Ori: The Collection (Ori and the Blind Forest: Definitive Edition + Ori and the Will of the Wisps) – Análise (Review)
31 de dezembro de 2025Tem poucos jogos na vida que me fizeram parar por alguns segundos, largar o controle e simplesmente respirar fundo porque eu estava verdadeiramente encantado com tudo. Ori: The Collection fez isso comigo mais de uma vez. E não foi só por ser “bonito” ou por ter uma trilha sonora marcante. Foi porque, jogando de verdade, eu senti que esses dois jogos têm aquela combinação rara de delicadeza e brutalidade: delicadeza na forma como o mundo é apresentado, como os personagens se expressam, como a música te envolve; e brutalidade no sentido bom, de te cobrar precisão, reflexo e sangue frio em momentos que parecem uma corrida desesperada pela sobrevivência.
Para quem não conhece, essa coletânea junta Ori and the Blind Forest: Definitive Edition e Ori and the Will of the Wisps, dois metroidvanias focados em exploração, plataforma de precisão e uma narrativa bem emocional, quase sem precisar de muitas palavras. Você controla o Ori, uma criatura pequena e luminosa, e vive uma jornada que começa de um jeito íntimo, quase “conto”, e vai crescendo até virar uma aventura gigantesca, cheia de áreas novas, habilidades transformadoras e desafios que exigem domínio total do movimento.
O que me pegou logo de cara foi o clima. A floresta de Nibel (Blind Forest) e depois o mundo mais amplo de Niwen (Will of the Wisps) têm uma energia de lugar vivo. Não é um mapa que existe só para você atravessar. Você percebe vento, água, luz, sombras, criaturas, ruínas, e tudo parece ter história. E o jogo usa isso para te puxar para dentro de um sentimento que é muito forte: você está tentando curar um mundo, mas você é pequeno dentro dele. Só que, conforme você evolui, você começa a sentir poder, controle, e aquela sensação gostosa de “eu aprendi a me mover aqui”. Ori é muito sobre virar parte do cenário.
E uma coisa importante: os dois jogos têm personalidades diferentes. Blind Forest é mais “puro” em plataforma, mais direto, mais focado em aprender a se movimentar e sobreviver. Will of the Wisps é mais completo, mais ambicioso, com combate mais profundo, missões secundárias, NPCs e um mundo que parece mais “RPG” dentro da estrutura metroidvania. Jogar os dois em sequência foi como ver uma banda lançar um álbum incrível e depois voltar com um segundo ainda mais maduro e ousado.
Mecânicas e Jogabilidade
Se eu tivesse que resumir a jogabilidade de Ori em uma palavra, seria “movimento”. Tudo gira em torno de como eu atravesso o mundo. E eu não digo atravessar como “andar para a direita”. Eu digo atravessar como dançar com o mapa: subir paredes, planar, pular em sequência, usar impulsos no ar, agarrar em pontos específicos, desviar de projéteis, e transformar risco em rota.
Blind Forest: plataforma como coração do jogo
Em Ori and the Blind Forest: Definitive Edition, o jogo me jogou numa exploração que parece simples no começo, mas que vai ficando cada vez mais técnica. Conforme eu desbloqueio habilidades, o mapa vai se abrindo e eu começo a enxergar atalhos onde antes existiam paredes. A sensação é muito metroidvania: eu volto em lugares antigos, mas agora com ferramentas novas, e de repente eu pego colecionáveis e abro passagens que eu nem sabia que existiam.
O grande destaque para mim é como o jogo constrói desafio com física e precisão. Tem segmentos em que eu precisava calcular pulo com cuidado, entender a inércia, controlar a altura do salto, combinar movimentos em sequência e manter ritmo. Em Ori, errar por 1 segundo ou por 1 pixel realmente acontece, mas o jogo também te dá controles responsivos o suficiente para eu sentir que a culpa foi minha e que eu posso acertar na próxima tentativa.
E tem o Bash, que é uma das mecânicas mais geniais que eu já vi em plataforma. Basicamente, eu consigo usar certos inimigos e projéteis como “ponto de impulso”, reposicionando o Ori no ar e ainda jogando o projétil para outra direção. Quando essa habilidade entra no kit, o jogo vira outro. Eu passei a olhar para o caos como ferramenta. Em vez de fugir de projéteis, eu comecei a usar projéteis para ganhar altura, atravessar abismos e resolver puzzles de movimento. Quando eu finalmente entendi o timing e comecei a usar Bash em sequência, eu senti que eu tinha desbloqueado uma nova linguagem de gameplay.
