{"id":39306,"date":"2026-11-04T10:21:51","date_gmt":"2026-11-04T13:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/?p=39306"},"modified":"2026-11-04T10:40:40","modified_gmt":"2026-11-04T13:40:40","slug":"the-legend-of-zelda-ocarina-of-time-analise-review","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revolutionarena.com\/pt-br\/the-legend-of-zelda-ocarina-of-time-analise-review\/","title":{"rendered":"The Legend of Zelda: Ocarina of Time\u00a0\u2013\u00a0An\u00e1lise (Review)"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucos jogos carregam o peso que Ocarina of Time carrega. Ele \u00e9 tratado h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas como uma das maiores obras j\u00e1 criadas no meio, aparece no topo de listas de melhores jogos de todos os tempos e moldou a forma como a ind\u00fastria pensa aventuras em tr\u00eas dimens\u00f5es. Por isso, quando o remake para o Nintendo Switch 2 foi anunciado, confesso que senti duas emo\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo: empolga\u00e7\u00e3o e medo. Empolga\u00e7\u00e3o porque era a chance de rever Hyrule com a tecnologia que a equipe original s\u00f3 podia sonhar. Medo porque mexer em algo que muita gente considera perfeito \u00e9 um risco enorme, e qualquer deslize poderia manchar a reputa\u00e7\u00e3o de um dos jogos mais valiosos da Nintendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras imagens n\u00e3o ajudaram a acalmar minhas d\u00favidas. O estilo visual me causou estranhamento, principalmente os rostos dos personagens, e cheguei ao lan\u00e7amento com o p\u00e9 atr\u00e1s. Foi s\u00f3 pegar o controle, sair da Floresta Kokiri e pisar na Campina de Hyrule pela primeira vez que todas essas preocupa\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a derreter. Joguei por cerca de 30 horas, explorando cada canto, completando a maior parte das tarefas secund\u00e1rias e vendo os cr\u00e9ditos rolarem com aquele sorriso de quem acabou de reencontrar um velho amigo que ficou ainda melhor com o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia do jogo continua a mesma que todo mundo conhece. Link \u00e9 um garoto criado entre os Kokiri que recebe o chamado da Grande \u00c1rvore Deku, descobre seu destino, viaja entre duas \u00e9pocas e precisa ajudar a princesa Zelda a impedir que Ganondorf coloque as m\u00e3os na Triforce. A estrutura se divide em duas metades: a primeira, mais calorosa e curiosa, com Link crian\u00e7a, e a segunda, urgente e sombria, depois do salto no tempo, quando voc\u00ea retorna \u00e0 cidade que conheceu e a encontra em ru\u00ednas. Essa virada continua sendo um dos momentos mais bem constru\u00eddos que j\u00e1 vi em um videogame, e o remake sabe disso, apoiando-se ainda mais no contraste entre os dois per\u00edodos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que me conquistou de verdade foi perceber que esta n\u00e3o \u00e9 uma simples pintura nova sobre um jogo antigo. Quase tudo foi repensado com o conhecimento que a ind\u00fastria acumulou ao longo de d\u00e9cadas. A estrutura, a ordem dos templos, os chefes, os itens e a ess\u00eancia est\u00e3o ali, mas o jogo agora se move, se controla e se apresenta como algo que parece ter nascido hoje. Para quem j\u00e1 jogou o original, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de voltar para a casa da inf\u00e2ncia e descobrir que algu\u00e9m que amava aquele lugar passou anos transformando-o no que voc\u00ea sempre imaginou que ele poderia ser. Para quem nunca encostou nele, \u00e9 uma porta de entrada acolhedora para um cl\u00e1ssico que muitas vezes assusta pela idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 um remake que pretende reinventar a hist\u00f3ria, como outros