{"id":39065,"date":"2026-08-06T23:17:50","date_gmt":"2026-08-07T02:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/?p=39065"},"modified":"2026-08-06T23:17:51","modified_gmt":"2026-08-07T02:17:51","slug":"lies-of-p-complete-edition-analise-review","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/lies-of-p-complete-edition-analise-review\/","title":{"rendered":"Lies of P: Complete Edition\u00a0\u2013\u00a0An\u00e1lise (Review)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de rodar o jogo inteiro no Switch 2, incluindo boa parte da expans\u00e3o Overture, posso dizer que sa\u00ed da experi\u00eancia surpreso com o quanto Round8 Studio e Neowiz entenderam profundamente o que faz um soulslike funcionar, e o quanto conseguiram colocar a pr\u00f3pria identidade dentro desse molde t\u00e3o consagrado por outros est\u00fadios. A proposta de pegar a hist\u00f3ria de Pin\u00f3quio, escrita por Carlo Collodi, e transform\u00e1-la numa f\u00e1bula sombria sobre livre arb\u00edtrio, mentira e o que significa ser humano, parecia estranha no papel, mas na pr\u00e1tica se revelou um dos encaixes tem\u00e1ticos mais inteligentes que j\u00e1 vi num jogo do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cidade de Krat, devastada pela chamada Frenesi das Marionetes e por uma doen\u00e7a misteriosa que dizima a popula\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 o cen\u00e1rio onde encarno P, uma marionete com tra\u00e7os quase humanos, capaz de mentir, de sentir e de escolher seu pr\u00f3prio caminho longe da vontade do criador. Essa premissa, aparentemente simples, sustenta uma trama que vai se revelando aos poucos, atrav\u00e9s de documentos, est\u00e1tuas, di\u00e1logos opcionais e principalmente das intera\u00e7\u00f5es no Hotel Krat, o hub central onde moram os poucos sobreviventes que restaram. Diferente de outros representantes do g\u00eanero que escondem a narrativa quase que propositalmente, aqui existe um equil\u00edbrio, d\u00e1 para entender o essencial da hist\u00f3ria sem precisar ler cada descri\u00e7\u00e3o de item com lupa, mas quem quiser se aprofundar encontra muita coisa escondida nos cantos do mapa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que essa Complete Edition traz de diferente \u00e9 justamente o pacote completo: o jogo base, repaginado com todos os ajustes e melhorias feitas ao longo de quase tr\u00eas anos de suporte p\u00f3s-lan\u00e7amento, somado \u00e0 expans\u00e3o Overture e a todos os itens cosm\u00e9ticos lan\u00e7ados anteriormente. Joguei tudo isso agora no Switch 2 e fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de estar diante de uma das vers\u00f5es mais completas e bem cuidadas que esse t\u00edtulo j\u00e1 recebeu, mesmo sabendo que ele j\u00e1 existia em outras plataformas desde 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mec\u00e2nicas e Jogabilidade<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lies of P segue a receita cl\u00e1ssica dos soulslikes: pontos de vida e stamina ditam o ritmo de cada combate, cada ataque consome energia, cada bloqueio tira uma fatia da barra de vida e da resist\u00eancia, e morrer significa perder toda a moeda acumulada, chamada Ergo, no local exato onde ca\u00ed. Se eu conseguir voltar at\u00e9 ali sem levar mais dano, recupero tudo, mas cada golpe recebido no caminho reduz a quantidade que vou resgatar. \u00c9 uma tens\u00e3o constante que me manteve com os nervos \u00e0 flor da pele em praticamente toda sess\u00e3o de jogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que diferencia a experi\u00eancia de combate aqui \u00e9 o sistema de bloqueio e contra-ataque. Quando aparo um golpe sem executar o bloqueio perfeito, ainda tomo dano, mas esse dano pode ser recuperado se eu conseguir acertar o inimigo logo em seguida. Isso cria um dilema constante entre jogar na defensiva, esperando a abertura certa, ou arriscar tudo para reaver a vida perdida, sabendo que um erro de c\u00e1lculo pode custar caro. Quando executo o bloqueio perfeito, no momento exato do impacto, anulo o dano por completo, e esse timing preciso \u00e9 recompensado com uma sensa\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio sobre o combate que poucos jogos do g\u00eanero conseguem entregar com tanta