Marsupilami: Hoobadventure – Análise (Review)
4 de junho de 2026Confesso que quando ouvi falar pela primeira vez em Marsupilami: Hoobadventure, minha reação foi de pura dúvida. O nome é longo, complicado, e o personagem principal é um bicho fictício de história em quadrinhos franco-belga que muita gente da geração atual nem conhece. Mas, acredite em mim, esse foi um daqueles momentos em que o universo conspirou para me provar o quanto eu estava errado em subestimar algo. Assim que liguei o jogo e comecei a jogar, percebi que estava diante de algo especial, daqueles títulos que aparecem do nada e te dão uma baita rasteira de qualidade.
O Marsupilami é um personagem que existe desde 1952, criado por André Franquin para as páginas da revista Spirou, uma publicação famosa na França e na Bélgica. O bicho caiu nas graças do público brasileiro principalmente por causa de uma série animada que passou na televisão aberta no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Então, sim, há um peso nostálgico aqui para quem cresceu nessa época, mas o jogo vai muito além disso. Ele consegue conquistar até quem nunca ouviu falar do personagem na vida, e isso é um feito e tanto.
A história do jogo apresenta três Marsupilamis chamados Punch, Twister e Hope, que vivem tranquilamente na ilha de Palombia até que, durante uma brincadeira na praia, eles abrem um sarcófago e liberam sem querer um espírito antigo e mal-humorado. Esse fantasma começa a lançar uma maldição sobre todos os animais da ilha, controlando suas mentes. A sorte é que os Marsupilamis são imunes a esse poder, então cabe ao trio sair em aventura para salvar todo mundo e mandar o espírito de volta para onde ele veio. A narrativa é simples, muito simples até, e praticamente não existe desenvolvimento de história ao longo do jogo. As cenas entre as fases são poucas e não têm legendas ou vozes, o que torna difícil entender o que está acontecendo sem buscar informações fora do jogo. É uma pena, porque o universo do personagem tem muito potencial para contar uma história mais elaborada. Mas, como acontece nos grandes clássicos do gênero de plataforma, a narrativa serve apenas como pretexto para o que realmente importa: correr, pular e explorar.
Desenvolvido pelo estúdio Ocellus Studio e publicado pela Microids, Marsupilami: Hoobadventure é um plataforma 2D com modelos em 3D, aquele estilo que a galera chama de 2.5D, e foi lançado em novembro de 2021 para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC e Mac. Comprei esse jogo em uma grande promoção na e-shop do Switch e desde o primeiro momento em que coloquei as mãos nele, fui tomado por uma sensação gostosa de estar jogando algo cuidadosamente produzido, com atenção a cada detalhe. Se você também curte jogos de plataforma, precisa muito conhecer essa aventura marsupial.
Mecânicas e Jogabilidade
A jogabilidade de Marsupilami é o coração pulsante do jogo e, felizmente, é onde ele brilha com mais intensidade. Desde os primeiros minutos, fica claro que os controles foram pensados com muito carinho e precisão. Os Marsupilamis se movem de forma rápida, fluida e responsiva, e a sensação de controle é excelente do começo ao fim da aventura.
O esquema de comandos é bastante acessível. Com poucos botões, é possível realizar uma variedade surpreendente de movimentos. Os personagens correm, pulam, escalam paredes e usam a cauda de formas muito criativas. Essa cauda gigantesca é a grande estrela mecânica do jogo. Com ela, é possível atacar inimigos como se fosse um soco, se pendurar em argolas fixas ou giratórias espalhadas pelos cenários, se impulsionar para cima ganhando altura extra, fazer um ataque em mergulho para quebrar caixas e baús no chão, e até se transformar em uma espécie de roda giratória para ganhar velocidade em uma corrida frenética pelos cenários. Essa última habilidade é especialmente divertida, porque dá para manter a rolagem indefinidamente pressionando o botão repetidamente, e ela também pode ser combinada com um salto no ar para ganhar distância horizontal. Aprender a encadear todos esses movimentos com naturalidade é muito satisfatório, e o jogo te ensina tudo isso de forma gradual e intuitiva ao longo das fases.
As influências são claras e o jogo não tenta escondê-las. Qualquer fã de Donkey Kong Country vai reconhecer na hora as tucanas que funcionam exatamente como os barris do clássico da Rare, te cuspindo na direção em que estão olhando quando você aperta o botão. Os pássaros que te lançam pelo cenário são um dos momentos mais animados do jogo, especialmente quando você encadeia vários seguidos em alta velocidade. Também tem DNA de Crash Bandicoot, com os cronômetros que se ativam após concluir cada fase e te convidam a repetir o nível no menor tempo possível. E a estrutura de mundos com fases secretas, colecionáveis escondidos e bônus ocultos lembra muito a fórmula consagrada dos grandes plataformas 2D de todos os tempos.