fizeram com franquias igualmente gigantes. Ele \u00e9 mais contido, mais respeitoso, e isso \u00e9 uma decis\u00e3o consciente que, na minha experi\u00eancia, deu muito certo. As mudan\u00e7as s\u00e3o centenas, quase sempre pequenas, e juntas fazem uma enorme diferen\u00e7a na forma como o jogo flui. Ao final das minhas horas com ele, a pergunta que mais me rondava era se \u00e9 poss\u00edvel melhorar uma obra que parecia perfeita. A resposta que encontrei, para minha pr\u00f3pria surpresa, foi sim. Nintendo \u00e9 Nintendo, n\u00e9 gente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mec\u00e2nicas e Jogabilidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7o pelo que mais mudou na pr\u00e1tica: o jeito de controlar Link. O sistema de mira em alvos, que foi revolucion\u00e1rio em 1998, continua presente e est\u00e1 mais refinado do que nunca. Circular um inimigo, alinhar um tiro com o arco ou correr por uma sala agora tem uma naturalidade que o original, mesmo sendo genial para sua \u00e9poca, nunca teve por limita\u00e7\u00f5es de hardware e de controle. \u00c9 o mesmo jogo na sua m\u00e3o, mas finalmente se move do jeito que sua mem\u00f3ria achava que ele se movia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas grandes novidades de movimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o o bot\u00e3o de salto e a c\u00e2mera livre, e ambas parecem simples demais para merecerem destaque em 2026, mas mudam tudo. Nos primeiros minutos, a mem\u00f3ria muscular me traiu v\u00e1rias vezes. Eu caminhava at\u00e9 a beira de um precip\u00edcio esperando que Link pulasse sozinho, como no original, e ca\u00eda na \u00e1gua ou no vazio. Depois de poucos minutos o c\u00e9rebro se adapta, e a partir da\u00ed a explora\u00e7\u00e3o fica muito mais satisfat\u00f3ria. Pular quando eu quero, sem precisar correr contra uma borda para disparar a anima\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais r\u00e1pido e d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de autonomia que eu n\u00e3o esperava. Tamb\u00e9m existe um efeito colateral interessante: a equipe aproveitou esse novo movimento para criar se\u00e7\u00f5es com mais plataformas, o que d\u00e1 ao bot\u00e3o um prop\u00f3sito real al\u00e9m da conveni\u00eancia. Um detalhe que talvez desagrade alguns \u00e9 que o salto n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tico, ent\u00e3o precisa de aten\u00e7\u00e3o em trechos mais trai\u00e7oeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A c\u00e2mera livre, por sua vez, \u00e9 um daqueles recursos que nos fazem perguntar como viv\u00edamos sem. Poder girar a vis\u00e3o para qualquer dire\u00e7\u00e3o ajuda a encontrar colecion\u00e1veis, facilita a explora\u00e7\u00e3o e deixa os puzzles dos templos muito menos frustrantes. Nadar e mergulhar, em especial, ficam muito mais confort\u00e1veis. E como o mundo est\u00e1 lindo, \u00e9 um prazer parar e olhar ao redor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema de itens passou por uma renova\u00e7\u00e3o importante. Em vez de abrir o menu de pausa a cada cinco segundos, agora seguro o bot\u00e3o R para abrir um carrossel horizontal de equipamentos, onde passo da Vara Deku para a Bombchu, ou para o Martelo Megaton, em um instante. Como o invent\u00e1rio foi simplificado para um item equipado por vez, no lugar dos antigos bot\u00f5es C, o carrossel d\u00e1 conta do recado sem atrapalhar o ritmo do combate. Itens essenciais como a Ocarina, as m\u00e1scaras, a Lente da Verdade e as Botas de Ferro ficam mapeados no direcional, e esse detalhe transforma o Templo da \u00c1gua. Quem jogou o original lembra do sofrimento de pausar, esperar o menu e equipar as botas de novo e de novo. Aqui basta