clareza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande estrela das mec\u00e2nicas, sem d\u00favida, \u00e9 o sistema de montagem de armas. Cada arma comum \u00e9 dividida em duas partes: a l\u00e2mina, que define dano, escala de atributos e tipo de dano causado, e o cabo, que determina o moveset completo, ou seja, como a arma se movimenta durante os ataques. Isso permite combina\u00e7\u00f5es praticamente ilimitadas: posso pegar a l\u00e2mina pesada de um machado e encaixar no cabo \u00e1gil de uma adaga, criando uma arma totalmente nova em termos de comportamento. Some a isso os Fable Arts, golpes especiais ligados a cada metade da arma que consomem um medidor espec\u00edfico e que servem tanto para buffar o equipamento quanto para desferir ataques devastadores com anima\u00e7\u00f5es \u00fanicas, e o resultado \u00e9 um sistema de personaliza\u00e7\u00e3o que raramente vi t\u00e3o bem executado num soulslike em terceira pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na m\u00e3o esquerda, entram os Legion Arms, bra\u00e7os mec\u00e2nicos que substituem o escudo tradicional e oferecem habilidades ativas variadas. Usei bastante o Puppet String, um bra\u00e7o que funciona como um gancho, puxando inimigos para perto ou me lan\u00e7ando na dire\u00e7\u00e3o deles, o que resolve muitas situa\u00e7\u00f5es de perigo, principalmente em corredores estreitos cheios de inimigos \u00e0 dist\u00e2ncia. Tamb\u00e9m experimentei vers\u00f5es que lan\u00e7am chamas, espalham \u00e1cido pelo ch\u00e3o ou funcionam quase como uma metralhadora girat\u00f3ria. Cada um desses bra\u00e7os pode ser aprimorado em Hotel Krat usando materiais raros, e investir nisso faz uma diferen\u00e7a enorme no meio de combates mais ca\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro pilar da progress\u00e3o \u00e9 o P-Organ, uma esp\u00e9cie de \u00e1rvore de habilidades alimentada por Quartzo, um recurso relativamente escasso espalhado pelo mundo. \u00c9 atrav\u00e9s dele que desbloqueio passivas permanentes, como mais usos de itens de cura, mais espa\u00e7o para amuletos ou janelas maiores de regenera\u00e7\u00e3o ao bloquear. A progress\u00e3o aqui \u00e9 gradual e bem distribu\u00edda, o que faz cada peda\u00e7o de Quartzo encontrado parecer uma pequena vit\u00f3ria. J\u00e1 a quantidade de sistemas que orbitam o personagem, entre pe\u00e7as de armadura divididas em v\u00e1rios componentes, cubos de b\u00f4nus, amuletos, atributos de Motricidade e T\u00e9cnica, pode intimidar um pouco no come\u00e7o, e confesso que levei um tempo para entender completamente como cada engrenagem se encaixava, mas depois que o encaixe acontece, tudo passa a fazer sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dificuldade em si segue moderada dentro do que se espera do g\u00eanero. Cheguei a morrer bastante contra os primeiros chefes, alguns me custaram mais de vinte tentativas, mas nunca senti que a dificuldade era injusta, apenas exigente. Um adicional bem-vindo nessa edi\u00e7\u00e3o \u00e9 a presen\u00e7a de op\u00e7\u00f5es de dificuldade mais acess\u00edveis, pensadas para quem nunca encostou num soulslike antes ou simplesmente prefere uma curva de aprendizado mais suave. \u00c9 poss\u00edvel alternar entre elas a qualquer momento sem perder progresso ou conte\u00fado, o que amplia bastante o p\u00fablico que pode aproveitar essa experi\u00eancia sem se sentir exclu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O design de fases segue uma estrutura mais linear do que aberta, no estilo dos primeiros jogos da s\u00e9rie que inspirou o g\u00eanero. Existe sempre um caminho principal claro, com ramifica\u00e7\u00f5es curtas que costumam levar a atalhos, itens ou pequenas quests opcionais. N\u00e3o encontrei aqui a sensa\u00e7\u00e3o de mundo interligado e labir\u00edntico que certos cl\u00e1ssicos do g\u00eanero entregam, mas em compensa\u00e7\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 recompensadora, cheia de pequenas surpresas escondidas atr\u00e1s de portas trancadas ou plataformas escondidas. As sidequests, por sua vez, oscilam bastante em qualidade: algumas trazem escolhas interessantes e desfechos m\u00faltiplos, outras se resumem a idas e vindas repetitivas que servem mais para preencher tempo do que para