O jogo conta com três mundos: uma cidade costeira, uma selva e um templo antigo. Cada mundo tem dez fases nos dois primeiros e oito no terceiro, totalizando 28 fases principais. Ao final de cada mundo, há um encontro com o espírito vilão, onde você precisa persegui-lo por um cenário cheio de armadilhas e inimigos até encurralá-lo e atacá-lo repetidamente para arrancar uma pedra de sua coroa. Esses confrontos são divertidos e exigem reflexos rápidos, especialmente no último deles, que eleva consideravelmente o nível de desafio.
O design das fases é um dos pontos mais impressionantes do jogo. Cada nível apresenta uma mecânica nova que começa simples e vai ficando mais complexa à medida que a fase avança. Criaturas estilo Thwomp, por exemplo, caem para te acertar, mas têm topos planos que você pode usar como plataformas temporárias para alcançar áreas mais altas. Esse tipo de design inteligente, onde um obstáculo também é uma solução, se repete em vários momentos e faz o jogo parecer constantemente fresco. Também tem fases onde você navega no escuro, outras onde precisa desviar de rochas de lava em movimento, e momentos onde o cenário inteiro te impulsiona em uma espécie de máquina de Rube Goldberg que você passa quicando e sorrindo de satisfação.
Cada fase esconde cinco penas coloridas que servem para desbloquear fases alternativas, além de portais para salas de bônus chamadas de Dojos, onde você precisa passar por uma série de argolas dentro de um limite de tempo. Encontrar tudo isso exige atenção e exploração, e alguns esconderijos são realmente bem pensados. Há também baús com frutas espalhados em áreas secretas, e ao coletar 100 frutas você ganha uma vida extra. Na prática, acaba sendo muito fácil acumular vidas, chegando ao máximo de 99 antes mesmo de terminar o jogo, o que torna o sistema de vidas meio sem propósito ao longo da aventura.
Os três personagens jogáveis, Punch, Twister e Hope, são esteticamente diferentes entre si mas se comportam de forma idêntica durante o gameplay. Não há atributos ou habilidades distintas entre eles, o que torna a escolha do personagem uma decisão puramente visual. É uma oportunidade perdida, porque seria muito bacana ter que alternar entre eles para resolver desafios específicos usando as habilidades de cada um. Mas, no que se propõe, o gameplay é redondinho e muito divertido.
Gráficos
Visualmente, Marsupilami: Hoobadventure é simplesmente lindo. Desde o momento em que a tela de título aparece, o jogo te envolve com uma estética colorida, vibrante e cheia de charme que lembra muito um episódio de um desenho animado de alta qualidade. Os cenários são ricos em detalhes, com primeiros planos e fundos bem elaborados que criam uma sensação real de profundidade, algo que é bastante raro em jogos de plataforma 2D e faz muita diferença na experiência visual.
Os personagens são animados com uma fluidez que impressiona. Cada movimento do Marsupilami, seja correr, pular, rolar ou usar a cauda, é animado com cuidado e expressividade. Os inimigos também têm designs carismáticos e animações que os tornam cheios de personalidade, como se cada um pudesse ser o protagonista de seu próprio joguinho. Até os bichos hipnotizados pelo espírito vilão têm um visual engraçado e simpático que combina perfeitamente com o tom descontraído do jogo.
Os três mundos do jogo têm identidades visuais bem distintas entre si. A cidade costeira tem aquela vibe tropical animada, com cores quentes e paisagens ensolaradas. A selva é exuberante, cheia de verde e detalhes orgânicos. E o templo antigo traz uma paleta mais escura e misteriosa, com elementos de ruínas e armadilhas que mudam bastante o clima. Cada fase dentro desses mundos também apresenta variações visuais suficientes para que nenhuma pareça idêntica à outra.
Os Dojos e algumas áreas bônus têm um visual diferenciado e estiloso, com um efeito de alto contraste que mostra apenas as silhuetas dos elementos do cenário e do personagem, lembrando aquele visual marcante de Donkey Kong Country Returns. É um detalhe que demonstra atenção estética e vontade de variar a apresentação visual do jogo.
O jogo roda em 60 quadros por segundo e com resolução elevada, o que contribui muito para aquela sensação de animação em movimento. A fluidez visual é constante e torna a experiência agradável aos olhos em praticamente todo o tempo. O único ponto de reclamação visual que tenho é a quase total ausência de cinemáticas. Com uma estética tão bonita e um motor gráfico tão capaz, teria sido incrível ver a história sendo contada com cenas animadas mais elaboradas. As poucas cenas que existem não têm vozes nem legendas, o que reduz muito o impacto narrativo. Mas visualmente falando, o jogo é um espetáculo.
