-fi contemplativo com pitadas de a\u00e7\u00e3o intensa, esse jogo \u00e9 praticamente obrigat\u00f3rio. Se voc\u00ea nunca jogou Prime antes, Beyond ainda \u00e9 um excelente ponto de entrada, justamente porque equilibra bem o que \u00e9 cl\u00e1ssico com facilidades modernas (mapa claro, dicas opcionais, curva de dificuldade justa).<\/p>\n\n\n\n<p>Metroid Prime 4: Beyond n\u00e3o \u00e9 perfeito. Mas, em um cen\u00e1rio em que tanta coisa grande sai quebrada, apressada ou incompleta, \u00e9 um al\u00edvio enorme ver um projeto t\u00e3o esperado chegar robusto, polido e com uma vis\u00e3o clara do que quer ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sa\u00ed da jornada em Viewros com a sensa\u00e7\u00e3o de que, sim, Samus ainda est\u00e1 \u201cno auge\u201d, e que esse jogo \u00e9 tanto uma grande aventura autossuficiente quanto o in\u00edcio de uma nova fase promissora para a s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<p>Recomendo? Com convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-electric-grass-gradient-background has-background\" id=\"pontospositivos\">Pontos Positivos<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Atmosfera sci-fi incr\u00edvel, com sensa\u00e7\u00e3o de isolamento e descoberta muito bem constru\u00eddas.<\/li>\n\n\n\n<li>Biomas principais enormes, variados e cheios de segredos, funcionando como dungeons 3D memor\u00e1veis.<\/li>\n\n\n\n<li>Dire\u00e7\u00e3o de arte de alt\u00edssimo n\u00edvel, com uso excelente de ilumina\u00e7\u00e3o e efeitos no visor da Samus.<\/li>\n\n\n\n<li>Trilha sonora marcante, variada e totalmente alinhada ao esp\u00edrito Metroid.<\/li>\n\n\n\n<li>Combate s\u00f3lido, t\u00e1tico, com uso inteligente de lock-on, beams elementais e poderes ps\u00edquicos.<\/li>\n\n\n\n<li>Chefes criativos, desafiadores e com lutas que misturam puzzle e a\u00e7\u00e3o de forma satisfat\u00f3ria.<\/li>\n\n\n\n<li>Vi-O-La \u00e9 uma moto muito divertida de controlar e muito estilosa, especialmente nas primeiras horas.<\/li>\n\n\n\n<li>Poderes ps\u00edquicos expandem a jogabilidade sem quebrar a f\u00f3rmula cl\u00e1ssica da s\u00e9rie.<\/li>\n\n\n\n<li>Performance excelente no Switch 2, especialmente no modo de Qualidade (4K\/60 fps).<\/li>\n\n\n\n<li>\u00d3timo ponto de entrada para novos jogadores, sem ignorar o que f\u00e3 antigo espera.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-blush-bordeaux-gradient-background has-background\" id=\"pontosnegativos\">Pontos Negativos<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Sol Valley, o deserto-hub, \u00e9 grande demais e com densidade de conte\u00fado menor do que poderia, resultando em travessias tediosas.<\/li>\n\n\n\n<li>Coleta de cristais verdes e viagens repetidas ao Base Camp \u00e0s vezes soam como \u201cgrind\u201d artificial para alongar o jogo.<\/li>\n\n\n\n<li>Interven\u00e7\u00f5es por r\u00e1dio de Myles MacKenzie podem incomodar quem gosta de se virar sozinho, faltando uma op\u00e7\u00e3o mais direta para silenciar s\u00f3 esse tipo de dica.<\/li>\n\n\n\n<li>NPCs da Federa\u00e7\u00e3o, embora funcionais, \u00e0s vezes soam gen\u00e9ricos e pouco profundos, sem justificar totalmente o tempo de foco neles.<\/li>\n\n\n\n<li>Algumas partes do final parecem esticadas, com se\u00e7\u00f5es menos inspiradas que quebram um pouco o ritmo antes do cl\u00edmax.<\/li>\n\n\n\n<li>Falta de um endgame livre realmente robusto ap\u00f3s os cr\u00e9ditos, exigindo planejamento de saves para quem quer fazer 100%.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong>:<br>Gr\u00e1ficos: <strong>9.5<\/strong><br>Divers\u00e3o: <strong>9.0<\/strong><br>Jogabilidade: <strong>9.0<\/strong><br>Som: <strong>9.5<\/strong><br>Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o: <strong>9.0<\/strong><br><strong>NOTA FINAL: 9.2 \/ 10.0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sensa\u00e7\u00e3o de finalmente iniciar esse jogo no Switch 2 \u00e9 quase surreal, e a melhor parte: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37915,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[23,443,15,59],"tags":[],"class_list":["post-37914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-games","category-nintendo","category-reviews"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37914"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37916,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37914\/revisions\/37916"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}