{"id":38835,"date":"2026-05-30T00:03:59","date_gmt":"2026-05-30T03:03:59","guid":{"rendered":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/?p=38835"},"modified":"2026-05-30T00:04:00","modified_gmt":"2026-05-30T03:04:00","slug":"glover-qubyte-classics-analise-review","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/glover-qubyte-classics-analise-review\/","title":{"rendered":"Glover (QUByte Classics)\u00a0\u2013\u00a0An\u00e1lise (Review)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cresci jogando os grandes cl\u00e1ssicos do Nintendo 64. Super Mario 64, Banjo-Kazooie, Donkey Kong 64\u2026 esses nomes carregam um peso enorme na hist\u00f3ria dos games, e por boas raz\u00f5es. Mas sempre teve aquele tipo de jogo que ficava nas sombras dos gigantes, aquele que nem todo mundo jogou, mas quem jogou nunca esqueceu. Glover \u00e9 esse tipo de jogo. Quando soube que ele estava voltando em uma vers\u00e3o remasterizada para o Nintendo Switch, minha curiosidade bateu forte. Uma luva animada, uma bola de borracha e mundos cheios de plataformas? Isso soa como uma ideia genial e maluca ao mesmo tempo, o que me deixou ainda mais animado para colocar as m\u00e3os na vers\u00e3o moderna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria come\u00e7a no Reino Cristal, um lugar governado por um mago poderoso que mantinha o reino funcionando por meio de sete cristais m\u00e1gicos, cada um servindo como portal para outros mundos. O mago tinha duas luvas sentimentais que o ajudavam em seus experimentos e magias: Glover e Glovel. Em um dia comum de experimentos, tudo d\u00e1 muito errado. O mago acidentalmente se transforma em pedra, e as luvas saem de suas m\u00e3os. Glovel cai em um caldeir\u00e3o m\u00e1gico e se transforma em Cross-Stich, um ser maligno que provoca uma explos\u00e3o para destruir os cristais. Antes que os cristais fossem destru\u00eddos, Glover usa sua magia para transform\u00e1-los em bolas de borracha, lan\u00e7ando-os pelos portais espalhados pelos mundos. E a\u00ed entra voc\u00ea, controlando Glover em sua miss\u00e3o de recuperar todas as bolas, derrotar Cross-Stich e salvar o reino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma hist\u00f3ria simples, at\u00e9 ing\u00eanua, mas funciona muito bem para o que o jogo precisa. N\u00e3o h\u00e1 cutscenes longas nem di\u00e1logos elaborados. Depois da cutscene de abertura, o jogo te larga direto na a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para mais. E honestamente, essa simplicidade narrativa combina perfeitamente com o ritmo do gameplay. O que me surpreendeu positivamente foi um detalhe de storytelling ambiental: conforme voc\u00ea recupera os cristais e avan\u00e7a no jogo, o castelo do Reino Cristal vai mudando visivelmente. No in\u00edcio, ele est\u00e1 envolto em uma fuma\u00e7a vermelha e sinistra. \u00c0 medida que voc\u00ea progride, a fuma\u00e7a vai sumindo, a grama vai ficando mais verde, o ambiente vai ficando mais vivo. \u00c9 uma forma simples, mas muito eficiente de fazer o jogador sentir que suas a\u00e7\u00f5es realmente importam para aquele mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Glover \u00e9 um jogo que carrega muita personalidade. A ideia de controlar uma luva que interage com uma bola em um ambiente 3D \u00e9 genuinamente \u00fanica dentro do g\u00eanero de plataformas 3D. E apesar de toda a minha empolga\u00e7\u00e3o, preciso ser honesto: a vers\u00e3o remasterizada que chegou ao Nintendo Switch em 2025 me deixou com sentimentos bem misturados. O jogo em si tem seus m\u00e9ritos, mas a forma como ele foi trazido para o console moderno levanta quest\u00f5es s\u00e9rias sobre o cuidado e o respeito que uma obra cl\u00e1ssica merece. Vamos explorar tudo isso em detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mec\u00e2nicas e Jogabilidade<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jogabilidade de Glover \u00e9 onde o jogo mais brilha e