{"id":39193,"date":"2026-09-23T10:00:53","date_gmt":"2026-09-23T13:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/?p=39193"},"modified":"2026-09-23T10:11:35","modified_gmt":"2026-09-23T13:11:35","slug":"activision-xbox-e-agora-activision-de-novo-a-volta-por-cima-ou-o-ciclo-sem-fim-da-rare","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/activision-xbox-e-agora-activision-de-novo-a-volta-por-cima-ou-o-ciclo-sem-fim-da-rare\/","title":{"rendered":"Activision, Xbox e agora Activision de novo: a volta por cima (ou o ciclo sem fim) da Rare"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucas empresas na hist\u00f3ria dos videogames tiveram uma trajet\u00f3ria t\u00e3o c\u00edclica quanto a Rare. O est\u00fadio brit\u00e2nico que nasceu fazendo engenharia reversa em cartuchos de NES, que se tornou sin\u00f4nimo de qualidade dentro do universo Nintendo, que migrou para a Microsoft em um dos neg\u00f3cios mais comentados da ind\u00fastria e que, d\u00e9cadas depois, volta a orbitar a Activision, empresa que quase a comprou l\u00e1 atr\u00e1s, parece condenada, ou talvez aben\u00e7oada, a repetir padr\u00f5es. \u00c9 como se a hist\u00f3ria da Rare fosse um c\u00edrculo que sempre retorna ao ponto de partida, s\u00f3 que com roupagens diferentes a cada volta. Entender esse ciclo \u00e9 entender, tamb\u00e9m, como a ind\u00fastria dos games se transformou ao longo de quarenta anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muita gente n\u00e3o sabe, mas a rela\u00e7\u00e3o entre Rare e Activision j\u00e1 existia bem antes de qualquer not\u00edcia recente sobre fus\u00f5es corporativas. No in\u00edcio dos anos 2000, quando a Rare buscava ativamente compradores diante da falta de investimento da Nintendo e do crescimento explosivo dos custos de produ\u00e7\u00e3o de jogos, duas empresas apareceram como pretendentes s\u00e9rias: a pr\u00f3pria Activision e a Microsoft.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo relatos da \u00e9poca, a proposta da Activision teria sido, num primeiro momento, a preferida pelos criadores da Rare. Havia ali um certo alinhamento de valores, ou pelo menos essa era a percep\u00e7\u00e3o inicial. Mas as negocia\u00e7\u00f5es desmoronaram por raz\u00f5es que nunca foram totalmente esclarecidas ao p\u00fablico. O v\u00e1cuo deixado por esse fracasso abriu espa\u00e7o para a Microsoft agir com rapidez, fechando a compra da Rare em 24 de setembro de 2002, adquirindo tanto a parte pertencente aos irm\u00e3os Stamper quanto a fatia de 49% que ainda pertencia \u00e0 Nintendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi o fim de uma possibilidade e o in\u00edcio de outra. Ningu\u00e9m, naquele momento, poderia imaginar que aquele mesmo nome, Activision, voltaria a cruzar o caminho da Rare mais de duas d\u00e9cadas depois, desta vez em circunst\u00e2ncias completamente diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob o guarda-chuva da Microsoft, a Rare enfrentou uma readapta\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. O primeiro jogo lan\u00e7ado nessa nova fase, Grabbed by the Ghoulies, foi recebido com frieza pela cr\u00edtica e vendas modestas, um come\u00e7o bem distante do prest\u00edgio constru\u00eddo durante os anos dourados com a Nintendo. A tentativa seguinte, um remake ampliado de Conker&#8217;s Bad Fur Day chamado Conker Live &amp; Reloaded, tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu repetir o sucesso do jogo original, em parte por conta de cortes e censuras impostos pela nova gest\u00e3o, que desapontaram tanto a equipe quanto os f\u00e3s mais fi\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o lan\u00e7amento do Xbox 360, em 2005, a Rare teve a miss\u00e3o de entregar dois t\u00edtulos de peso logo no in\u00edcio da vida \u00fatil do console: Kameo: Elements of Power e Perfect Dark Zero. Ambos venderam pouco mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias cada e receberam recep\u00e7\u00e3o positiva da cr\u00edtica, mas estavam longe de repetir o impacto cultural de GoldenEye 007 ou Banjo-Kazooie na era anterior.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/09\/Viva-Pinata.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39194\" srcset=\"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/09\/Viva-Pinata.jpg 700w, https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/09\/Viva-Pinata-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2006 veio Viva Pi\u00f1ata, um projeto muito querido pelos pr\u00f3prios irm\u00e3os Stamper, com uma proposta criativa genuinamente original de constru\u00e7\u00e3o e cuidado de jardins habitados por animais. O jogo foi bem recebido pela cr\u00edtica, mas a Microsoft concentrou seus esfor\u00e7os de marketing em Gears of War, deixando Viva Pi\u00f1ata em segundo plano. Esse epis\u00f3dio espec\u00edfico teria sido decisivo para a sa\u00edda dos fundadores da Rare da empresa que eles pr\u00f3prios haviam criado d\u00e9cadas antes, um momento simb\u00f3lico de ruptura definitiva com o passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem os Stampers no comando, a Rare passou por talvez a fase mais desafiadora de sua exist\u00eancia sob a Microsoft: o per\u00edodo dedicado quase exclusivamente ao Kinect. A empresa desenvolveu o sistema de avatares do Xbox Live e, na sequ\u00eancia, lan\u00e7ou a franquia Kinect Sports, cujos dois primeiros t\u00edtulos venderam somados cerca de oito milh\u00f5es de c\u00f3pias, um n\u00famero respeit\u00e1vel, mas distante do peso cultural que a marca Rare carregava historicamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto mais baixo dessa fase veio com Kinect Sports Rivals, lan\u00e7ado em 2013 j\u00e1 para o Xbox One. As vendas ficaram bem abaixo das expectativas