agregar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema de moralidade amarra tudo isso de forma elegante. Em diversos momentos da hist\u00f3ria e das sidequests, posso escolher mentir ou dizer a verdade para os NPCs que encontro, e essas decis\u00f5es v\u00e3o moldando tanto minhas rela\u00e7\u00f5es quanto o final que recebo ao completar o jogo. O mais interessante \u00e9 que nem sempre a op\u00e7\u00e3o \u00f3bvia \u00e9 a certa, e algumas mentiras contadas com boa inten\u00e7\u00e3o acabam se revelando mais gentis do que a verdade nua e crua. \u00c9 um sistema simples na superf\u00edcie, mas que carrega bastante peso emocional quando entendido dentro do contexto de cada personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gr\u00e1ficos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jogo constr\u00f3i uma <em>Belle \u00c9poque<\/em> decadente que funciona muito bem como pano de fundo para o terror mec\u00e2nico que se espalha pela cidade de Krat. Ruas estreitas, teatros abandonados, hot\u00e9is decadentes e f\u00e1bricas enferrujadas se misturam numa est\u00e9tica europeia sombria, cheia de \u00f3leo escorrendo pelas paredes e marionetes quebradas espalhadas pelo ch\u00e3o. \u00c9 um daqueles jogos em que simplesmente parar para admirar o cen\u00e1rio j\u00e1 vale a pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jogo chega com op\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas bem generosas para os padr\u00f5es, vistos at\u00e9 ent\u00e3o, no Switch 2. No modo docado, existem tr\u00eas configura\u00e7\u00f5es: qualidade, que busca 30 quadros por segundo com efeitos visuais mais ricos e at\u00e9 tra\u00e7ado de raios em certos momentos, balanceado, que tenta equilibrar taxa de quadros e fidelidade visual, e performance, que prioriza a fluidez chegando a 60 quadros por segundo com uma resolu\u00e7\u00e3o mais baixa. No modo port\u00e1til, por enquanto, s\u00f3 existem as op\u00e7\u00f5es de qualidade e performance, sendo que essa \u00faltima ainda apresenta uma taxa de quadros um pouco inst\u00e1vel antes de uma atualiza\u00e7\u00e3o do dia do lan\u00e7amento que promete adicionar um modo de 60 quadros mais est\u00e1vel para quando o console est\u00e1 desencaixado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Testei praticamente todas essas configura\u00e7\u00f5es e cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que o modo balanceado, quando dispon\u00edvel, \u00e9 o que entrega o melhor meio-termo entre nitidez e fluidez para quem joga na TV. O modo qualidade, apesar de bonito em cenas paradas, sofre de quedas de desempenho percept\u00edveis em combates mais carregados de efeitos, e o efeito de desfoque de movimento aplicado \u00e0 c\u00e2mera fica bastante evidente nesse modo, sem nenhuma op\u00e7\u00e3o para desativ\u00e1-lo, o que pode incomodar durante embates mais movimentados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto que precisa ser mencionado \u00e9 o pop-in de objetos distantes, mais percept\u00edvel em \u00e1reas mais densas, como o Lorenzini Arcade e o Zool\u00f3gico de Krat presente na expans\u00e3o Overture. Em ambientes fechados, como armaz\u00e9ns e f\u00e1bricas, notei tamb\u00e9m um leve atraso no carregamento de pol\u00edgonos ao girar a c\u00e2mera rapidamente, o que gera pequenos flashes brancos at\u00e9 a cena se estabilizar completamente. S\u00e3o imperfei\u00e7\u00f5es que n\u00e3o chegam a comprometer a experi\u00eancia, mas ficam ali, discretas, lembrando que se trata de um hardware h\u00edbrido rodando um jogo que originalmente foi pensado para consoles e PCs mais robustos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As texturas de cabelo e certos elementos de vestu\u00e1rio sofrem visivelmente quando comparadas \u00e0s vers\u00f5es de PC e consoles de mesa, principalmente em cenas mais pr\u00f3ximas, e objetos distantes perdem bastante defini\u00e7\u00e3o. Ainda assim, no geral, a dire\u00e7\u00e3o de arte compensa boa parte dessas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. As anima\u00e7\u00f5es dos personagens s\u00e3o fluidas e cheias de peso, os inimigos e marionetes se movem de um jeito perturbador e convincente, e mesmo nos momentos em que a resolu\u00e7\u00e3o cai, a atmosfera permanece