Pokémon Sword & Shield – Análise (Review)

Pokémon Sword & Shield – Análise (Review)

30 de dezembro de 2025 Off Por Markus Norat

Pokémon Sword & Shield foi um daqueles jogos que eu comecei com um sentimento misto de empolgação e curiosidade, porque ele carrega um peso enorme nas costas: foi a primeira geração principal totalmente pensada para um console de mesa híbrido, com a promessa de dar um passo maior em escala, apresentação e “cara de grande aventura”. E, jogando de verdade, eu posso dizer que ele entrega sim essa sensação de estar numa jornada mais “de estádio”, mais espetáculo, mais cinematográfica. Não é o Pokémon mais profundo do mundo em história, e também não é o mais ousado em estruturas… mas ele é um Pokémon com ritmo bom, qualidade de vida absurda e um loop viciante de capturar, montar time, evoluir e testar em batalhas que, pela primeira vez em muito tempo, parecem um evento.

A região de Galar tem uma identidade muito clara. Ela mistura um clima urbano com interiorzão, castelos, campos, minas, cidades com neon e aquela vibe de Reino Unido estilizado, com paixão por esporte. E é justamente aí que Sword & Shield se diferencia: o desafio dos ginásios não parece só uma sequência de “vai lá, derrota o líder, pega insígnia”. Parece uma temporada, uma campanha esportiva. Você entra em arenas gigantes, com torcida gritando, música explosiva e uma apresentação que faz a batalha parecer importante. Eu senti, várias vezes, que o jogo queria que eu me empolgasse como se eu estivesse jogando uma final.

Só que o meu grande vício mesmo nasceu fora das rotas tradicionais: a Wild Area. A primeira vez que eu entrei naquele espaço aberto e vi Pokémon visíveis no mapa, mudanças de clima, nível variando e aquela sensação de “posso ir para onde eu quiser”, eu entendi o que o jogo queria que fosse o novo coração da exploração. E o melhor é que isso não é só visual. A Wild Area muda a forma como eu monto time e como eu evoluo. Ela é o lugar onde eu me distraio, onde eu farmo recurso, onde eu caço aquele Pokémon específico, onde eu faço raids, onde eu penso “só mais cinco minutos” e perco meia hora.

No fim, Pokémon Sword & Shield é um jogo que eu descrevo como “confortável e empolgante ao mesmo tempo”. Confortável porque ele remove várias travas antigas e acelera sua vida, e empolgante porque quando ele quer fazer show, ele faz.

Mecânicas e Jogabilidade

A base de Pokémon continua aquela fórmula que a gente conhece: escolher um inicial, explorar cidades e rotas, capturar criaturas, enfrentar treinadores, montar um time equilibrado e ir vencendo ginásios até encarar a Elite (aqui com formato próprio) e o grande campeão. Só que Sword & Shield mexe na “cola” que une essas partes, e isso muda muito o ritmo da jornada.

A primeira mudança grande, para mim, é o quanto o jogo respeita meu tempo. O acesso ao Box praticamente “na mão” (poder mexer nos Pokémon armazenados de praticamente qualquer lugar) altera completamente a experiência. Eu não precisava mais ficar preso a uma equipe fixa só porque “não tem PC por perto”. Eu testava Pokémon, alternava funções, ajustava estratégia e, principalmente, eu capturava mais. Isso é importante porque o jogo te incentiva o tempo todo a experimentar, e ele te dá ferramentas para isso.

A segunda mudança é o crescimento acelerado do time, principalmente quando você começa a se envolver com Max Raid Battles. As raids são lutas contra um Pokémon Dynamax, normalmente mais forte, com escudo de “barras” que você precisa quebrar ao longo dos turnos. Elas podem ser feitas com NPCs ou online com outras pessoas. No começo eu achei que seria só um modo extra, mas virou parte do meu loop. Além de serem divertidas, elas te dão recompensas que impactam muito: itens, TRs (movimentos reutilizáveis), e principalmente EXP Candies, que facilitam treinar Pokémon sem ficar horas lutando em matinho. Isso é maravilhoso para quem gosta de montar times variados, e também abre a porta para brincar mais com o pós-jogo e com competitividade casual.