apertar para baixo no direcional. A Lente da Verdade ganhou inclusive um novo design de \u00f3culos, que faz muito mais sentido do que uma lupa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O combate segue com a mesma base simples e leg\u00edvel: travar o alvo, esquivar, bloquear e golpear. Fico feliz que a equipe tenha resistido \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de soterrar tudo sob uma pilha de mec\u00e2nicas novas. O que mudou foi o peso. Cada golpe tem anima\u00e7\u00f5es mais pesadas, com flashes vermelhos e um impacto sonoro que d\u00e1 vontade de continuar atacando s\u00f3 para sentir de novo. Os inimigos sinalizam melhor seus ataques, e em alguns casos atacam em grupo, o que deixa as lutas mais tensas. Os chefes t\u00eam mais vida, o que obriga a respeitar suas mec\u00e2nicas em vez de atropel\u00e1-los, e v\u00e1rios ganharam novos golpes. Morpha, por exemplo, lan\u00e7a v\u00e1rios tent\u00e1culos para o alto e \u00e9 preciso descobrir rapidamente qual deles guarda o n\u00facleo para arranc\u00e1-lo, uma \u00f3tima forma de manter veteranos atentos sem destruir o que tornava a luta memor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, preciso ser sincero sobre um efeito colateral. A fluidez e a liberdade de movimento tornam o jogo, no geral, mais f\u00e1cil. Se voc\u00ea j\u00e1 passou pelo original dezenas de vezes, vai se pegar no piloto autom\u00e1tico em v\u00e1rios combates. Duelos de espada como o contra Dark Link perderam um pouco da tens\u00e3o diante da mobilidade moderna de Link, e as sequ\u00eancias de infiltra\u00e7\u00e3o, como entrar no Castelo de Hyrule ou resgatar os carpinteiros Gerudo, j\u00e1 n\u00e3o provocam o mesmo suor nas m\u00e3os, pois o salto livre e a c\u00e2mera solta diminuem o risco. Em contrapartida, os puzzles continuam inteligentes, os templos mant\u00eam o desenho de chave e fechadura que sempre funcionou e a progress\u00e3o de itens segue irretoc\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falando em templos, o trabalho de reformula\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos grandes destaques. O Templo da \u00c1gua, famoso por ser odiado mais pelo t\u00e9dio do que pela dificuldade, ganhou ajustes de fluxo, um senso de progresso mais claro e a ajuda das melhorias de controle. Cheguei a pensar que ele \u00e9 hoje um dos melhores templos do jogo, algo que eu jamais imaginaria dizer. Em outros pontos, a equipe alterou salas, removeu algumas chaves necess\u00e1rias, mudou o local de colecion\u00e1veis como Skulltulas Douradas e Pe\u00e7as de Cora\u00e7\u00e3o e adicionou pequenas recompensas para quem explora com calma. Nem todo ajuste em puzzles me convenceu, pois alguns t\u00eam impacto t\u00e3o pequeno que fiquei sem entender o motivo da mudan\u00e7a, mas no conjunto a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de refinamento e n\u00e3o de descaracteriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conveni\u00eancias espalhadas pelo jogo merecem men\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um registro de miss\u00f5es chamado Fios do Tempo, que documenta o progresso e ajuda a retomar o caminho quando voc\u00ea se perde. O mapa mostra a contagem de Pe\u00e7as de Cora\u00e7\u00e3o e Skulltulas, e uma nova joia de eco, recompensa da miss\u00e3o da Casa das Skulltulas que substitui a Pedra da Agonia, vibra e brilha quando h\u00e1 uma Skulltula por perto. Ao carregar o jogo, voc\u00ea volta exatamente ao lugar onde salvou, e n\u00e3o mais \u00e0 sua casa ou ao Templo do Tempo. Navi tamb\u00e9m mudou e agora s\u00f3 ajuda quando eu pe\u00e7o, apertando a direita no direcional. Acabaram as interrup\u00e7\u00f5es com os famosos avisos e as explica\u00e7\u00f5es