intacta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Som<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grande parte da explora\u00e7\u00e3o acontece em sil\u00eancio quase absoluto, o que intensifica a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o e perigo constante, mas assim que um chefe entra em cena, a orquestra assume o controle com composi\u00e7\u00f5es grandiosas, tensas e cheias de urg\u00eancia, que conseguem transmitir tanto o peso da batalha quanto a personalidade de cada inimigo enfrentado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tema de Hotel Krat, tocado em determinados momentos atrav\u00e9s dos discos que posso colecionar pelo mundo, \u00e9 outro ponto alto sonoro. \u00c9 uma m\u00fasica calma, quase melanc\u00f3lica, que contrasta de forma proposital com o caos l\u00e1 fora e que acaba se tornando um ref\u00fagio emocional dentro da pr\u00f3pria estrutura do jogo. Coletar esses discos e ouvi-los no hub central se tornou uma das minhas pequenas alegrias particulares durante a campanha, ao ponto de eu simplesmente ficar parado ali s\u00f3 para escutar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dublagem, na medida em que acompanha as cenas e os di\u00e1logos com os NPCs, tamb\u00e9m mant\u00e9m um n\u00edvel de qualidade consistente, ajudando a dar personalidade a figuras como Sophia, Gemini e o pr\u00f3prio Geppetto. Os efeitos sonoros de combate, o barulho met\u00e1lico das l\u00e2minas colidindo, o gemido mec\u00e2nico das marionetes se aproximando, tudo isso contribui para refor\u00e7ar a tens\u00e3o constante que permeia cada encontro. \u00c9 um trabalho de som extremamente competente, que sustenta e amplifica a atmosfera visual do jogo sem nunca ficar em segundo plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Divers\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui est\u00e1, sem d\u00favida, o cora\u00e7\u00e3o de toda a experi\u00eancia. Lies of P consegue equilibrar tens\u00e3o, recompensa e experimenta\u00e7\u00e3o de um jeito que me manteve extremamente engajado do in\u00edcio ao fim. Cada nova arma encontrada, cada combina\u00e7\u00e3o diferente de l\u00e2mina e cabo, cada Legion Arm testado, tudo isso gera vontade de continuar avan\u00e7ando s\u00f3 para ver o que vem a seguir. Poucas vezes me senti tentado a repetir a mesma build por muito tempo, porque o pr\u00f3prio jogo incentiva a varia\u00e7\u00e3o constante atrav\u00e9s de inimigos que exigem abordagens diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os chefes s\u00e3o, para mim, o maior destaque de divers\u00e3o dentro dessa experi\u00eancia. Cada um deles tem um design visual marcante, movesets \u00fanicos e um ritmo de combate que raramente cai no gen\u00e9rico. Alguns me deixaram extremamente frustrado, especialmente certos encontros que exigem paci\u00eancia absurda e memoriza\u00e7\u00e3o precisa de padr\u00f5es, mas a sensa\u00e7\u00e3o de finalmente derrotar um chefe dif\u00edcil, depois de dezenas de tentativas, \u00e9 indescrit\u00edvel e compensa cada momento de raiva anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expans\u00e3o Overture amplia essa divers\u00e3o de um jeito que superou minhas expectativas. Ambientada num passado anterior aos eventos da campanha principal, ela introduz chefes ainda mais agressivos, novos equipamentos, inclusive uma arma de longo alcance que se encaixa muito bem na estrutura de combate j\u00e1 existente, e um n\u00edvel de dificuldade sensivelmente mais alto do que o jogo base. \u00c9 uma continua\u00e7\u00e3o que respeita quem j\u00e1 domina as mec\u00e2nicas, mas que tamb\u00e9m acrescenta pequenas melhorias de qualidade de vida, como a possibilidade de investir Ergo diretamente do ponto de descanso, um ajuste que deveria ser padr\u00e3o em qualquer soulslike.