SteamWorld Heist – Análise (Review)

SteamWorld Heist – Análise (Review)

30 de dezembro de 2025 Off Por Markus Norat

Eu tenho um carinho especial por jogos que pegam uma ideia simples, executam com uma precisão absurda e, sem fazer barulho, viram vício. SteamWorld Heist foi exatamente assim comigo. Eu comecei pensando que seria “só mais um tático em turnos bonitinho”, daqueles para passar o tempo. Só que, quando eu percebi, eu já estava naquela fase de falar “mais uma missão e eu paro”, porque sempre tinha uma arma nova para testar, um tripulante para treinar, uma combinação diferente de habilidades para experimentar, e aquela sensação deliciosa de que cada tiro bem dado foi mérito meu, não do RNG.

A premissa é muito charmosa: um bando de robôs piratas no espaço, invadindo naves, roubando tudo que dá, montando uma tripulação e tentando sobreviver em um universo meio decadente, meio engraçado, cheio de sucata e estilo. A história não tenta ser a coisa mais complexa do mundo, mas tem personalidade. Ela é o fio que puxa a aventura e te dá motivo para ir de setor em setor, sempre atrás de missões melhores e recompensas mais valiosas. E o que segura o jogo mesmo é o jeito como ele mistura estratégia com mira manual. Isso muda tudo.

Porque aqui não é só posicionar unidade e escolher “atacar”. Você realmente mira. Você escolhe o ângulo. Você decide se vai tentar um headshot, se vai ricochetear a bala na parede para pegar alguém escondido, se vai usar o cenário a seu favor. E quando você acerta aquele tiro impossível, que bate em duas superfícies e entra certinho, a sensação é de gênio do crime espacial. Eu dei risada sozinho várias vezes, do tipo “não é possível que eu acertei isso”.

SteamWorld Heist também é aquele jogo que respeita o tempo do jogador. As missões são curtas, diretas e com objetivos bem claros. A interface é simples de entender, mas o jogo tem profundidade suficiente para te manter preso por muitas horas. E o mais importante: ele te recompensa por jogar bem, não só por ter números altos. Você sente evolução na sua tomada de decisão e na sua precisão.

Mecânicas e Jogabilidade

A base de SteamWorld Heist é combate tático em turnos, com visão 2D lateral. Cada missão é como um tabuleiro compacto dentro de uma nave, com plataformas, escadas, coberturas e corredores apertados. Você leva uma equipe pequena, normalmente alguns tripulantes por missão, e precisa cumprir objetivos como eliminar inimigos, chegar em um ponto específico, abrir cofres, coletar loot e escapar. E o que deixa tudo especial é que o jogo junta estratégia de posicionamento com tiro manual.

O sistema de turnos é bem fácil de pegar. Cada personagem tem uma quantidade de ações por turno, geralmente movimento e tiro, ou movimento e habilidade. Só que, diferente de muitos táticos em que acertar é porcentagem, aqui você aponta e dispara. Isso muda completamente o “clima mental” do jogo. Em vez de eu ficar irritado com 95 por cento que erra, eu me peguei pensando em geometria e controle: onde eu preciso ficar para ter um ângulo melhor? Se eu subir nesse nível, eu ganho linha de visão? Se eu atirar mirando mais baixo, eu consigo pegar a cabeça quando ele levantar? Se eu bater na parede com o ângulo certo, eu acerto alguém que está seguro atrás de cobertura?

E a mecânica de ricochete é o tempero que faz SteamWorld Heist ser memorável. Muitas fases são construídas para te dar paredes e superfícies que viram ferramentas. Eu comecei a ver o cenário como arma. Tinha inimigo “intocável” atrás de caixa e, de repente, eu percebia que dava para acertar a parede atrás dele e desviar o tiro para dentro do esconderijo. Esse tipo de descoberta transforma cada missão em um quebra cabeça, só que um quebra cabeça com estilo de faroeste espacial.

Outra coisa que eu gostei muito é a importância do headshot. Não é só estética. Acertar a cabeça costuma dar mais dano e, dependendo da arma, muda completamente o resultado. Isso cria uma tensão gostosa, porque às vezes vale a pena arriscar um tiro difícil para derrubar o inimigo antes que ele jogue uma granada na sua equipe. Só que o jogo também te dá opções para jogar mais seguro: armas com espalhamento, tiro que atravessa, tiro em área, utilidades que controlam o campo.