tamb\u00e9m onde ele mais trope\u00e7a, dependendo do momento. A ideia central \u00e9 controlar Glover, que pode andar pelos cen\u00e1rios sozinho ou manipular uma bola de borracha que representa o cristal transformado. E \u00e9 nessa din\u00e2mica entre o personagem e a bola que toda a experi\u00eancia se constr\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Glover est\u00e1 sem a bola, ele se comporta de forma bem parecida com qualquer personagem de plataforma 3D da \u00e9poca: ele pode pular, dar um salto duplo, se arrastar pelo ch\u00e3o e at\u00e9 usar um golpe com o punho no ch\u00e3o que funciona como o famoso Ground Pound de Super Mario 64. Ele tamb\u00e9m pode dar uma cambalhota lateral que, \u00e0 primeira vista, parece completamente in\u00fatil, mas que eventualmente se torna necess\u00e1ria para superar certos obst\u00e1culos espec\u00edficos. Al\u00e9m disso, power-ups espalhados pelos cen\u00e1rios podem dar habilidades tempor\u00e1rias a Glover, como a capacidade de escalar paredes ou ficar gigante por um tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Glover pega a bola, tudo muda. A forma de movimenta\u00e7\u00e3o muda completamente: em vez de andar com as &#8220;pernas&#8221;, ele rola a bola e vai junto com ela. Para pular pequenas dist\u00e2ncias, voc\u00ea pode driblar a bola no ch\u00e3o. Para dist\u00e2ncias maiores, voc\u00ea pode jog\u00e1-la para frente e salt\u00e1-la. Bater com o punho no ch\u00e3o ao segurar a bola resulta em um salto enorme e bastante \u00fatil. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode se sentar em cima da bola para se mover mais r\u00e1pido pelo cen\u00e1rio ou para deslizar sobre a superf\u00edcie da \u00e1gua. Tudo isso junto cria uma paleta de movimentos bem rica e divertida de explorar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A bola tamb\u00e9m pode ser transformada em diferentes tipos, e a\u00ed as possibilidades ficam ainda mais interessantes. A bola de borracha padr\u00e3o \u00e9 a mais vers\u00e1til. A bola de boliche \u00e9 mais pesada e mais lenta, mas pode destruir paredes e objetos espec\u00edficos. A bolinha de a\u00e7o \u00e9 mais r\u00e1pida, mas dif\u00edcil de controlar por causa do seu peso. E a bola de cristal \u00e9 a forma original do cristal, que pode ser coletada em estados espec\u00edficos para dobrar a pontua\u00e7\u00e3o dos itens que voc\u00ea pegar, mas \u00e9 extremamente fr\u00e1gil e se despeda\u00e7a com facilidade. Perder a bola significa perder uma vida, ent\u00e3o carregar o cristal na forma mais fr\u00e1gil exige muita cautela e habilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa din\u00e2mica de carregar a bola enquanto tenta avan\u00e7ar pelos cen\u00e1rios cria desafios e puzzles genuinamente criativos. Muitas vezes, voc\u00ea precisa deixar a bola em um lugar seguro, resolver um puzzle com Glover sozinho para abrir um caminho, e s\u00f3 ent\u00e3o buscar a bola de volta e avan\u00e7ar. \u00c9 simples, nunca fica complicado demais, mas tem aquele sabor especial de resolver uma situa\u00e7\u00e3o e sentir que realmente pensou na solu\u00e7\u00e3o certa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grande problema \u00e9 que dominar esses controles exige uma paci\u00eancia consider\u00e1vel. No come\u00e7o, manusear Glover com a bola parece desajeitado, impreciso e \u00e0s vezes at\u00e9 frustrante. A bola n\u00e3o obedece sempre como voc\u00ea esperaria, o que pode fazer com que ela caia em buracos ou se destrua em momentos cr\u00edticos. Com o tempo, voc\u00ea vai se acostumando com a f\u00edsica e a movimenta\u00e7\u00e3o vai ficando muito mais satisfat\u00f3ria, mas esse per\u00edodo inicial de aprendizado pode afastar jogadores menos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os chefes s\u00e3o um ponto que me decepcionou bastante. A distribui\u00e7\u00e3o de dificuldade entre eles \u00e9 muito desequilibrada. Alguns s\u00e3o t\u00e3o