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As op\u00e7\u00f5es de dificuldade adicionadas ao longo do tempo tamb\u00e9m merecem men\u00e7\u00e3o dentro desse t\u00f3pico, porque ampliam bastante quem consegue se divertir com o jogo. Ainda assim, percebi que o ajuste desses n\u00edveis mais f\u00e1ceis nem sempre \u00e9 perfeito, especialmente dentro da expans\u00e3o, onde certos balanceamentos parecem ter sido calibrados \u00e0s pressas, criando situa\u00e7\u00f5es em que um n\u00edvel intermedi\u00e1rio parece mais equilibrado do que as op\u00e7\u00f5es extremas. Mesmo com essa ressalva, a divers\u00e3o geral permanece extremamente alta, sustentada por um ciclo de risco e recompensa muito bem constru\u00eddo e por uma quantidade generosa de conte\u00fado, considerando que a campanha principal somada \u00e0 expans\u00e3o passa facilmente de quarenta horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lies of P: Complete Edition entrega uma performance que, na maior parte do tempo, me deixou positivamente surpreso. No modo docado, joguei boa parte da campanha no modo performance e raramente notei quedas de quadros, mesmo durante confrontos com m\u00faltiplos inimigos na tela ou chefes com muitos efeitos visuais simult\u00e2neos. O modo balanceado tamb\u00e9m se comportou bem, oferecendo uma taxa de quadros est\u00e1vel junto de uma fidelidade visual um pouco superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modo qualidade, por outro lado, \u00e9 onde a otimiza\u00e7\u00e3o mostra suas costuras. A taxa de quadros cai de forma percept\u00edvel durante embates mais intensos, e o efeito de desfoque de movimento, sem op\u00e7\u00e3o de desativa\u00e7\u00e3o, torna a movimenta\u00e7\u00e3o de c\u00e2mera bastante desconfort\u00e1vel nesse modo espec\u00edfico. Recomendo evit\u00e1-lo, tanto no modo docado quanto no port\u00e1til, a menos que a prioridade absoluta seja a fidelidade visual em detrimento da fluidez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No modo port\u00e1til, a experi\u00eancia ainda est\u00e1 em processo de ajuste no momento em que joguei. O modo performance apresentou uma taxa de quadros mais inconsistente do que eu esperava, funcionando de forma mais pr\u00f3xima de um modo balanceado do que de fato um modo otimizado para 60 quadros por segundo. Felizmente, existe uma atualiza\u00e7\u00e3o programada para o dia do lan\u00e7amento que promete adicionar um modo de 60 quadros mais est\u00e1vel especificamente para o uso port\u00e1til, o que deve resolver boa parte dessa inconsist\u00eancia assim que estiver dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um detalhe inc\u00f4modo do ponto de vista pr\u00e1tico \u00e9 que a troca entre os modos gr\u00e1ficos s\u00f3 pode ser feita atrav\u00e9s do menu inicial do jogo, exigindo que eu saia completamente da partida sempre que quiser alternar entre eles. \u00c9 um inc\u00f4modo pequeno, mas que se torna chato ao longo do tempo, especialmente para quem gosta de alternar entre o modo docado e o port\u00e1til com frequ\u00eancia. Os tempos de carregamento, por outro lado, mereceram elogio: s\u00e3o r\u00e1pidos e discretos, o que torna mortes e retornos ao ponto de descanso bem menos frustrantes do ponto de vista t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De maneira geral, considerando as limita\u00e7\u00f5es naturais de um hardware h\u00edbrido rodando um jogo originalmente pensado para consoles de mesa mais potentes, a otimiza\u00e7\u00e3o entregue aqui \u00e9 competente e respeitosa com quem investe no produto, principalmente sabendo que ajustes adicionais ainda est\u00e3o a caminho logo no lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de todas essas horas mergulhado em Krat, atravessando corredores sombrios, decifrando combina\u00e7\u00f5es de armas, testando bra\u00e7os mec\u00e2nicos diferentes e enfrentando chefes que me fizeram gritar de frustra\u00e7\u00e3o e de alegria em quest\u00e3o de minutos, posso afirmar com convic\u00e7\u00e3o que Lies of P: Complete Edition \u00e9 um dos melhores representantes do g\u00eanero soulslike dispon\u00edveis atualmente, e sua chegada ao Switch 2 \u00e9 motivo genu\u00edno de comemora\u00e7\u00e3o para quem gosta de jogar no conforto do sof\u00e1 ou em qualquer lugar fora de casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pacote entregue aqui \u00e9 generoso: o jogo base j\u00e1 robusto por si s\u00f3, somado \u00e0 extensa e desafiadora expans\u00e3o Overture, al\u00e9m de todo o conte\u00fado cosm\u00e9tico lan\u00e7ado ao longo dos anos, tudo isso reunido numa \u00fanica compra que se justifica tanto para quem nunca colocou as m\u00e3os no t\u00edtulo quanto para quem j\u00e1 terminou a vers\u00e3o original em outras plataformas e quer reviv\u00ea-la