A variedade de classes e habilidades ajuda demais. Você não tem só “personagem genérico com rifle”. A tripulação tem papéis bem definidos. Tem personagem mais de linha de frente, que segura pressão e aguenta pancada. Tem personagem de suporte, que reposiciona aliados, cura ou dá utilidade. Tem personagem mais frágil, mas com poder ofensivo absurdo ou habilidades especiais para controlar inimigos. Eu gostei porque o jogo te incentiva a montar equipe com sinergia. Em várias missões eu sentia que eu ganhei não por ter item forte, mas porque eu montei uma composição que se complementava.

E aí entra o loot, que é outro vício. SteamWorld Heist te dá armas, chapéus e equipamentos com atributos e efeitos diferentes. E não é só cosmético. Um chapéu pode mudar estatística, uma arma pode ter comportamento completamente diferente, e isso muda seu estilo de jogo. Eu me peguei trocando loadout o tempo todo. Às vezes eu queria consistência e escolhia uma arma mais fácil de acertar. Em outras, eu queria dano bruto e aceitava o risco de errar. Tem também um lado “colecionador” muito forte, porque é gostoso ver seu inventário crescendo e seu time ficando mais estiloso e eficiente.

A progressão de personagens é bem satisfatória. Você sobe nível, desbloqueia habilidades, melhora atributos e sente que o seu time está ficando mais pronto para desafios avançados. E os inimigos acompanham, então você nunca fica totalmente no automático. O jogo vai introduzindo novos tipos de ameaça, robôs mais resistentes, unidades que se protegem melhor, inimigos que punem posicionamento ruim. Eu tive que aprender a respeitar linha de tiro, a não agrupar equipe à toa e a pensar dois turnos à frente.

O design das fases também segura muito. As naves não são enormes, mas são inteligentes. Elas criam situações de vantagem e desvantagem de altura, corredores que viram armadilha, áreas com cobertura limitada e momentos de pressão em que você precisa avançar, não pode ficar só “campeando”. E o jogo consegue fazer isso sem virar caos. Eu sempre senti que era possível vencer com boa leitura, mesmo quando eu entrava em uma missão e tomava um susto inicial.

No controle do Switch, a experiência funciona muito bem. Mirar com analógico é surpreendentemente confortável depois de alguns minutos, e quando você pega o jeito do ajuste fino, dá para fazer coisas bem precisas. Eu senti que o jogo foi pensado para funcionar em console, sem parecer que estou jogando “um PC adaptado”.

Gráficos

SteamWorld Heist tem um visual que me ganhou pela personalidade. Ele é 2D, com arte desenhada, animações fluidas e um estilo meio cartunesco, só que com muito charme e muito detalhe. Os personagens parecem brinquedos de metal com alma, e isso combina perfeitamente com o clima de piratas espaciais.

O que eu mais gostei é como o jogo consegue ser claro visualmente. Em jogo tático, clareza é tudo. Eu preciso bater o olho e entender onde está a cobertura, onde eu posso subir, que tipo de obstáculo bloqueia tiro, que parte do cenário é só fundo e qual é interativa. E SteamWorld Heist faz isso muito bem. Mesmo quando a nave está cheia de detalhes, o que importa para a jogabilidade se destaca.

As animações são expressivas. Quando um personagem toma tiro, quando se esconde, quando mira, quando faz uma habilidade, tudo tem um “teatrinho” gostoso. E isso é importante porque o jogo tem humor. Ele quer que você se divirta com o jeito que os robôs se movem, com as poses de pistoleiro, com aquele clima de duelo no espaço.

Os cenários também ajudam a construir atmosfera. Cada nave tem uma identidade visual com corredores, máquinas, tubulações, painéis e aquela sensação de sucata tecnológica. Não é um visual “luxuoso”, é um visual de universo gasto, pirata mesmo. Isso dá coerência. E como o jogo é dividido em missões, ele sempre te apresenta novas variações sem cansar.

No geral, não é um jogo que tenta impressionar por potência gráfica. Ele impressiona por estilo, legibilidade e carisma. É o tipo de arte que envelhece bem.

Som

O som de SteamWorld Heist é um dos pontos que mais me fizeram entrar no clima. A trilha sonora tem aquela pegada de faroeste espacial, meio rock, meio country, meio coisa industrial, e combina demais com o tema. Eu sentia que estava em um filme de assalto no espaço, com robôs piratas posando de durões.

As músicas não ficam só “tocando de fundo”. Elas ajudam a criar ritmo. Quando a missão está tranquila, o som segura a tensão. Quando começa o tiroteio sério, a energia sobe e eu começo a jogar mais agressivo. E como as missões são curtinhas, a trilha não chega a cansar. Ela vira assinatura do jogo.