que paravam a a\u00e7\u00e3o. Ela virou uma companheira simp\u00e1tica, e sinceramente passei a sentir falta dela quando estava calada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Ocarina merece um par\u00e1grafo \u00e0 parte. Posso tocar as melodias pelos bot\u00f5es, ou segurar um gatilho para abrir uma lista das can\u00e7\u00f5es aprendidas, mas tamb\u00e9m posso cantarolar a m\u00fasica no microfone do console. O sistema se baseia no ritmo e na cad\u00eancia das notas, n\u00e3o exige afina\u00e7\u00e3o perfeita, e acertou na grande maioria das vezes, inclusive com a m\u00fasica secreta do Espantalho. J\u00e1 me peguei esquecendo a sequ\u00eancia de bot\u00f5es e simplesmente cantarolando para resolver o problema. Houve ocasi\u00f5es em que o reconhecimento falhou, e h\u00e1 o detalhe de que cantar em p\u00fablico pode chamar aten\u00e7\u00e3o, mas transformar a Ocarina em algo que se executa e n\u00e3o apenas se opera \u00e9 uma ideia que parece \u00f3bvia depois que algu\u00e9m faz. Cheguei a testar com um viol\u00e3o e tamb\u00e9m funcionou, mas continuo preferindo cantarolar ou usar os bot\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem quer mais desafio, h\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de reduzir ou remover o HUD, chamada de Modo Mestre, mas ela n\u00e3o substitui o Master Quest, que infelizmente n\u00e3o est\u00e1 presente. Tamb\u00e9m sinto falta de mais de um arquivo de salvamento manual. O jogo permite um salvamento manual e v\u00e1rios autom\u00e1ticos, e d\u00e1 para criar perfis diferentes no sistema, mas seria mais pr\u00e1tico ter a op\u00e7\u00e3o dentro do pr\u00f3prio jogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gr\u00e1ficos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Visualmente, este \u00e9 o aspecto que mais gera discuss\u00e3o antes do lan\u00e7amento e, para mim, o que mais impressiona depois que o jogo est\u00e1 nas m\u00e3os. A Nintendo n\u00e3o fez o mesmo que na vers\u00e3o port\u00e1til anterior, que preservava o visual original. Aqui houve uma reconstru\u00e7\u00e3o completa, com novo motor gr\u00e1fico, ilumina\u00e7\u00e3o, modelos, texturas, efeitos e anima\u00e7\u00f5es. O resultado \u00e9 um Hyrule que parece sa\u00eddo de um filme de anima\u00e7\u00e3o, com uma dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica que mistura realismo m\u00e1gico, fantasia de conto de fadas e uma est\u00e9tica inspirada no teatro de bonecos japon\u00eas, com fei\u00e7\u00f5es pontudas e acabamentos que por vezes fazem os personagens parecerem esculpidos em madeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Admito que o amor n\u00e3o foi \u00e0 primeira vista. Os rostos me incomodaram nos primeiros trailers e, quando comecei a jogar, ainda estranhei por mais ou menos uns dez minutos. Depois disso, eles simplesmente passam a fazer parte do mundo, at\u00e9 porque voc\u00ea passa a maior parte do tempo olhando para a nuca de Link enquanto ele corre pelos campos. Quem esperava ver as demonstra\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas antigas da franquia finalmente realizadas encontrar\u00e1 exatamente isso, e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Campina de Hyrule, que sempre foi o grande ponto de encontro do jogo, mas que aos olhos modernos parecia pequena e vazia, agora \u00e9 um espet\u00e1culo. Quando voc\u00ea sai pela primeira vez, a m\u00fasica cresce e voc\u00ea enxerga o vulc\u00e3o ao longe, a Vila Kakariko e o Castelo de Hyrule. O mundo ganhou vida, e a equipe at\u00e9 reposicionou elementos para faz\u00ea-lo parecer um lugar real, como o Rancho Lon Lon, que deixou de ser uma estrutura cercada por montanhas e virou um local acess\u00edvel, logo fora dos