E aí entra a mecânica que define Galar: Dynamax e Gigantamax. Dynamax é basicamente “crescer” o Pokémon por três turnos, ganhar um boost de HP e transformar movimentos em Max Moves, que além de dar dano, criam efeitos de campo (clima, terreno, aumentos de status, etc.). Gigantamax é a versão especial de alguns Pokémon, com forma única e um movimento exclusivo. Na prática, isso muda a leitura das batalhas importantes. Eu passei a guardar Dynamax como recurso tático, não só como “botão de vitória”. Em lutas de ginásio, por exemplo, o jogo cria uma tensão real: quando o líder usa Dynamax, a batalha vira um mini clímax. E como são só três turnos, eu precisava decidir: eu dynamaxo para atacar e tentar finalizar, ou eu dynamaxo para aguentar e ganhar tempo? Eu uso um Max Move que muda o clima para favorecer meu time? Eu ativo algo que enfraquece o oponente nos próximos turnos?

O design dos ginásios também me divertiu bastante. Os desafios antes do líder são mais “minigame” do que labirinto. Eu sei que tem gente que prefere ginásio mais clássico, mas aqui eu curti porque mantém o ritmo e combina com a ideia de evento esportivo. E quando chega a luta principal, o jogo compensa com apresentação, música e arena lotada. O momento do Dynamax no ginásio, com a torcida reagindo, realmente parece especial.

Outro ponto que me pegou foi a variedade de Pokémon novos e como eles são introduzidos. A Wild Area e o sistema de clima mudam completamente o “quando” e o “onde” você encontra certas criaturas. Teve vezes que eu voltei para a Wild Area só porque mudou para neve ou tempestade e eu queria ver o que aparecia. Isso dá uma sensação de mundo vivo e cria um vício de caça muito forte.

Agora, nem tudo são flores. Sword & Shield é um jogo que, em alguns momentos, é linear demais nas rotas e na progressão principal. Existem trechos em que eu senti que o jogo estava com pressa de me empurrar para o próximo ponto da história, sem me deixar explorar tanto quanto eu queria em cidades específicas. E a narrativa, apesar de ter personagens carismáticos, tem decisões estranhas de ritmo: várias “coisas importantes” parecem acontecer fora da minha ação direta, como se o jogo dissesse “relaxa, deixa com os adultos”, e isso quebra um pouco o sentimento de protagonismo em certos trechos.

Mesmo assim, o pacote de jogabilidade é muito forte por causa das melhorias de qualidade de vida e do loop de captura e evolução. Eu terminei o jogo com aquela sensação de que ele é extremamente jogável, extremamente fluido, e muito bom para quem curte testar time.

Gráficos

Visualmente, Pokémon Sword & Shield tem duas caras bem claras para mim: uma direção de arte charmosa e uma execução técnica que nem sempre acompanha o que eu queria ver num Pokémon de console.

Começando pelo que eu gostei: Galar é bonita e estilosa. As cidades têm identidade e cor. Tem lugar que parece cartão-postal, tem cidade com pegada futurista, tem vilarejo aconchegante, tem estádio gigantesco que realmente passa sensação de “esporte nacional”. E o design dos personagens é excelente. Os líderes de ginásio têm presença, roupas marcantes, animações carismáticas, e o jogo sabe criar “personas” para eles. O Leon, por exemplo, tem aquele jeito de campeão popstar, e isso funciona no tom do jogo.

Os Pokémon, no geral, aparecem bem na tela, com cores fortes e boa leitura. Eu adoro ver as criaturas no campo, porque isso deixa o ato de capturar muito mais natural. Em vez de encontros aleatórios o tempo todo, eu escolho minhas lutas com mais intenção, o que combina com a ideia de explorar.