Os efeitos sonoros são muito satisfatórios. Tiro tem impacto, ricochete tem som gostoso, explosões têm peso. E o feedback de acertar headshot é aquele tipo de recompensa sonora que te faz querer repetir. Eu também gostei dos sons de interface e das pequenas reações dos personagens, que dão vida ao time sem precisar de diálogos gigantes.

No geral, o áudio ajuda a vender a fantasia. Você não está só movendo peça em tabuleiro. Você está fazendo um assalto com estilo.

Diversão

SteamWorld Heist foi divertido para mim porque ele acerta um ponto muito raro: ele é estratégico, mas é direto. Ele exige pensar, mas não exige uma eternidade de planejamento. Ele tem profundidade, mas não é um monstro de complexidade que te cansa. E o maior motivo disso é a mira manual. Ela transforma cada turno em um mini momento de habilidade. Eu não estava só calculando porcentagem. Eu estava jogando.

A diversão também vem do improviso. Em muitos jogos táticos, quando você erra uma decisão, você sente que a partida está perdida. Aqui, eu muitas vezes me salvei com criatividade. Um ricochete bem pensado, um tiro que derruba inimigo da plataforma, uma habilidade usada no timing certo, um reposicionamento que abre ângulo. Isso gera histórias. Eu lembro de missões em que eu estava claramente em desvantagem e virei porque acertei um tiro “impossível” que mudou tudo.

O loot e a customização também são uma máquina de dopamina. Eu gostava de terminar missão e ver o que caiu. Gostava de testar arma nova. Gostava de montar um personagem para um estilo específico. E como o jogo te dá liberdade para levar diferentes tripulantes, sempre parecia que eu tinha um plano novo para tentar.

E tem o ritmo. SteamWorld Heist é perfeito para jogar em sessões curtas ou longas. Uma missão aqui, outra ali, e quando você percebe fez várias. É um jogo que encaixa muito bem no portátil justamente porque cada missão tem começo, meio e fim bem definidos.

Performance e Otimização

No Switch, minha experiência com SteamWorld Heist foi bem tranquila. O jogo é leve, responde rápido e mantém a fluidez que eu espero de um tático em 2D. Como o gameplay depende de mira e posicionamento, é importante que comandos sejam precisos, e eu senti tudo bem consistente.

Os carregamentos entre menus e missões são rápidos o suficiente para manter o ritmo. A interface é clara, e navegar entre inventário, equipe e preparação de missão não vira um sofrimento. Isso é algo que eu valorizo muito, porque jogos com loot e equipamento podem virar bagunça se o menu não ajudar.

Também não senti problemas relevantes de travamento ou instabilidade. É aquele tipo de jogo que “só funciona” e te deixa focar no que importa, que é jogar.

Conclusão

SteamWorld Heist foi uma surpresa deliciosa e, sinceramente, um dos táticos mais gostosos que eu já joguei justamente porque ele tem coragem de misturar cérebro com mão. Ele entrega estratégia, mas também entrega habilidade real na hora do disparo. Ele te faz pensar em posicionamento, cobertura e gerenciamento de equipe, mas também te dá aquele prazer imediato de acertar um tiro perfeito.

O visual tem carisma, a trilha sonora é marcante, as missões têm ritmo e a progressão te puxa para frente com loot e evolução do time. E mesmo quando a história é mais simples e direta, ela cumpre o papel de te colocar no clima e te empurrar por um universo estiloso. Para mim, é o tipo de jogo que eu recomendo para quem gosta de táticos, mas também para quem tem medo de tático ser “lento demais”. Aqui, cada turno tem emoção.

Eu recomendo sim, muito. Se você curte estratégia com ação, humor com estilo e um jogo que te recompensa por pensar e por acertar, SteamWorld Heist é uma compra segura e uma ótima pedida no Switch.


Pontos positivos

  • Mira manual e ricochete deixam o combate único e muito satisfatório
  • Missões curtas com ritmo ótimo, perfeito para jogar em sessões rápidas
  • Boa variedade de armas, equipamentos e habilidades, com progressão viciante
  • Direção de arte 2D carismática e com excelente legibilidade
  • Trilha sonora marcante, com clima de faroeste espacial
  • Interface simples e funcional, sem enrolação para gerenciar a tripulação

Pontos negativos

  • A história é legal, mas não é o foco e pode parecer simples para quem busca narrativa profunda
  • Algumas estratégias podem ficar muito fortes quando você encontra certos equipamentos e domina o sistema
  • Quem não curte mirar no analógico pode demorar um pouco para se adaptar, apesar de funcionar bem

Avaliação:
Gráficos: 8.7
Diversão: 9.1
Jogabilidade: 9.2
Som: 9.0
Performance e Otimização: 9.3
NOTA FINAL: 9.1 / 10.0

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