limites da Cidade do Castelo. Cavalgar com Epona enquanto o sol se p\u00f5e \u00e9 um dos momentos mais bonitos que vivi com um jogo este ano. E ao terminar o Templo do Fogo, sair do vulc\u00e3o e contemplar Hyrule do alto me deixou sem palavras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os templos s\u00e3o o ponto alto da reconstru\u00e7\u00e3o. O interior da \u00c1rvore Deku parece um organismo vivo, com paredes de casca realistas e teias por todo lado. O Templo da Floresta virou uma verdadeira casa assombrada, com vitrais lind\u00edssimos e uma sensa\u00e7\u00e3o de pavor escorrendo por cada sala. O Templo da \u00c1gua ganhou reflexos cintilantes que o transformam. O Templo das Sombras ficou perturbador, e o Dom\u00ednio Zora \u00e9 outro exemplo marcante, com colunas decoradas por azulejos em forma de escamas, musgo perto do teto e at\u00e9 a loja parcialmente alagada, detalhes que fazem voc\u00ea acreditar que um povo de seres aqu\u00e1ticos realmente mora ali. A Cidade do Castelo est\u00e1 cheia de habitantes com suas rotinas, e a Floresta Kokiri est\u00e1 densa de vegeta\u00e7\u00e3o. Cacos de potes quebrados permanecem no ch\u00e3o e se mexem sob os p\u00e9s de Link, e as t\u00fanicas ganharam detalhes e pequenos adornos que ajudam cada uma a se destacar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os inimigos e chefes tamb\u00e9m receberam um tratamento caprichado. Os Poes fantasmag\u00f3ricos, os esqueletos Stalfos e as terr\u00edveis M\u00e3os Mortas ficaram muito mais amea\u00e7adores, e v\u00e1rios chefes transmitem uma amea\u00e7a que raramente vi na s\u00e9rie. Os ReDeads, com seu grito atualizado, voltaram a me dar aquele calafrio de inf\u00e2ncia. Nem tudo \u00e9 perfeito, por\u00e9m. A modelagem simples do original ajudava a deixar certas criaturas mais estranhas, e algumas \u00e1reas, como o interior da Barriga de Jabu-Jabu, perderam parte do aspecto repulsivo. O Link crian\u00e7a, na minha opini\u00e3o, ficou um pouco estranho em alguns \u00e2ngulos, e certos modelos de personagens podem dividir opini\u00f5es. Algumas texturas parecem simplificadas e h\u00e1 um pouco de serrilhado, mas nada que comprometa o resultado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Som<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A parte sonora \u00e9, para mim, um dos pontos mais fortes do pacote. A trilha foi regravada em vers\u00f5es orquestradas que preservam as composi\u00e7\u00f5es originais de Koji Kondo e as deixam com uma riqueza que o hardware antigo nunca permitiria. Ouvir a m\u00fasica da Floresta Kokiri, o tema do Vale Gerudo ou a batalha final com essa qualidade \u00e9 de arrepiar. As faixas se misturam de forma cont\u00ednua enquanto exploro, luto, abro ba\u00fas ou resolvo um enigma, com transi\u00e7\u00f5es suaves que ajudam na imers\u00e3o. H\u00e1 uma ou outra faixa atmosf\u00e9rica que perdeu um pouco do clima enigm\u00e1tico das grava\u00e7\u00f5es antigas, mas \u00e9 um detalhe pequeno diante do conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande novidade \u00e9 a dublagem. Cenas importantes agora t\u00eam atua\u00e7\u00e3o de voz, e v\u00e1rias l\u00ednguas est\u00e3o dispon\u00edveis, incluindo uma localiza\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas do Brasil que me deixou animado. Termos como fadinho, desfadado e Dekomerciante mostram um cuidado enorme com a forma como o p\u00fablico brasileiro fala sobre a s\u00e9rie, e a atua\u00e7\u00e3o \u00e9 muito boa. Link continua sendo um protagonista silencioso, com seus gritos ocasionais, enquanto os demais personagens ganharam vozes que d\u00e3o mais textura a figuras t\u00e3o diferentes. Ganondorf ganhou falas extras ao pegarmos a Espada Mestra, o que refor\u00e7a sua mal\u00edcia e seu desprezo por quem considera inferior. Darunia tamb\u00e9m se destaca. O estilo da vers\u00e3o em ingl\u00eas, com um tom um pouco a\u00e7ucarado, pode n\u00e3o agradar a todos, mas faz parte do gosto de cada um.