Outro ponto marcante em Blind Forest são as sequências de fuga. Em vez de só batalhas contra chefes tradicionais, o jogo te coloca em corridas desesperadas, com tela desabando, água subindo, fogo correndo atrás de você, e você tem que executar uma rota perfeita. Eu morri muito nessas partes. Muito mesmo. Mas é aquele tipo de frustração que vira orgulho quando você passa. Você termina com o coração acelerado e a sensação de que sobreviveu por habilidade pura.
A Definitive Edition melhora bastante o fluxo, adiciona novas áreas, ajusta progressão e dá mais ferramentas de navegação e qualidade de vida. Eu senti que essa versão é a forma certa de jogar Blind Forest hoje porque ela deixa a experiência mais coerente, menos “travada” em pontos específicos.
Will of the Wisps: evolução, combate e liberdade
Aí eu fui para Ori and the Will of the Wisps e a diferença é imediata. O movimento continua sendo rei, só que o jogo abre ainda mais o leque. As habilidades ficam mais variadas, os upgrades mais flexíveis, e o combate ganha profundidade real.
Enquanto em Blind Forest o combate é mais simples e muitas vezes secundário, em Will of the Wisps eu realmente me importei com minha “build”. O jogo traz um sistema de habilidades equipáveis que mudam como eu jogo: mais dano, mais cura, mais energia, mais mobilidade, mais recompensas por exploração. Isso deixa a experiência muito personalizável. Eu conseguia montar um Ori mais agressivo, ou mais seguro, ou mais focado em exploração.
O combate também ficou mais “na mão”. Eu uso armas e habilidades com estilos diferentes, combando ataques, usando projéteis, controle de área, e encaixando movimento com ofensiva. E o mais legal é que o jogo integra combate e plataforma de um jeito natural. Eu não paro de me mover para lutar. Eu luto me movendo. Tem inimigo que eu derrubo no ar, tem ataque que eu uso para me reposicionar, tem boss que vira uma coreografia de desvio e punição.
Will of the Wisps também tem mais NPCs, pequenas quests e um senso de mundo mais habitado. Isso muda o ritmo entre tensão e respiro. Eu saía de uma área perigosa, voltava para um lugar mais seguro, conversava com personagens, desbloqueava melhorias e sentia que havia reconstrução acontecendo. Isso dá um peso emocional e uma sensação de progresso que não é só mecânica.
No geral, jogando os dois, eu senti que Blind Forest é a base perfeita para aprender a “ser Ori”, e Will of the Wisps é o ápice dessa identidade, com mais liberdade, mais variedade, mais ambição e mais momentos de espetáculo.
Gráficos
Ori é um daqueles jogos que eu uso como exemplo quando alguém fala “ah, jogo bonito é só realismo”. Não. Ori é bonito porque tem direção de arte, porque tem composição, porque tem cor, porque tem animação, porque tem luz. A sensação é de estar dentro de uma pintura viva, só que uma pintura que te mata se você errar um pulo.
Em Blind Forest, eu fiquei impressionado com o contraste entre a fofura do Ori e a melancolia do mundo. A floresta é linda, mas ela está doente, quebrada, perigosa. O jogo usa iluminação e sombras para dar clima, e usa partículas, neblina, água, brilho e profundidade para criar uma atmosfera quase mágica. Mesmo em 2D, tem uma sensação forte de camadas, como se o cenário tivesse profundidade real.
Os personagens se comunicam muito por animação. O Ori é extremamente expressivo, mesmo sem falar. A maneira como ele se move, como ele cai, como ele segura na beirada, como ele reage a perigo, tudo tem personalidade. E isso é essencial para a história funcionar. Eu não preciso de texto explicando emoção o tempo todo porque eu vejo emoção.