simples que morrem em segundos sem te dar nenhuma sensa\u00e7\u00e3o de conquista. Outros s\u00e3o enigm\u00e1ticos e obtusos de um jeito que n\u00e3o diverte: voc\u00ea fica mais confuso do que desafiado. A batalha contra o Frankenstein em particular foi uma das experi\u00eancias mais frustrantes que j\u00e1 tive em um jogo de plataforma. N\u00e3o frustrante no sentido positivo de um desafio bem constru\u00eddo, mas frustrante no sentido de n\u00e3o entender o que o jogo est\u00e1 pedindo de voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gr\u00e1ficos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando penso no visual de Glover no Nintendo 64, lembro de um jogo bem colorido e cheio de personalidade visual. Sim, as texturas eram simples e as limita\u00e7\u00f5es do hardware de 64 bits estavam claramente presentes. Mas o jogo compensava com um estilo de arte vibrante e carism\u00e1tico que rodava a 30 frames por segundo com consist\u00eancia, o que era um feito e tanto para a \u00e9poca. Com o remaster para o Nintendo Switch, minha expectativa era simples: que o jogo ficasse pelo menos t\u00e3o bonito quanto a vers\u00e3o original, idealmente ainda mais. Infelizmente, o que recebi foi bem diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vers\u00e3o remasterizada apresenta problemas gr\u00e1ficos que simplesmente n\u00e3o existiam no Nintendo 64. A ilumina\u00e7\u00e3o foi completamente refeita, e o resultado \u00e9 muito mais escuro e opressivo do que no original. Aquele brilho colorido e encantador que tornava os cen\u00e1rios agrad\u00e1veis de ver foi substancialmente reduzido. O jogo perde muito da sua magia visual, e isso afeta diretamente a atmosfera da experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Erros de textura s\u00e3o frequentes e facilmente percept\u00edveis. Em v\u00e1rios pontos dos cen\u00e1rios, texturas que deveriam estar aplicadas em objetos simplesmente est\u00e3o faltando, deixando superf\u00edcies com apar\u00eancia gen\u00e9rica e sem acabamento. Pior do que isso, em alguns objetos voc\u00ea consegue ver os pol\u00edgonos que comp\u00f5em os modelos, algo que n\u00e3o acontecia na vers\u00e3o de Nintendo 64. Para um remaster lan\u00e7ado mais de 20 anos depois no hardware consideravelmente mais potente do Nintendo Switch, isso \u00e9 algo bem dif\u00edcil de justificar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 v\u00e1lido mencionar que a vers\u00e3o do Switch inclui um filtro gr\u00e1fico opcional que tenta imitar a apar\u00eancia granulada dos jogos de \u00e9poca. A ideia pode parecer charmosa para quem sente nostalgia por aquela est\u00e9tica, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o resolve os problemas estruturais de apresenta\u00e7\u00e3o visual do port. No geral, comparando lado a lado com a vers\u00e3o de Nintendo 64, o remaster sai em clara desvantagem visual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Som<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trilha sonora de Glover \u00e9 uma das partes mais caracter\u00edsticas e memor\u00e1veis de toda a experi\u00eancia. As m\u00fasicas t\u00eam aquele esp\u00edrito animado e um tanto exc\u00eantrico que combina perfeitamente com a personalidade visual do jogo. Cada mundo tem temas pr\u00f3prios que ajudam a criar identidade para os cen\u00e1rios e deixam uma impress\u00e3o que permanece depois que voc\u00ea para de jogar. N\u00e3o \u00e9 uma trilha que vai entrar para a hist\u00f3ria ao lado de nomes como Banjo-Kazooie, mas tem seu charme ineg\u00e1vel e cumpre muito bem o papel de ambientar o jogador em cada fase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos sonoros tamb\u00e9m funcionam bem no geral. O som da bola quicando, o barulho dos golpes de Glover e os sons dos inimigos contribuem para dar uma sensa\u00e7\u00e3o de peso e presen\u00e7a \u00e0s a\u00e7\u00f5es do gameplay. Alguns sons me pareceram ligeiramente diferentes em