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os efeitos sonoros acompanham o novo peso do combate. Cada golpe tem um estrondo satisfat\u00f3rio, o cen\u00e1rio tem sons ambientes mais vivos e os gritos dos inimigos ganharam mais personalidade. Navi, mais contida, tem um tom alegre e simp\u00e1tico. E o sistema de cantarolar a Ocarina completa a experi\u00eancia de \u00e1udio, fazendo com que o som n\u00e3o seja apenas algo que voc\u00ea ouve, mas algo que voc\u00ea produz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Divers\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que mais importa em qualquer jogo \u00e9 se ele me faz querer continuar, e aqui a resposta \u00e9 um sim enorme. Eu cheguei a achar que ignoraria as Skulltulas Douradas, que nunca estiveram entre meus itens favoritos, e acabei coletando dezenas delas. Algo no remake me fez querer olhar cada canto, e essa \u00e9 a verdadeira magia. A sensa\u00e7\u00e3o de aventura que eu tinha quando crian\u00e7a, quando cada caminho poderia levar a algum lugar novo, est\u00e1 de volta com for\u00e7a total. Pe\u00e7as de Cora\u00e7\u00e3o, grutas secretas, minijogos e miss\u00f5es opcionais est\u00e3o espalhados de um jeito que recompensa a curiosidade, e topar com uma tarefa que termina em uma melhoria de bolsa ou em um cora\u00e7\u00e3o novo alimenta a certeza de que Hyrule \u00e9 um lugar para ser explorado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura em duas metades continua sendo uma das ideias mais brilhantes do design de jogos. Rever a Cidade do Castelo que voc\u00ea conheceu na inf\u00e2ncia transformada em uma vers\u00e3o arruinada e assustadora continua sendo um soco no est\u00f4mago, e o remake explora esse contraste com mais intensidade. Na Cidade do Castelo, o tempo agora tamb\u00e9m corre, o que refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de um mundo vivo, e o ciclo de dia e noite tem uma dura\u00e7\u00e3o mais confort\u00e1vel, dando tempo para passear sem pressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novidades extras s\u00e3o simp\u00e1ticas. O Sal\u00e3o dos Inimigos Ca\u00eddos, acessado ao dormir em camas ap\u00f3s certo momento da campanha, funciona como um museu em que posso admirar est\u00e1tuas dos inimigos derrotados, ler sobre suas fraquezas, rever chefes e at\u00e9 enfrentar v\u00e1rios deles em sequ\u00eancia. As recompensas s\u00e3o modestas, mas a vontade de otimizar o tempo e melhorar meu desempenho j\u00e1 faz valer a visita. As Sementes de Comerciante Deku permitem chamar uma loja de qualquer lugar para reabastecer flechas, potes de magia ou cora\u00e7\u00f5es, o que ajuda quem joga pela primeira vez. Os Pensamentos de Fada, gravuras m\u00e1gicas espalhadas pelo mundo, prop\u00f5em pequenos enigmas, como tocar uma can\u00e7\u00e3o certa, e recompensam com vida e magia recuperadas. Gostei da ideia, mas gostaria que fossem mais numerosos e criativos. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel usar amiibos para receber itens b\u00f4nus que n\u00e3o s\u00e3o essenciais, e o recurso de companheiro no celular ajuda a acompanhar o progresso e compartilhar melodias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A campanha principal me tomou cerca de 30 horas, e fiquei satisfeito com o ritmo. N\u00e3o h\u00e1 tempo morto nos templos, o texto est\u00e1 mais \u00e1gil, as cenas podem ser puladas e a progress\u00e3o de itens \u00e9 equilibrada. Para quem joga pela primeira vez, \u00e9 uma experi\u00eancia