da pr\u00f3pria Microsoft, refletindo o decl\u00ednio de popularidade do perif\u00e9rico de movimento. O resultado pr\u00e1tico foi doloroso: demiss\u00f5es em massa dentro do est\u00fadio e o abandono definitivo do foco em Kinect por parte da Microsoft como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse cen\u00e1rio de reconstru\u00e7\u00e3o que a Rare tentou reencontrar sua identidade original. Em 2015, para celebrar seus trinta anos de exist\u00eancia, o est\u00fadio lan\u00e7ou Rare Replay, uma colet\u00e2nea com trinta jogos de sua hist\u00f3ria, uma esp\u00e9cie de carta de amor aos f\u00e3s que acompanharam a trajet\u00f3ria desde os tempos do NES. A aus\u00eancia de cl\u00e1ssicos como Diddy Kong Racing e a s\u00e9rie Donkey Kong, ambos presos a direitos que pertencem \u00e0 Nintendo, servia como lembrete de que nem tudo daquele passado glorioso poderia voltar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"511\" src=\"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/10\/Diddy-Kong-Racing.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31838\" srcset=\"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/10\/Diddy-Kong-Racing.jpg 700w, https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2021\/10\/Diddy-Kong-Racing-300x219.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O verdadeiro ponto de virada, no entanto, veio com Sea of Thieves. Anunciado na E3 de 2016 e lan\u00e7ado em 2018, o jogo de piratas multiplayer representou uma aposta ousada em um g\u00eanero e formato que a Rare nunca havia explorado antes. O lan\u00e7amento inicial foi recebido com ressalvas, especialmente por conta da falta de conte\u00fado, mas o est\u00fadio adotou uma postura pouco comum na ind\u00fastria: continuar atualizando e expandindo o jogo constantemente, ano ap\u00f3s ano, transformando aos poucos as cr\u00edticas em elogios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sea of Thieves se tornou, com o tempo, um dos maiores exemplos de reden\u00e7\u00e3o via suporte cont\u00ednuo p\u00f3s-lan\u00e7amento dentro do cat\u00e1logo Xbox, al\u00e9m de se beneficiar enormemente da chegada do Game Pass, que ampliou seu p\u00fablico de forma expressiva. Pela primeira vez em muitos anos, a Rare voltava a ser mencionada com entusiasmo genu\u00edno pela comunidade de jogadores, n\u00e3o apenas por nostalgia, mas por um trabalho relevante sendo feito no presente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"420\" src=\"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/09\/Sea-of-Thieves.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39190\" srcset=\"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/09\/Sea-of-Thieves.jpg 700w, https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2026\/09\/Sea-of-Thieves-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 justamente nesse momento de relativa estabilidade e reconstru\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria d\u00e1 sua volta mais surpreendente. Depois de mais de duas d\u00e9cadas sob o guarda-chuva do Xbox, a Rare passa a integrar oficialmente o portf\u00f3lio da Activision, fechando um ciclo que come\u00e7ou quando aquela mesma empresa disputou, e perdeu, a corrida pela aquisi\u00e7\u00e3o do est\u00fadio l\u00e1 em 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 algo quase po\u00e9tico nesse reencontro tardio. A Activision que hoje absorve a Rare \u00e9 uma empresa radicalmente diferente daquela que fez a oferta original h\u00e1 mais de vinte anos, tendo passado por sua pr\u00f3pria fus\u00e3o hist\u00f3rica com a Blizzard e, mais recentemente, pela aquisi\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria Microsoft, dona do Xbox. Ou seja, o ciclo n\u00e3o \u00e9 apenas simb\u00f3lico: \u00e9 tamb\u00e9m estrutural, j\u00e1 que a Rare, de certa forma, permanece dentro da mesma \u00f3rbita corporativa maior, apenas sob uma marca diferente dentro do guarda-chuva Xbox Game Studios e Activision.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando para essa trajet\u00f3ria completa, dos por\u00f5es ingleses da Ultimate Play the Game at\u00e9 o cen\u00e1rio corporativo global de fus\u00f5es bilion\u00e1rias entre gigantes da tecnologia, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o enxergar um padr\u00e3o recorrente na hist\u00f3ria da Rare. Momentos de brilhantismo criativo seguidos por per\u00edodos de reinven\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, parcerias que se desfazem e se refazem sob novas formas, e um nome que, de um jeito ou de outro, sempre acaba voltando a cruzar seu pr\u00f3prio passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser\u00e1 que estamos diante de uma verdadeira volta por cima, com a Rare finalmente encontrando estabilidade duradoura sob um novo lar corporativo depois de anos de idas e vindas? Ou ser\u00e1 que estamos apenas testemunhando mais uma volta desse ciclo aparentemente sem fim, que j\u00e1 viu a empresa passar por Nintendo, Microsoft e agora Activision, sempre reconstruindo sua identidade a partir do zero? Talvez a resposta mais honesta seja que ambas as leituras est\u00e3o corretas ao mesmo tempo. A Rare sempre foi, desde seus primeiros dias, uma empresa de reinven\u00e7\u00f5es constantes. E talvez seja exatamente essa capacidade de se transformar, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, dono ap\u00f3s dono, o verdadeiro segredo por tr\u00e1s de sua sobreviv\u00eancia ao longo de quatro d\u00e9cadas na ind\u00fastria mais vol\u00e1til do entretenimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucas empresas na hist\u00f3ria dos videogames tiveram uma trajet\u00f3ria t\u00e3o c\u00edclica quanto a Rare. 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