Agora, a parte técnica tem seus tropeços. Em algumas áreas abertas, principalmente na Wild Area, eu notei pop-in de elementos do cenário e de Pokémon surgindo a uma certa distância. Texturas de chão e detalhes de ambiente variam muito de qualidade. Tem lugar que é lindo, tem lugar que parece simples demais para um jogo dessa escala. Também existem animações que são ótimas em alguns momentos, mas em outros parecem mais básicas do que deveriam, especialmente em certas interações e cenas menos importantes.

Mesmo com essas limitações, eu ainda acho Sword & Shield um jogo agradável de olhar por causa da direção de arte e da identidade de Galar. Ele não é uma vitrine técnica, mas ele tem charme e sabe fazer espetáculo quando precisa, principalmente em ginásios e batalhas marcantes.

Som

O som foi um dos pontos que mais me surpreendeu positivamente. Pokémon sempre teve músicas boas, mas Sword & Shield tem um talento especial para transformar batalha em show.

As músicas dos ginásios são insanas. A luta vai escalando, e quando chega o momento do Dynamax, a faixa muda e a torcida começa a “cantar” junto no ritmo. Isso, na prática, aumenta a adrenalina de um jeito real. Eu me peguei lutando melhor só porque a música me deixava mais ligado, mais no clima de final de campeonato. E essa escolha combina perfeitamente com o tema esportivo de Galar.

Os temas das cidades também são bem memoráveis. Eles conseguem ser leves e modernos, sem perder aquele DNA de Pokémon. E eu gostei muito de como algumas áreas têm clima sonoro próprio, com instrumentos e batidas que combinam com o lugar.

Os efeitos sonoros são competentes, com bons impactos para movimentos e sinais claros nas batalhas. Não é um jogo que tenta ser hiper realista no áudio, mas ele cumpre o papel de dar feedback e de manter energia.

Se eu tivesse que apontar um “porém”, é que algumas falas e cenas poderiam ter mais dublagem para aumentar o peso cinematográfico, já que o jogo flerta com esse estilo em vários momentos. Ainda assim, a trilha e a ambientação sonora seguram muito bem a experiência.

Diversão

Sword & Shield me divertiu por dois motivos principais: ele é muito fácil de jogar por longas horas, e ele dá objetivos o tempo todo, mesmo quando você “não está fazendo a história”.

A diversão de Pokémon, para mim, sempre foi montar time e criar histórias pessoais do tipo “esse aqui entrou fraco e virou monstro”, “esse aqui salvou a luta por 1 de HP”, “esse aqui eu capturei do nada e acabou virando meu favorito”. E Sword & Shield facilita isso porque o jogo reduz atrito. Trocar time é simples, evoluir é mais rápido, conseguir movimentos e itens importantes é mais acessível. Isso faz eu brincar mais com composição e menos com burocracia.

A Wild Area é uma fábrica de diversão, especialmente porque ela combina exploração com surpresa. Mudou o clima? Aparecem Pokémon diferentes. Tem raid brilhando? Eu paro tudo para ver o que é. Vi um Pokémon mais forte andando por ali? Eu tento a sorte, ou marco mentalmente para voltar depois. Esse tipo de “aventura espontânea” é exatamente o que eu quero em Pokémon.

As raids, quando funcionam bem, são um vício perigoso. É rápido, é recompensador, e o momento de ver o Pokémon Dynamax gigante na tela dá uma sensação muito legal de escala. E quando eu jogava online, tinha aquele clima de cooperação simples: cada um faz seu papel, todo mundo apanha um pouco, e no final vem a chance de capturar.

A campanha principal também tem seu charme por causa do formato de ginásios como eventos. Eu gostei de ter rivais e personagens recorrentes que aparecem te provocando, te acompanhando e crescendo junto. Hop, Marnie e Bede, por exemplo, dão uma dinâmica boa de “competição” e deixam a jornada menos solitária.