acolhedora, que guia sem segurar a m\u00e3o demais. Para veteranos, \u00e9 nostalgia com muitos pequenos detalhes novos para descobrir. A aus\u00eancia de conte\u00fado extra mais robusto e de um modo dif\u00edcil, como o Master Quest, \u00e9 o \u00fanico fator que me deixou querendo mais, principalmente depois que os cr\u00e9ditos terminam e n\u00e3o h\u00e1 um novo ciclo de jogo com novidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em desempenho, o resultado \u00e9 excelente. O jogo roda a 60 quadros por segundo e, durante todo o tempo, n\u00e3o percebi quedas relevantes, travamentos ou engasgos, seja jogando na TV com o console encaixado ou no modo port\u00e1til. Considerando a quantidade de detalhes, com grama balan\u00e7ando, f\u00edsica dos objetos, \u00e1gua e ilumina\u00e7\u00e3o elaborada, \u00e9 um trabalho de otimiza\u00e7\u00e3o impressionante. Em cerca de 30 horas, nunca fui interrompido por um problema t\u00e9cnico, o que contribui muito para a imers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para manter esse n\u00edvel de fluidez, claro, houve concess\u00f5es. No modo port\u00e1til, a resolu\u00e7\u00e3o cai de forma percept\u00edvel, e em alguns momentos at\u00e9 o Link pode parecer um pouco borrado, principalmente em detalhes e sombras. Elementos distantes, como montanhas e \u00e1rvores, parecem excessivamente suaves, e h\u00e1 um leve cintilar quando giro a c\u00e2mera com rapidez. Isso aparece com mais frequ\u00eancia no modo port\u00e1til e n\u00e3o chega a atrapalhar, mas \u00e9 um ponto que quem \u00e9 mais exigente vai notar. Na TV, a imagem \u00e9 mais n\u00edtida e est\u00e1vel. Prefiro que a Nintendo tenha priorizado a fluidez, que \u00e9 o que mais importa em um jogo de a\u00e7\u00e3o e aventura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto t\u00e9cnico a mencionar \u00e9 a limita\u00e7\u00e3o de salvamento j\u00e1 citada, que n\u00e3o \u00e9 bem um problema de desempenho, mas de estrutura. Os salvamentos autom\u00e1ticos s\u00e3o confi\u00e1veis e o carregamento r\u00e1pido, com retorno ao local exato, \u00e9 um al\u00edvio. Os menus s\u00e3o \u00e1geis, o carrossel de itens responde de imediato e o reconhecimento de voz na Ocarina funciona bem na maior parte do tempo, com algumas falhas ocasionais. No conjunto, \u00e9 um pacote tecnicamente s\u00f3lido, que mostra o que o novo console pode entregar quando a equipe tem tempo e cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de jogar tanto, minha opini\u00e3o \u00e9 clara: este \u00e9 o melhor jeito de viver Ocarina of Time. Ele respeita a obra original, melhora quase todos os aspectos da experi\u00eancia e lembra por que essa s\u00e9rie importa h\u00e1 tanto tempo. A equipe entendeu perfeitamente o material com o qual estava trabalhando e mudou apenas o que precisava mudar, com uma conten\u00e7\u00e3o que, a meu ver, foi a decis\u00e3o mais acertada. O visual \u00e9 deslumbrante, os controles est\u00e3o modernos, a trilha \u00e9 de arrepiar, a dublagem acrescenta profundidade e o mundo ganhou uma vida que o original s\u00f3 conseguia sugerir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m preciso ser honesto sobre o que me incomodou. O jogo ficou mais f\u00e1cil, e quem j\u00e1 dominou o original vai sentir falta de um desafio maior. A falta do Master Quest \u00e9 uma aus\u00eancia dif\u00edcil de aceitar, o conte\u00fado realmente novo \u00e9 modesto, s\u00f3 h\u00e1 um salvamento manual e a vers\u00e3o port\u00e1til sofre com queda de resolu\u00e7\u00e3o e algumas imperfei\u00e7\u00f5es visuais. Alguns ajustes em puzzles e certos modelos de personagem tamb\u00e9m podem dividir opini\u00f5es, e h\u00e1 quem prefira manter o original como refer\u00eancia