Celeste – Análise (Review)
30 de dezembro de 2025Eu terminei Celeste com aquela sensação esquisita e maravilhosa de estar exausto e, ao mesmo tempo, leve. Exausto porque o jogo me fez suar as mãos, prender a respiração e repetir trechos dezenas e dezenas de vezes. Leve porque, a cada fase superada, eu sentia uma vitória que não era só “passei de uma tela difícil”, era como se eu tivesse vencido um pedacinho de mim também. Celeste é um daqueles jogos raros que conseguem ser extremamente desafiadores sem virarem cruéis, e emocionais sem serem melodramáticos. Ele é um platformer preciso, rápido e exigente, mas com uma alma enorme.
A história me coloca no controle da Madeline, uma garota que decide escalar a Montanha Celeste. Só que essa escalada não é só física. É mental. É emocional. É sobre ansiedade, medo, autossabotagem, pressão, cansaço, e aquele peso invisível que muita gente sente e nem sempre sabe explicar. E o que mais me pegou é que Celeste não “finge” que vai tratar isso como enfeite de roteiro. O jogo integra esse tema no ritmo, na dificuldade, nos momentos de pausa e na forma como ele conversa comigo sem me tratar como criança. Ele é direto, humano e surpreendentemente acolhedor.
E aí vem a parte que faz muita gente amar ou respeitar Celeste: ele não pega leve no desafio. Tem## Análise completa de Celeste
Celeste foi um daqueles jogos que eu comecei achando “ok, é um plataformer difícil e bonito”, e terminei com um nó na garganta, um sorriso de orgulho e a sensação de que eu tinha passado por uma jornada de verdade. Não só porque eu finalmente cheguei ao topo da montanha, mas porque o jogo me fez sentir, na pele, o peso de insistir quando a cabeça está gritando para você parar. E o mais incrível é que ele faz isso sem discurso vazio e sem precisar de realismo gráfico. É tudo na base do controle perfeito, do level design inteligente, de música que arrepia e de uma história surpreendentemente humana.
Eu jogo como Madeline, uma garota que decide escalar a Montanha Celeste. Só que, bem rápido, fica claro que o desafio não é “apenas” físico. A montanha funciona quase como um espelho da mente dela, colocando para fora inseguranças, ansiedade, auto sabotagem e aquela sensação terrível de achar que você não é capaz. E Celeste trata isso com uma delicadeza rara, sem romantizar sofrimento e sem simplificar o que é lutar contra você mesmo. Tem momentos leves, tem humor, tem calor humano, e tem cenas que me pegaram desprevenido, porque eu fui esperando desafio e recebi empatia.
O jogo também me ganhou pelo ritmo. Cada fase é como um capítulo, com identidade própria, mecânicas específicas e um senso de progressão que é viciante. Eu falhava, morria, voltava em um segundo e tentava de novo, e esse ciclo nunca virou frustração “tóxica” para mim porque o jogo é justo. Ele é difícil, sim, mas é aquela dificuldade que te ensina. Quando eu errava, eu sabia por quê. Quando eu acertava, eu sentia que fui eu quem melhorou, e não que o jogo deixou. E, no meio disso tudo, Celeste ainda me encheu de objetivos opcionais, segredos e desafios avançados para quem quer extrair até a última gota de conteúdo.
Mecânicas e Jogabilidade
Se eu tivesse que explicar por que Celeste funciona tão bem, eu começaria pelo controle. É simplesmente delicioso controlar a Madeline. A movimentação é rápida, precisa e clara, e o jogo te dá ferramentas simples que viram um universo de possibilidades. O básico é correr, pular, agarrar e escalar paredes, e o grande diferencial é o dash no ar, aquele impulso em oito direções que muda tudo. O que parece “só uma habilidade” vira o coração do jogo, porque praticamente todo desafio é construído em torno de como você usa esse dash com timing e direção certos.
O detalhe que fez toda a diferença para mim é que o dash é uma promessa: você sempre sabe o que pode fazer, e o jogo sempre te cobra execução, não adivinhação. Eu apertava o dash e sentia a resposta na hora, com um feedback visual e sonoro muito claro. E quando eu errava, eu não ficava pensando “o jogo roubou”. Eu pensava “eu me apressei”, “eu mirei errado”, “eu não respeitei a ordem do movimento”. Isso, em um jogo difícil, é ouro.