Som
A trilha sonora de Marsupilami: Hoobadventure é animada, alegre e combina muito bem com o clima descontraído da aventura. As músicas têm aquele ritmo gostoso e contagiante que te acompanha nas fases sem cansar, criando uma atmosfera que reforça a sensação de estar dentro de um episódio de desenho animado. Cada mundo tem temas musicais que combinam com sua identidade visual e temática, então a selva soa exuberante e orgânica, a cidade tem um ritmo mais acelerado e a área do templo traz melodias mais misteriosas e épicas.
O ponto alto do design sonoro está nas músicas do conteúdo adicional de The Hidden World, a ilha bônus com tema jurássico que foi adicionada gratuitamente após o lançamento. O tema principal dessa área é marcante e até grandioso em certos momentos, e a faixa que toca na fase final desse conteúdo, chamada Volcanic Panic, é genuinamente empolgante e parece estar num nível acima das músicas do jogo base. É uma trilha que combina a urgência de uma perseguição com a satisfação de uma conquista, e ficou na minha cabeça por um bom tempo depois de terminar o jogo.
Os efeitos sonoros cumprem bem o papel que têm. O barulho de coletar frutas, quebrar caixas, se agarrar a argolas e atacar inimigos tudo isso tem um peso sonoro satisfatório que dá aquele feedback agradável tão importante em jogos de plataforma. Cada ação tem um som correspondente que complementa o visual e torna o gameplay mais gostoso de executar. Não há dublagem nas cinemáticas, o que é uma pena dado o potencial dos personagens, mas pelo menos o restante da produção de áudio é consistente e bem realizado.
Diversão
Se tem uma coisa que Marsupilami acerta em cheio é na diversão. Jogar esse título é prazeroso do começo ao fim, e existe algo difícil de explicar racionalmente mas fácil de sentir: uma leveza, um brilho, uma satisfação constante em cada salto completado, cada segredo encontrado, cada fase superada. O jogo tem aquele charme especial de título que foi feito com amor.
A curva de dificuldade é bem dosada para o público geral. O início é acessível e confortável, permitindo que qualquer jogador se familiarize com os controles e as mecânicas sem frustração. À medida que o jogo avança, os desafios vão aumentando gradualmente, especialmente no terceiro mundo, que exige mais precisão e atenção. Para os jogadores mais experientes, a verdadeira diversão está em buscar todos os colecionáveis, completar os Dojos e tentar bater os tempos nos modos contra-relógio, que transformam as fases em experiências de speedrun muito satisfatórias.
Há três níveis de dificuldade para escolher antes de começar a aventura. No mais fácil, só é possível perder vida caindo em buracos, pois danos de espinhos e inimigos não contam. No médio, você começa com três corações e perde uma vida ao esgotá-los. No difícil, a mesma regra vale mas com um coração a menos. O modo contra-relógio tem suas próprias regras, fixando três corações independente da dificuldade escolhida, e não pausa o relógio quando você morre, o que aumenta consideravelmente o desafio e a tensão.
O jogo também recebeu após o lançamento um conteúdo adicional gratuito chamado The Hidden World, que adiciona uma quarta ilha com tema jurássico e 10 fases novas. Esse conteúdo é visivelmente mais desafiador que o jogo base e inclui as chamadas fases Cataclysm, versões alteradas e muito mais difíceis de todas as fases dessa ilha nova, cobertas de lava e exigindo encadeamentos precisos de movimentos. Essas fases Cataclysm são o maior teste de habilidade que o jogo oferece e vão colocar até os jogadores mais experientes para suar. Com esse conteúdo adicional, o jogo passa a ter quase 50 fases no total, o que resolve em grande parte a questão da brevidade do jogo original.
O único ponto que desequilibra um pouco a diversão é justamente a abundância de vidas. Coletar frutas e completar fases bônus te dá vidas tão facilmente que você rapidamente atinge o máximo de 99 e o sistema perde todo o significado. Sem a ameaça real de acabar as vidas, parte da tensão e do desafio se dissolve. Mas isso não chega a comprometer a experiência de forma grave, já que a diversão vem muito mais da exploração, dos movimentos fluidos e dos desafios de colecionáveis do que do temor de perder o jogo.
Performance e Otimização
No geral, Marsupilami roda de forma muito satisfatória. Os 60 quadros por segundo se mantêm estáveis na enorme maioria do tempo, e a experiência visual é fluida e agradável, contribuindo diretamente para a precisão dos movimentos e para a imersão no jogo. Em modo portátil no Nintendo Switch, o jogo também se comporta bem e mantém uma qualidade visual bastante decente.