de um jeito port\u00e1til. As pequenas imperfei\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, como o pop-in ocasional, a instabilidade do modo qualidade e a necessidade de sair para o menu para trocar configura\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas, existem, mas nunca chegam perto de comprometer o que h\u00e1 de mais valioso na experi\u00eancia: um combate extremamente bem calibrado, um sistema de personaliza\u00e7\u00e3o de armas genuinamente criativo, uma trilha sonora emocionante e uma hist\u00f3ria que consegue equilibrar mist\u00e9rio com clareza narrativa de um jeito raro dentro do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recomendo a edi\u00e7\u00e3o completa de Lies of P tanto para veteranos endurecidos de soulslikes em busca de um novo desafio quanto para iniciantes curiosos que sempre tiveram medo de encarar esse tipo de proposta. As op\u00e7\u00f5es de dificuldade tornam a entrada mais suave para os rec\u00e9m-chegados, enquanto a profundidade dos sistemas de combate e progress\u00e3o garante satisfa\u00e7\u00e3o de sobra para quem j\u00e1 \u00e9 adepto do g\u00eanero h\u00e1 anos. \u00c9 um jogo que respeita sua pr\u00f3pria identidade sem nunca deixar de dialogar com cl\u00e1ssicos que vieram antes dele, e que agora, no Switch 2, ganha uma vers\u00e3o s\u00f3lida, completa e extremamente conveniente para ser carregada para qualquer lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-green-cyan-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Pontos positivos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Sistema de combate profundo, recompensando tanto a defesa cuidadosa quanto a ofensiva calculada<\/li>\n\n\n\n<li>Personaliza\u00e7\u00e3o de armas atrav\u00e9s da combina\u00e7\u00e3o de l\u00e2minas e cabos, permitindo builds extremamente variadas<\/li>\n\n\n\n<li>Legion Arms que adicionam camadas t\u00e1ticas interessantes ao combate<\/li>\n\n\n\n<li>Chefes memor\u00e1veis, com designs marcantes e desafios bem constru\u00eddos<\/li>\n\n\n\n<li>Trilha sonora emocionante, com destaque para as composi\u00e7\u00f5es orquestrais dos chefes e o tema de Hotel Krat<\/li>\n\n\n\n<li>Sistema de moralidade que impacta rela\u00e7\u00f5es com NPCs e desfechos de forma significativa<\/li>\n\n\n\n<li>Pacote completo incluindo a extensa expans\u00e3o Overture e conte\u00fados cosm\u00e9ticos<\/li>\n\n\n\n<li>Boa performance geral no modo docado, principalmente nos modos performance e balanceado<\/li>\n\n\n\n<li>Op\u00e7\u00f5es de dificuldade que ampliam o acesso ao jogo sem remover conte\u00fado<\/li>\n\n\n\n<li>Tempos de carregamento r\u00e1pidos e discretos<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Pontos negativos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Design de fases mais linear, com pouca sensa\u00e7\u00e3o de mundo interligado<\/li>\n\n\n\n<li>Modo qualidade inst\u00e1vel, com quedas de quadros percept\u00edveis e desfoque de movimento sem op\u00e7\u00e3o de desativa\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Pop-in de objetos em \u00e1reas mais densas, tanto no jogo base quanto na expans\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Necessidade de sair para o menu inicial para trocar configura\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas<\/li>\n\n\n\n<li>Modo performance port\u00e1til ainda inconsistente antes da atualiza\u00e7\u00e3o do dia do lan\u00e7amento<\/li>\n\n\n\n<li>Excesso de sistemas paralelos de progress\u00e3o, que pode confundir novos jogadores no in\u00edcio<\/li>\n\n\n\n<li>Algumas sidequests dependem de backtracking repetitivo e pouco recompensador<\/li>\n\n\n\n<li>Balanceamento das dificuldades adicionais nem sempre perfeito, especialmente dentro da expans\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background wp-block-paragraph\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o:<\/strong><br>Gr\u00e1ficos: 8.5<br>Divers\u00e3o: 9.5<br>Jogabilidade: 9.5<br>Som: 9.5<br>Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o: 8.0<br><strong>NOTA FINAL: 9.0 \/ 10.0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de rodar o jogo inteiro no Switch 2, incluindo boa parte da expans\u00e3o Overture, posso dizer que sa\u00ed 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