A escalada nas paredes é outro ponto genial, porque ela tem limite de fôlego. Você não consegue ficar agarrado para sempre. Isso transforma cada parede em uma decisão: subir rápido e gastar energia, dar uma pausa em uma saliência, alternar entre paredes, calcular quando soltar. Na prática, Celeste me ensinou a ser eficiente sem me forçar a jogar como robô. Eu fui aprendendo a fazer micro ajustes no ar, a controlar meu impulso, a entender que um salto curto às vezes é melhor do que um salto longo, e que manter a calma vale mais do que tentar “ganhar” na força bruta.
E aí entram as mecânicas específicas de cada capítulo, que são o que fazem o jogo nunca ficar enjoativo. Cada área apresenta um conceito novo e explora isso até eu dominar, mas sem repetir demais. Eu lembro de momentos com vento empurrando, plataformas que se movem em padrões próprios, blocos dos sonhos que mudam a física e te permitem atravessar em alta velocidade, espinhos posicionados para punir impulsividade, e até seções que mudam totalmente o ritmo e exigem outro tipo de precisão. O jogo sempre encontra um jeito de aumentar a complexidade sem aumentar a “bagunça”. É complexo, mas limpo.
Os checkpoints são frequentes e muito bem posicionados. Isso é crucial, porque Celeste me mata muito. E ele sabe disso. Você morre e volta quase instantaneamente, normalmente no começo de uma tela pequena. Isso mantém o fluxo. Em vez de eu ficar irritado com punição, eu fico com vontade de tentar mais uma vez. E o melhor é que as telas são como quebra cabeças de plataforma: você vê o desafio, entende o objetivo e começa a montar na cabeça a sequência de movimentos. Quando finalmente encaixa, dá uma satisfação absurda, porque é mérito puro.
Agora, o que elevou a experiência para mim foi como o jogo trata conteúdo opcional. As morangos (strawberries) são colecionáveis que, na maioria das vezes, exigem desvio de rota e mais habilidade. E o mais inteligente é que eles não são obrigatórios para zerar. Eles existem para quem quer se desafiar ou explorar mais. Isso evitou que o jogo virasse “trabalho” para mim. Eu pegava quando estava no clima, e ignorava quando queria só seguir em frente. Além disso, existem segredos mais escondidos, como coletáveis especiais e desafios avançados que mostram que Celeste tem profundidade para além da campanha principal.
E se você é do tipo que gosta de sofrer com gosto, Celeste ainda tem fitas cassete que liberam fases alternativas mais difíceis, com música remixada e layout que exige um nível de precisão muito maior. Eu senti que o jogo oferece camadas: a campanha é difícil mas acessível para quem insiste, e os desafios avançados são para quem quer testar limite mesmo.
Por fim, eu preciso destacar o Modo Assistência. E eu falo isso com respeito, porque Celeste é um exemplo de acessibilidade bem feita. Ele permite ajustar velocidade do jogo, dar mais recursos, e até tornar a experiência mais tranquila para quem quer curtir história e atmosfera sem ser esmagado pela dificuldade. O mais legal é que o jogo não te julga. Ele apresenta como uma opção. Para mim, isso mostra maturidade: é um jogo sobre enfrentar dificuldades, e ele entende que cada pessoa enfrenta dificuldades diferentes.
No fim, a jogabilidade de Celeste é um espetáculo de design: regras simples, execução profunda, desafio justo e uma curva de aprendizado que te faz olhar para trás e perceber o quanto você melhorou.
Gráficos
Celeste usa pixel art, mas não é “pixel art genérico”. É pixel art com direção de arte extremamente consciente. Tudo é desenhado para comunicar emoção, clima e legibilidade. Eu sempre soube onde eu podia pisar, o que era perigo, o que era plataforma atravessável, o que era parede escalável. Isso pode parecer básico, mas em um jogo de precisão, clareza é parte do desafio. Se eu morro, eu quero morrer porque eu errei, não porque eu não vi.
Cada capítulo tem uma identidade visual muito forte. A montanha não é um cenário repetido com paleta diferente. Eu sentia que estava avançando por lugares com personalidade própria, com variações de cor, iluminação, fundo e detalhes que mudam o “humor” da aventura. Tem momentos mais frios, outros mais acolhedores, outros que parecem quase surreais, e isso conversa diretamente com a narrativa da Madeline. Não é só bonito. É significativo.