compara\u00e7\u00e3o com o que recordo da vers\u00e3o original, e n\u00e3o sei dizer se essas mudan\u00e7as foram intencionais ou resultado de algo que deu errado durante o processo de port. De qualquer forma, o impacto dessas diferen\u00e7as \u00e9 menor em compara\u00e7\u00e3o com os problemas visuais, e a experi\u00eancia sonora no geral \u00e9 agrad\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Divers\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Glover \u00e9, no fundo, um jogo divertido. Com todas as suas imperfei\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es pontuais, quando o gameplay clica e voc\u00ea come\u00e7a a manusear Glover e a bola com confian\u00e7a, a experi\u00eancia tem um sabor realmente gostoso. A sensa\u00e7\u00e3o de dominar aquela f\u00edsica maluca de rolar e driblar a bola por plataformas complicadas e levar o cristal at\u00e9 o final da fase com sucesso \u00e9 genuinamente satisfat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O design das fases \u00e9 criativo e usa muito bem as mec\u00e2nicas \u00fanicas do jogo. As fases tem\u00e1ticas de cada mundo apresentam desafios variados que te for\u00e7am a usar diferentes formas de bola e diferentes habilidades de Glover, mantendo o gameplay interessante por boa parte da jornada. Os itens colet\u00e1veis chamados Garibs espalhados pelas fases adicionam uma camada extra de explora\u00e7\u00e3o para quem quiser se aventurar al\u00e9m do objetivo principal. Completar a coleta de Garibs em cada fase libera fases extras em cada mundo, o que aumenta o tempo de jogo para quem quiser mergulhar mais fundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dito isso, \u00e9 honesto tamb\u00e9m admitir que o conceito central de pegar uma bola e carreg\u00e1-la at\u00e9 o final pode se tornar repetitivo com o tempo. A premissa n\u00e3o se reinventa com a profundidade que os melhores plataformers 3D da \u00e9poca conseguiam. O jogo n\u00e3o tem a mesma amplitude criativa de um Banjo-Kazooie ou a densidade de um Donkey Kong 64. Para um jogador que veio de t\u00edtulos como esses, Glover pode parecer um pouco limitado em seu escopo de divers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o ponto mais decepcionante de toda a experi\u00eancia com o remaster de Glover no Nintendo Switch, e \u00e9 onde fico mais em conflito ao escrever essa an\u00e1lise. O jogo original de Nintendo 64 rodava a 30 frames por segundo de forma consistente. Era um feito consider\u00e1vel para o hardware da \u00e9poca. A vers\u00e3o remasterizada para o Switch, um console muito mais poderoso do que o N64, roda a 20 frames por segundo. Isso \u00e9, objetivamente, uma performance inferior \u00e0 do original lan\u00e7ado h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os bugs de performance n\u00e3o param por a\u00ed. Inimigos derrotados deixam restos de sprites flutuando no cen\u00e1rio de formas visualmente estranhas. Em certas circunst\u00e2ncias, os inimigos voltam a aparecer depois de serem derrotados, e se voc\u00ea ficar derrotando e re-encontrando eles repetidamente, o cen\u00e1rio vai acumulando esses fragmentos visuais de uma forma bem perturbadora. Pelo menos um dos chefes do jogo tem um comportamento completamente diferente do original, se movendo e interagindo com o cen\u00e1rio de um jeito que claramente n\u00e3o parece intencional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fica dif\u00edcil entender o que aconteceu durante o processo de desenvolvimento desse port para resultar nesse produto final. O Nintendo Switch \u00e9 mais do que capaz de rodar um jogo de Nintendo 64 com perfei\u00e7\u00e3o absoluta. Que o resultado tenha sido pior em performance do que a vers\u00e3o de 26 anos atr\u00e1s, em um hardware infinitamente mais poderoso, \u00e9 algo que genuinamente confunde e decepciona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Glover \u00e9 um jogo que merecia uma segunda chance