Em Will of the Wisps, eu senti um salto de qualidade. O mundo parece mais rico, mais detalhado, mais variado. As áreas têm identidades muito marcantes: lugares mais escuros e ameaçadores, outros cheios de cor e vida, cavernas com brilho estranho, pântanos perigosos, regiões com tempestades e ambientes com aquela sensação de “lugar antigo”. Além disso, os efeitos de combate são mais intensos e ainda assim o jogo mantém legibilidade. Isso é importante porque em Will of the Wisps acontece muita coisa na tela: partículas, habilidades, inimigos, impactos, e mesmo assim eu conseguia entender o que era perigo e o que era oportunidade.
Outra coisa que me marcou foi como o jogo usa o cenário para contar história. Ruínas, árvores, raízes, estruturas, marcas no ambiente. Ori tem aquela qualidade de mundo que parece ter existido antes de você e vai existir depois, e o visual sustenta isso.
Som
Eu joguei Ori e eu posso dizer sem medo: a trilha sonora é parte do gameplay emocional. Ela não é “música de fundo”. Ela é o que transforma uma cena bonita em uma cena inesquecível.
Em Blind Forest, a música tem muita melancolia, muita sensação de esperança frágil. Tem momentos em que eu estava apenas explorando e a trilha já me deixava com um aperto no peito, como se o jogo estivesse me lembrando o tempo todo que aquele mundo está sofrendo e eu estou tentando consertar algo grande demais.
E quando o jogo entra nas sequências de fuga, a trilha muda completamente de energia. Ela vira tensão pura. Ela te empurra para frente. Eu sentia o pânico da situação muito mais por causa do som, porque a música acelera, cresce, e parece que está correndo junto com você. Isso faz a vitória ser ainda mais catártica quando você consegue.
Will of the Wisps, para mim, é ainda mais cinematográfico no áudio. As áreas têm temas muito bem definidos, os combates importantes têm música que sobe como se fosse boss de filme, e os momentos emotivos realmente batem forte. Tem cenas em que eu terminei e fiquei em silêncio por alguns segundos porque a música segurou minha emoção até o último frame.
Os efeitos sonoros também são excelentes. Cada salto, cada dash, cada impacto, cada habilidade tem um som claro e satisfatório. Isso melhora a sensação de controle, porque eu “sinto” quando um movimento encaixa. E em combate, eu percebo hits, status e perigos com facilidade. O áudio reforça a leitura da ação.
Se eu tivesse que apontar um “defeito”, é que a trilha é tão boa e tão marcante que às vezes eu ficava querendo só parar e ouvir, mas o jogo também é perigoso, então parar para apreciar pode significar morrer. Isso é elogio e problema ao mesmo tempo.
Diversão
Ori me divertiu de um jeito muito específico: ele me fez sofrer com gosto. É aquela diversão de desafio justo, em que eu morro, volto rápido, aprendo algo, e sinto que meu progresso é real. E essa sensação é ainda mais forte porque o jogo não te recompensa só com números, ele te recompensa com fluidez. Quanto melhor eu fico, mais bonito eu jogo. O Ori começa meio travado, limitado, e termina voando pelo mapa como se fosse parte do vento. Isso é extremamente satisfatório.
Em Blind Forest, a diversão vem muito da superação de plataforma e da exploração. Eu adorava desbloquear uma habilidade e voltar para abrir caminhos antigos. Eu gostava de ir atrás de melhorias de vida e energia, de completar áreas, de encontrar segredos. O jogo é cheio de cantos escondidos que não estão ali só para te dar item. Eles estão ali para te testar com um desafio de movimento que é prazeroso de executar.
Em Will of the Wisps, além disso tudo, a diversão aumentou porque o jogo é mais variado. O combate é mais interessante, os chefes são mais memoráveis, e o mundo parece mais vivo por causa dos NPCs e do senso de reconstrução. Eu me peguei fazendo missões secundárias não só por recompensa, mas porque eu queria ver aquele lugar evoluindo e queria entender mais daquele mundo.
E tem um detalhe muito importante: Ori é emocionante. Eu sei que isso não é “diversão” no sentido clássico de rir ou adrenalina, mas para mim faz parte. Eu senti vontade de continuar não só porque eu queria zerar, mas porque eu queria ver o desfecho. E quando um jogo te faz querer continuar por sentimento e por desafio ao mesmo tempo, ele está muito acima da média.
Se você é do tipo que detesta morrer muitas vezes, eu já aviso: Ori exige paciência. Mesmo com checkpoints e sistemas de salvamento que ajudam, você vai morrer. Só que para mim, a maneira como o jogo te faz voltar rápido e tentar de novo mantém o prazer do aprendizado.