As animações também me chamaram atenção. A Madeline é pequena na tela, mas você percebe o cuidado no jeito que ela cai, no “impacto” quando ela pousa, no efeito do dash, na reação quando ela agarra uma parede. Esses detalhes dão vida ao movimento e tornam o jogo mais gostoso de controlar. E os efeitos visuais ajudam muito na leitura: o dash tem um destaque claro, alguns elementos brilham ou mudam de cor quando interagem, e certas mecânicas têm feedback visual que praticamente ensina sem precisar de texto.
Eu também gostei muito do uso de parallax e de fundos com profundidade. Mesmo sendo pixelado, o jogo cria sensação de espaço. Em vários momentos eu parei por dois segundos só para apreciar o cenário e respirar, principalmente depois de uma sequência tensa. E isso, em um jogo difícil, é importante: beleza também é pausa.
No geral, Celeste é prova de que visual não precisa ser hiper realista para ser impactante. O jogo tem estilo, tem consistência e tem uma direção de arte que gruda na memória.
Som
A trilha sonora de Celeste foi uma das coisas que mais me marcou. Ela não fica só “tocando”. Ela me acompanha. Ela reage ao clima. Ela vira combustível emocional. Tem músicas que me dão energia, outras que me acalmam, outras que deixam tudo mais tenso, e todas parecem encaixar perfeitamente no que eu estou vivendo naquele capítulo.
O que eu mais senti é que a música ajuda a transformar repetição em ritual. Eu morria várias vezes na mesma tela, mas a trilha me mantinha dentro do clima, sem me irritar. Em vez de virar um loop cansativo, virava um estado de foco. E quando eu finalmente passava de uma parte muito difícil, eu tinha aquela sensação de vitória que não é só mecânica, é emocional, como se o jogo inteiro estivesse comemorando comigo.
Os efeitos sonoros também são excelentes, principalmente pela clareza. O som do dash é inconfundível e satisfatório. O som de agarrar e escalar comunica esforço. O som de morte é rápido e não te pune com “drama”, ele só te reinicia e pronto, porque o jogo quer que você tente de novo sem peso. E alguns elementos específicos de fase têm sons próprios que te ajudam a entender timing e interação. Em plataformas de precisão, isso é muito importante, porque áudio também é informação.
E tem um ponto que eu gosto muito: silêncio e respiro. Celeste sabe quando diminuir e deixar o ambiente falar. Esses momentos me ajudaram a absorver a história e a sentir a solidão, o cansaço ou a esperança dependendo da parte. O som não está ali só para “encher”. Ele está ali para guiar sensação.
Resultado: Celeste tem uma trilha que eu facilmente ouviria fora do jogo, e um design de áudio que melhora a jogabilidade de forma prática.
Diversão
Celeste é um jogo que me divertiu de um jeito meio raro: ele me divertiu pelo desafio, mas também pelo significado. Eu ria, eu me empolgava, eu comemorava sozinho quando passava de uma tela que parecia impossível, e eu também ficava refletindo sobre as mensagens do jogo. Ele é difícil, mas ele é caloroso. Ele não é aquele jogo que te humilha. Ele te desafia e, ao mesmo tempo, te incentiva.
A diversão aqui vem muito do ciclo rápido de tentativa e erro. O jogo não te faz perder tempo entre uma tentativa e outra. Isso cria um ritmo quase hipnótico. Eu entrava em uma tela, entendia o problema, tentava, ajustava, tentava de novo, e quando finalmente passava eu sentia uma descarga de satisfação absurda. E o melhor é que sempre vinha a próxima tela, com uma variação, como se o jogo dissesse “boa, agora faz isso aqui também”.
Eu também me diverti explorando segredos. Os morangos são um tipo de desafio que é gostoso porque é opcional e criativo. Muitas vezes eu via um morango “impossível” e pensava “não dá”. Aí eu observava melhor, percebia um caminho escondido, um truque de dash, um timing de plataforma, e de repente eu estava indo atrás dele com mais vontade do que de avançar a fase. E, quando eu pegava, era aquela alegria simples, tipo completar uma manobra difícil.