hist\u00f3rica, o que \u00e9 totalmente compreens\u00edvel. Nenhum remake substitui o impacto de ter vivido o jogo na \u00e9poca em que ele surgiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, esses pontos s\u00e3o pequenos diante do que o jogo entrega. Para quem nunca jogou, \u00e9 a melhor porta de entrada que a s\u00e9rie poderia ter. Para quem jogou, \u00e9 a oportunidade de voltar para casa e sentir de novo aquele frio na barriga de sair para a Campina de Hyrule pela primeira vez. A Nintendo mostrou que um remake pode ser reverente e ousado ao mesmo tempo, sem trair a ess\u00eancia do que o tornou especial. Recomendo TLoZ:OoT2026 sem nenhum tipo de d\u00favidas, e considero uma compra obrigat\u00f3ria para quem tem um Switch 2, e tamb\u00e9m para quem n\u00e3o tem o Switch 2; ou seja, se voc\u00ea n\u00e3o tem o console, compre o jogo e compre o console.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-electric-grass-gradient-background has-background wp-block-paragraph\"><strong>Pontos positivos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Reconstru\u00e7\u00e3o visual completa, com dire\u00e7\u00e3o de arte marcante e Hyrule muito mais viva<\/li>\n\n\n\n<li>Templos reformulados, com ambienta\u00e7\u00e3o imponente e Templo da \u00c1gua muito melhor<\/li>\n\n\n\n<li>C\u00e2mera livre e bot\u00e3o de salto que modernizam a explora\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Carrossel de itens e atalhos no direcional que eliminam as pausas constantes<\/li>\n\n\n\n<li>Trilha sonora orquestrada magn\u00edfica, fiel \u00e0s composi\u00e7\u00f5es originais<\/li>\n\n\n\n<li>Cenas dubladas em v\u00e1rios idiomas, incluindo portugu\u00eas do Brasil, com \u00f3tima localiza\u00e7\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li>Navi menos intrusiva e mais simp\u00e1tica<\/li>\n\n\n\n<li>Ocarina que pode ser tocada cantarolando no microfone<\/li>\n\n\n\n<li>60 quadros por segundo est\u00e1veis em modo TV e port\u00e1til<\/li>\n\n\n\n<li>Combate com mais peso e chefes mais resistentes, com novos golpes<\/li>\n\n\n\n<li>Fios do Tempo, contagem de colecion\u00e1veis no mapa e retorno ao local exato do salvamento<\/li>\n\n\n\n<li>Sal\u00e3o dos Inimigos Ca\u00eddos, Sementes de Comerciante Deku e Pensamentos de Fada como extras simp\u00e1ticos<\/li>\n\n\n\n<li>Excelente porta de entrada para novatos e nostalgia garantida para veteranos<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-blush-bordeaux-gradient-background has-background wp-block-paragraph\"><strong>Pontos negativos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Dificuldade baixa, principalmente nos combates<\/li>\n\n\n\n<li>Aus\u00eancia do Master Quest e de um modo dif\u00edcil de verdade<\/li>\n\n\n\n<li>Pouco conte\u00fado realmente novo e sem muitos extras ap\u00f3s o final<\/li>\n\n\n\n<li>Apenas um arquivo de salvamento manual<\/li>\n\n\n\n<li>Resolu\u00e7\u00e3o reduzida e leve cintilar em elementos distantes no modo port\u00e1til<\/li>\n\n\n\n<li>Alguns duelos e sequ\u00eancias de infiltra\u00e7\u00e3o perderam tens\u00e3o com a nova liberdade de movimento<\/li>\n\n\n\n<li>Algumas criaturas e locais perderam parte do aspecto sombrio e repulsivo do original<\/li>\n\n\n\n<li>Reconhecimento de voz na Ocarina nem sempre acerta<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background wp-block-paragraph\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o:<\/strong><br>Gr\u00e1ficos: 10.0<br>Divers\u00e3o: 10.0<br>Jogabilidade: 10.0<br>Som: 10.0<br>Performance e Otimiza\u00e7\u00e3o: 9.5<br><strong>NOTA FINAL: 9.9 \/ 10.0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos jogos carregam o peso que Ocarina of Time carrega. 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