No entanto, há um ponto de atenção na performance que encontrei especificamente durante os modos contra-relógio. Quando muitos elementos estão simultâneos na tela ao mesmo tempo e você recomeça a mesma fase repetidas vezes seguidas, podem ocorrer alguns momentos de slowdown, onde o jogo perde levemente a fluidez e os comandos demoram um pouquinho mais para responder. Esses episódios são raros e pontuais, mas acontecem principalmente nas fases mais densas e no modo contra-relógio quando estressado com reinícios consecutivos. A solução que encontrei foi voltar ao menu principal e selecionar a fase novamente, o que resolvia o problema imediatamente. É algo que merece atenção em uma eventual atualização, pois em um jogo que convida o jogador a repetir fases para bater tempos, a estabilidade de performance é especialmente importante.
Fora esses momentos isolados, o jogo não apresentou crashes, bugs graves ou problemas de sincronização. A experiência é limpa e polida na esmagadora maioria do tempo, o que reflete bem o cuidado que o estúdio teve na produção do título.
Conclusão
Marsupilami: Hoobadventure é daqueles jogos que chegam sem avisar e ficam na sua memória por muito tempo. Não é um revolucionário do gênero, isso precisa ser dito com honestidade. Tudo que ele faz já foi feito antes, e as influências de Donkey Kong Country, Rayman Legends e Crash Bandicoot são tão evidentes que você reconhece na hora. Mas há uma diferença enorme entre copiar mal e se inspirar bem, e Marsupilami: Hoobadventure se encaixa com folga na segunda categoria.
O que impressiona no jogo não é a originalidade das ideias, mas a qualidade de execução de absolutamente tudo que está ali. Não existe uma fase ruim. Não existe um controle mal calibrado. Não existe um visual feito de qualquer jeito. Cada elemento do jogo parece ter sido cuidadosamente pensado e polido até chegar em um resultado que funcionasse bem. E isso, vindo de um estúdio menor e com um orçamento certamente mais limitado do que os grandes nomes que o inspiraram, é muito impressionante.
Para quem gosta de jogos de plataforma, esse título merece estar na sua biblioteca. Ele é divertido para crianças que estão dando os primeiros passos no universo dos games, satisfatório para adultos que cresceram jogando os clássicos do gênero, e tecnicamente capaz de sentar ao lado dos grandes nomes da categoria. A falta de originalidade e a brevidade da campanha principal são os únicos pontos que o impedem de alcançar o panteão dos maiores do gênero, mas com o conteúdo adicional gratuito de The Hidden World, o pacote completo fica muito mais robusto e justifica ainda mais o investimento.
Se você está em busca de uma aventura cheia de cor, charme, movimentos satisfatórios e fases bem desenhadas, corra e compre o quanto antes Marsupilami: Hoobadventure. O marsupial de cauda gigante tem muito mais a oferecer do que o nome complicado sugere, e isso é uma das surpresas mais gostosas que esse jogo pode te dar.
Totalmente recomendado para os fãs de jogos de plataforma.
Pontos Positivos
- Jogabilidade fluida, precisa e muito satisfatória de executar, com um conjunto de movimentos acessível e profundo ao mesmo tempo.
- Design de fases de alta qualidade, com mecânicas novas introduzidas ao longo de cada nível e uma ótima variedade de ambientes e situações.
- Estética visual linda e colorida, com animações expressivas e cenários ricos em detalhes que criam uma forte sensação de estar dentro de um desenho animado.
- Trilha sonora animada e bem adequada ao tom do jogo, com destaque para as músicas do conteúdo adicional The Hidden World.
- Conteúdo adicional gratuito com 10 novas fases e as versões Cataclysm, que aumentam consideravelmente a duração e o desafio do jogo.
- Modos contra-relógio que incentivam a rejogabilidade e revelam o quanto o design das fases é bem construído para o speedrun.
- Acessível para jogadores iniciantes e desafiador o suficiente para os mais experientes que buscam coletar tudo e bater todos os tempos.
- Roda em 60 quadros por segundo com uma apresentação técnica que supera o esperado para um jogo do porte do estúdio.
Pontos Negativos
- A campanha principal é curta, podendo ser concluída em poucas horas por jogadores experientes.
- Os três personagens jogáveis não têm nenhuma diferença de habilidade entre si, tornando a escolha apenas estética.
- O sistema de vidas se torna inútil rapidamente, já que o jogo te enche de vidas com facilidade e você atinge o máximo de 99 be mrápido.
- Os Dojos disponíveis no mapa do jogo são repetidos das salas de bônus encontradas dentro das fases, o que gera uma sensação de conteúdo reciclado.
- Pequenos problemas de performance pontuais podem ocorrer durante reinícios repetidos no modo contra-relógio, especialmente em fases mais densas.
Avaliação:
Gráficos: 9.5
Diversão: 9.5
Jogabilidade: 9.5
Som: 9.0
Performance e Otimização: 8.5
NOTA FINAL: 9.2 / 10.0
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