mais cuidadosa do que recebeu. A ideia central \u00e9 genuinamente criativa dentro de um g\u00eanero que ficou bastante saturado no final dos anos 90: uma luva sentiente controlando uma bola de borracha por mundos cheios de plataformas e puzzles \u00e9 uma proposta que eu ainda acho fascinante hoje, quase tr\u00eas d\u00e9cadas depois. A f\u00edsica da bola, apesar de exigir paci\u00eancia para dominar, entrega uma sensa\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria quando voc\u00ea finalmente clica com ela. O design de fases tem seus momentos de brilho genu\u00edno, e a personalidade visual e sonora do jogo ainda carregam aquele encanto de era que n\u00e3o envelheceu de todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o remaster traz consigo problemas s\u00e9rios que s\u00e3o dif\u00edceis de ignorar. A performance inferior ao original, os erros gr\u00e1ficos abundantes, as texturas faltando em objetos que as tinham na vers\u00e3o de N64, a ilumina\u00e7\u00e3o mais escura que apaga muito do colorido encantador do original e os bugs que fazem partes do jogo funcionarem de forma claramente errada comp\u00f5em um produto final que decepcionou. A vers\u00e3o de Nintendo 64 de Glover \u00e9, em m\u00faltiplos aspectos, melhor do que esse remaster. E isso \u00e9 uma frase que simplesmente n\u00e3o deveria existir quando o assunto \u00e9 um relan\u00e7amento moderno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea tem um carinho especial por Glover e quer reviver as mem\u00f3rias, talvez valha a conveni\u00eancia de jogar no Switch, especialmente se n\u00e3o tiver mais acesso ao Nintendo 64. Mas se voc\u00ea est\u00e1 chegando nesse jogo sem nenhuma hist\u00f3ria com ele, fica dif\u00edcil recomendar esse remaster com entusiasmo. A experi\u00eancia tem seus momentos genuinamente divertidos, mas exige uma toler\u00e2ncia consider\u00e1vel \u00e0s suas imperfei\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e ao seu ritmo mais lento de conquista. \u00c9 uma luva encantadora que merecia uma luva de veludo no tratamento, e em vez disso recebeu um aperto de m\u00e3o bem descuidado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Pontos positivos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A mec\u00e2nica com a bola \u00e9 \u00fanica e criativa dentro do g\u00eanero<\/li>\n\n\n\n<li>O design de fases tem bons momentos de brilho genu\u00edno<\/li>\n\n\n\n<li>A trilha sonora tem personalidade e charm pr\u00f3prios<\/li>\n\n\n\n<li>O storytelling ambiental do Reino Cristal \u00e9 um toque simp\u00e1tico e bem executado<\/li>\n\n\n\n<li>O jogo oferece conte\u00fado extra com as fases secretas desbloque\u00e1veis pelos Garibs<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Pontos negativos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Performance de 20fps inferior ao original de Nintendo 64, que rodava a 30fps<\/li>\n\n\n\n<li>Erros gr\u00e1ficos frequentes e texturas faltando em v\u00e1rios objetos do cen\u00e1rio<\/li>\n\n\n\n<li>Ilumina\u00e7\u00e3o mais escura que prejudica a apresenta\u00e7\u00e3o visual e o charme original do jogo<\/li>\n\n\n\n<li>Bugs com inimigos deixando fragmentos de sprites e reaparecendo de forma estranha<\/li>\n\n\n\n<li>Comportamento incorreto de pelo menos um dos chefes<\/li>\n\n\n\n<li>Curva de aprendizado \u00edngreme com os controles da bola<\/li>\n\n\n\n<li>Chefes com dificuldade muito desequilibrada entre si<\/li>\n\n\n\n<li>Port entregue aqu\u00e9m do esperado para um remaster moderno em hardware muito mais potente<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o:<\/strong><br>Gr\u00e1ficos: 4.5<br>Divers\u00e3o: 6.5<br>Jogabilidade: 6.0<br>Som: 7.0<br>Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o: 3.5<br><strong>NOTA FINAL: 5.5 \/ 10.0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresci jogando os grandes cl\u00e1ssicos do Nintendo 64. 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