O que pode reduzir a diversão para algumas pessoas é que a dificuldade base do jogo tende a ser mais tranquila, e o Exp Share permanente acelera bastante o crescimento do time. Para mim, isso virou uma faca de dois gumes: eu gostei do ritmo, mas em alguns momentos eu senti que eu estava forte demais sem esforço. Dá para contornar isso trocando Pokémon com frequência, usando equipes temáticas ou evitando farmar demais em raids durante a campanha, mas é bom entrar sabendo que o jogo é mais “acessível” do que alguns títulos antigos.

Performance e Otimização

Em performance, minha experiência foi razoavelmente estável, mas com pontos específicos onde dá para sentir o Switch pedindo ar, principalmente na Wild Area e em situações online.

Nas rotas e batalhas tradicionais, o jogo costuma rodar bem e manter um fluxo consistente. Os menus são rápidos, a navegação é simples e o sistema de trocar Pokémon no Box quase em qualquer lugar funciona de forma prática, o que é uma grande vitória de qualidade de vida.

Agora, quando eu entrava na Wild Area com conexão online ativa, com outros jogadores aparecendo e vários Pokémon na tela, eu percebia quedas e engasgos ocasionais, além de pop-in mais evidente. Não chega a ser injogável, mas quebra um pouco a sensação de “console grande”. Offline, a área tende a ficar mais estável e agradável.

Carregamentos existem, mas são aceitáveis. O jogo também é bem amigável em termos de automação: autosave ajuda bastante, e o gerenciamento geral do jogo foi feito para você passar mais tempo jogando e menos tempo esperando.

No geral, eu diria que é um jogo otimizado o suficiente para ser confortável, mas que deixa claro que a ambição de mundo aberto parcial no Switch vem com compromissos visíveis.

Conclusão

Pokémon Sword & Shield foi uma aventura que eu curti muito, principalmente porque ele faz duas coisas muito bem: transforma os ginásios em espetáculo e torna a vida do treinador mais prática. O jogo tem uma energia jovem, vibrante, com um mundo que incentiva captura e experimentação, e com um loop que te puxa sem você perceber. A Wild Area e as Max Raid Battles mudam a rotina da série, deixando o pós-jogo e a montagem de time bem mais viciantes e modernos.

Ao mesmo tempo, eu não vou fingir que ele é perfeito. A parte técnica oscila, a história tem um ritmo esquisito em alguns pontos, e a campanha pode parecer fácil demais dependendo de como você joga. Também existe uma sensação de que algumas áreas poderiam ser mais “grandiosas” ou mais interativas, especialmente quando você lembra que este é um título principal no Switch.

Mesmo com esses poréns, eu recomendo sim Pokémon Sword & Shield, principalmente para quem quer um Pokémon com ritmo rápido, muita qualidade de vida, boa trilha sonora, ginásios memoráveis e um componente online que adiciona bastante replay. Se você curte capturar, montar time e ter sempre algo para fazer, ele entrega muitas horas gostosas. Se você é do time que prioriza desafio alto e exploração mais livre e profunda, talvez você sinta falta de um pouco mais de ambição em certas partes, mas ainda assim é um jogo muito divertido e bem “jogável”.


Pontos positivos

  • Ginásios em formato de estádio com apresentação incrível e clima de evento
  • Wild Area dá liberdade, variedade de encontros e sensação de caça mais moderna
  • Max Raid Battles são viciantes e muito recompensadoras
  • Qualidade de vida excelente: Box acessível, progressão mais ágil, menos burocracia
  • Trilha sonora marcante, especialmente nos ginásios
  • Designs de personagens e Pokémon novos cheios de personalidade

Pontos negativos

  • Oscilações técnicas na Wild Area, com pop-in e quedas mais perceptíveis online
  • Campanha principal pode ser fácil dependendo do seu estilo de jogo
  • Rotas e exploração principal podem parecer lineares demais
  • História tem momentos em que grandes eventos parecem acontecer “sem você participar” de verdade
  • Qualidade visual de texturas e detalhes varia bastante entre áreas

Avaliação:
Gráficos: 7.8
Diversão: 8.7
Jogabilidade: 8.6
Som: 9.0
Performance e Otimização: 7.9
NOTA FINAL: 8.4 / 10.0

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