Outro ponto: Celeste é muito bom em variar emoção. Tem momentos de ação intensa, momentos de conversa, momentos mais contemplativos. Isso ajuda a não cansar. O jogo sabe que dificuldade constante sem pausa vira exaustão, então ele alterna tensão e respiro com inteligência.
E para quem gosta de dominar sistemas, Celeste ainda oferece espaço para evolução técnica. Mesmo sem entrar no nível de speedrunner, eu percebi que dá para ficar muito mais eficiente, mais limpo, mais rápido. É aquele tipo de jogo em que você se sente melhorando de verdade, e isso é divertido porque te dá orgulho.
No fim, a diversão de Celeste não é só “uau, que fase legal”. É “eu consegui”. E essa sensação, quando é bem construída, vicia de um jeito bom.
Performance e Otimização
Celeste é um jogo que, na minha experiência, roda de forma muito estável e suave, o que é essencial para um plataformer de precisão. Aqui não dá para ter engasgo, travadinha ou input estranho, porque qualquer micro problema vira morte injusta. E eu senti que o jogo entrega exatamente o que promete: respostas rápidas, comandos consistentes e reinício praticamente instantâneo depois da morte.
O carregamento entre áreas é discreto e, como as telas são curtas e o retry é imediato, o fluxo fica muito bom. Isso ajuda demais na experiência, porque você entra naquele estado de prática sem interrupção. E o jogo também é leve visualmente, no sentido de manter a clareza e a estabilidade mesmo em momentos com muitos elementos na tela.
Eu também achei os menus e opções bem organizados, especialmente por causa do Modo Assistência e configurações que ajudam a adaptar a experiência. É aquele tipo de cuidado que não aparece em “print”, mas aparece quando você está jogando por horas e percebe que nada te atrapalha. Celeste é direto: ele quer que você jogue, tente, aprenda e avance. E tecnicamente ele não fica no seu caminho.
No geral, a otimização contribui para o que Celeste tem de melhor: desafio justo e sensação de controle total.
Conclusão
Celeste, para mim, é um clássico moderno. É um jogo que prova que dá para ser difícil sem ser injusto, profundo sem ser confuso, emocionante sem ser melodramático e bonito sem precisar de realismo. Eu terminei a campanha com aquela sensação de vitória genuína, porque eu lembro de como eu era no começo e de como eu estava no final, fazendo movimentos que eu nem imaginava conseguir.
A história da Madeline me pegou porque ela é simples na superfície, mas honesta por dentro. O jogo fala de ansiedade, medo e autoconfiança de um jeito humano, sem parecer palestra, e isso soma demais à experiência. E, no lado do gameplay, o design de fases é uma aula. Cada capítulo me ensinou algo, testou isso de formas criativas e me recompensou com aquele tipo de progresso que dá orgulho.
Eu recomendo Celeste com muita força. Se você gosta de plataforma, desafio e jogo que te faz sentir evolução real, ele é obrigatório. E mesmo se você não for fã de dificuldade, ainda vale muito a pena por causa da história, da trilha sonora e das opções de acessibilidade que deixam você ajustar a experiência sem vergonha e sem julgamento. Celeste é um daqueles jogos que ficam com você depois que os créditos sobem, não só porque foi bom jogar, mas porque a mensagem bate e a conquista é sua.
Pontos positivos
- Controle preciso e resposta imediata, perfeito para plataforma de precisão
- Level design brilhante, criativo e com progressão muito bem ensinada
- Dificuldade alta, mas justa, com checkpoints e retry instantâneo
- Conteúdo opcional excelente (morangos, segredos e desafios avançados)
- História emocional e honesta, bem integrada ao tema do jogo
- Trilha sonora marcante e design de áudio que ajuda no gameplay
- Modo Assistência muito bem implementado, com acessibilidade real
- Visual em pixel art com identidade forte e ótima legibilidade
Pontos negativos
- Pode ser frustrante para quem detesta tentativa e erro, mesmo com checkpoints generosos
- Alguns desafios opcionais são extremamente difíceis e podem parecer uma parede para parte dos jogadores
- Quem busca variedade “de combate” ou sistemas complexos pode achar o foco em plataforma mais “puro” do que esperava
Avaliação:
Gráficos: 9.0
Diversão: 9.6
Jogabilidade: 9.8
Som: 9.7
Performance e Otimização: 9.5
NOTA FINAL: 9.5 / 10.0
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