Performance e Otimização
Jogando no Nintendo Switch, eu senti que Ori: The Collection é, no geral, um pacote muito competente tecnicamente, especialmente considerando o nível de efeitos visuais, iluminação e partículas que esses jogos usam o tempo todo.
Em Blind Forest, a experiência tende a ser bem estável. O jogo é mais “leve” em termos de complexidade de combate e efeitos, então ele costuma segurar bem o ritmo. Os comandos respondem com precisão, e isso é essencial, porque plataforma de precisão sem resposta rápida vira pesadelo.
Em Will of the Wisps, eu percebi que o jogo exige mais do hardware. Tem mais efeitos, mais sistemas, mais coisa acontecendo em combate e em áreas amplas. No geral, eu ainda achei a experiência boa e jogável, mas em momentos muito carregados, com muitos efeitos na tela, eu notei pequenas oscilações. Não foi algo constante a ponto de estragar, mas eu senti que existe um limite sendo testado, principalmente em cenas mais “espetaculares”.
Carregamentos e transições são bem administrados, e a interface é limpa o suficiente para você não perder tempo em menu. Outro ponto positivo é que o jogo te incentiva a explorar sem transformar navegação em sofrimento. O mapa e os recursos de viagem e marcação ajudam bastante, especialmente quando você está caçando colecionáveis e tentando fechar regiões.
No conjunto, eu considero a otimização boa, com a ressalva de que Will of the Wisps é mais ambicioso e pode mostrar pequenas oscilações dependendo do momento. Ainda assim, para um jogo que depende tanto de precisão, eu senti que ele entrega controle confiável.
Conclusão
Ori: The Collection foi uma experiência que eu coloco fácil na categoria de “obrigatório para quem gosta de metroidvania e plataforma” (tanto é que eu comprei esse jogo em mídia física). Blind Forest me conquistou pela pureza do movimento e pelas sequências de fuga que quase me fizeram perder a sanidade, e Will of the Wisps elevou tudo para um nível mais completo, mais variado e mais épico, com combate melhor, mundo mais amplo e um senso de jornada que me marcou.
O que faz Ori ser especial para mim é que ele não separa mecânica de emoção. O jogo não te conta uma história e depois te dá uma fase qualquer. Ele usa a própria jogabilidade para expressar sensação. O esforço de escalar, a dificuldade de atravessar um trecho perigoso, o alívio de encontrar um lugar seguro, o poder de dominar uma habilidade nova. Tudo isso conversa com o que está acontecendo na narrativa, e isso é muito raro de ver tão bem encaixado.
Eu recomendo muito Ori: The Collection. Recomendo para quem quer um jogo bonito de verdade, com arte e música de alto nível. Recomendo para quem ama exploração e aquela sensação de abrir caminhos novos. Recomendo para quem gosta de desafio e quer sentir evolução na própria habilidade. Só faço um aviso honesto: se você não tem paciência com tentativa e erro e plataforma exigente, talvez você precise entrar com a mentalidade certa, porque vai ter momento de morrer repetidas vezes. Mas se você abraça o aprendizado, Ori vira uma das aventuras mais memoráveis do gênero.
Pontos positivos
- Movimento incrível, com sensação de controle muito gostosa e evolução constante do kit de habilidades
- Level design de metroidvania excelente, incentivando exploração e retorno a áreas antigas
- Direção de arte absurda, com cenários que parecem pintura viva e animações expressivas
- Trilha sonora marcante e emocional, elevando cenas e sequências de tensão
- Will of the Wisps melhora muito o combate e aumenta variedade de builds e desafios
- Conteúdo da coletânea oferece duas experiências fortes e complementares no mesmo pacote
Pontos negativos
- Dificuldade em plataforma pode frustrar quem não curte morrer e repetir trechos
- Blind Forest tem combate mais simples e pode parecer limitado para quem quer ação mais profunda
- Will of the Wisps é mais pesado e pode ter pequenas oscilações de performance em momentos bem carregados no Switch
Avaliação:
Gráficos: 9.6
Diversão: 9.4
Jogabilidade: 9.5
Som: 9.8
Performance e Otimização: 8.9
NOTA FINAL: 9.4 / 10.0
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