Super Mario 3D All-Stars – Análise (Review)

Super Mario 3D All-Stars – Análise (Review)

7 de janeiro de 2026 Off Por Markus Norat

Eu comprei esse jogo em mídia física em setembro de 2020 (…meu Deus como o tempo passou rápido…), assim que foi lançado, em edição limitada (a Nintendo manteve essa coletânea à venda somente até 31 de março de 2021), para comemorar o aniversário de 35 anos da franquia Super Mario. Na realidade não se trata de um jogo, mas sim de uma coletânea, com compilação de jogos de plataforma 3D do Mario: Super Mario 64 (originalmente lançado em 1996 para o Nintendo 64), Super Mario Sushine (originalmente lançado em 2002 para o GameCube) e Super Mario Galaxy (originalmente lançado em 2007 para o Wii). Apesar de eu já ter jogado todos os jogos dessa coleção na época em que foram lançados para seus consoles originais, fiz questão de adquirir essa coletânea comemorativa para poder jogar novamente, da melhor maneira, através do meu Nintendo Switch; e olhe… eu realmente joguei muito (e ainda jogo), como se fosse a primeira vez.

Ontem eu coloquei esse cartucho no meu Switch para jogar novamente e só então percebi que até hoje eu não tinha fei a análise dessa coletânea, mesmo a possuindo desde o seu lançamento… Não sei porque isso aconteceu, talvez minha empolgação de jogar na época tenha sido tão grande que só joguei e joguei, mas não tinhe escrito nada sobre até então, e por isso, somente agora em 2026 que eu venho corrigir esse erro e publicar esta análise.

Assim como fiz com esta coletânea do Mario, eu sempre compro muitas coletâneas especiais e edições de colecionador de diversos jogos emblemáticos, que marcaram a minha vida de alguma forma, por exemplo, tenho a coletânea do Ori, Jurassic Park, Tomb Raider, Metal Gear Solid, Batman: Arkham, e diversas outras; e, talvez por isso, tenho uma relação meio perigosa com coletâneas clássicas: ou elas me dão aquela sensação de “museu jogável”, em que eu respeito a história mas não consigo mergulhar de verdade, ou elas viram uma máquina do tempo tão bem feita que eu esqueço que estou em 2026 e começo a jogar como se estivesse descobrindo aquilo pela primeira vez. Super Mario 3D All Stars caiu forte no segundo caso. Eu peguei essa coletânea esperando um pacote nostálgico, e acabei encontrando algo que, para mim, funciona quase como um curso intensivo sobre como os jogos 3D evoluíram, direto da fonte, com três jogos que marcaram gerações e que ainda conseguem ser divertidos hoje, cada um do seu jeito.

A ideia aqui é simples e poderosa: colocar em um único cartucho três fases gigantes da história do Mario em 3D. Aqui eu tenho Super Mario 64, que basicamente ensinou o mundo a controlar personagem e câmera em ambiente 3D. Eu tenho Super Mario Sunshine, que é o “estranho carismático” da família, com temática tropical, uma ferramenta que muda tudo e um estilo bem único. E eu tenho Super Mario Galaxy, que para mim continua sendo uma das aventuras mais criativas que a Nintendo já montou, com planetas malucos, gravidade virando brinquedo e uma apresentação que parece evento.

O que eu mais senti jogando foi que essa coletânea não é só “três jogos juntos”. Ela é uma sequência de sensações diferentes. Em um momento eu estou na simplicidade pura do castelo e das pinturas do Mario 64, explorando e testando movimento como se fosse um parquinho. No outro, eu estou limpando uma ilha inteira no Sunshine, escorregando, voando com jatos d’água e tentando manter a sanidade com algumas fases que são difíceis de um jeito específico. E quando eu chego no Galaxy, parece que eu subi de nível em espetáculo e ritmo: é fase atrás de fase, ideia atrás de ideia, com uma fluidez que te puxa sem pedir licença.

Só que, claro, não é uma coletânea perfeita e “moderninha”. Ela tem escolhas bem específicas: não é remake, não é reimaginação, é um conjunto de versões adaptadas para o Switch, com melhorias pontuais e outras coisas que permanecem bem com cara de época. E é exatamente aí que está o charme e também parte das críticas: você sente a história, mas também sente as rugas. Para mim, isso não estragou, só deixou claro que o pacote é uma celebração com limites.

Mecânicas e Jogabilidade

O pacote como experiência de evolução

Antes de falar de cada jogo, eu preciso comentar como é jogar os três em sequência. Eu senti como se estivesse acompanhando a Nintendo “aprendendo” e refinando o 3D. O Mario 64 é a base: movimento solto, exploração livre, estrelas como objetivos espalhados em fases abertas. Sunshine é um desvio ousado: pega a fórmula e coloca uma ferramenta central que muda toda a maneira de navegar e resolver desafios. Galaxy é a maturidade do ritmo: menos aberto, mais guiado, mas com variedade absurda e ideias concentradas.

E isso, para mim, vira uma diversão extra: não é só jogar, é perceber o design mudando. O que o Mario 64 faz com liberdade, o Galaxy faz com direção e criatividade de fase. O que o Sunshine faz com física e ferramenta, o Galaxy faz com gravidade e layout.

Super Mario 64: liberdade, acrobacia e uma câmera que exige paciência

Jogar Super Mario 64 hoje é uma mistura de alegria e “ok, isso aqui é antigo mesmo”, mas no sentido bom. O movimento do Mario é extremamente gostoso. Você sente que ele é uma bolinha de energia: salto triplo, wall kick, mergulho, cambalhota, long jump. Eu passava tempo só brincando no castelo e nos primeiros mundos, testando pulo, subindo em lugares “sem necessidade”, porque a diversão aqui é muito física, muito de controle.

O castelo da Peach como hub é icônico por um motivo: ele te dá curiosidade. Pinturas nas paredes viram portais para fases, portas trancadas te provocam, e os segredos fazem você olhar para cada canto. E dentro das fases, o jogo te dá objetivos chamados Stars, só que em vez de te prender em missão linear, ele te coloca num cenário aberto onde você pode improvisar. Tem estrela que você pega de um jeito, mas se você viu algo brilhando no alto, você pode só… ir lá e tentar.

Agora, a parte mais delicada: câmera e controle de câmera. O Mario 64 foi revolucionário, mas ele carrega o peso de ter inventado a roda. A câmera nem sempre ajuda, principalmente em lugares apertados, plataformas finas ou áreas com muita verticalidade. Eu tive momentos de errar salto não porque eu não sabia pular, mas porque a câmera decidiu um ângulo ruim. O jogo te dá opções de ajuste, mas não é a liberdade moderna de hoje. Então, para curtir Mario 64, eu precisei entrar na mentalidade certa: paciência, pequenas correções, e aceitar que às vezes a luta é contra o ângulo.

Mesmo assim, quando encaixa, é mágico. Pegar uma estrela que exige plataforma precisa, ou explorar um mundo e encontrar um segredo, ainda dá aquele sentimento de aventura pura.

Super Mario Sunshine: FLUDD, química de movimento e desafios que doem

Sunshine é o mais “polêmico” para muita gente, e eu entendo por quê. Mas eu amo o quanto ele é diferente. A Ilha Delfino tem uma vibe leve, ensolarada, e o jogo todo parece um episódio de férias que deu errado, com o Mario sendo acusado de bagunçar tudo e tendo que limpar a sujeira. A ideia de “limpar goop” pode soar boba, mas ela vira mecânica de exploração e puzzle.

O grande astro aqui é o FLUDD, aquela mochila de água que muda tudo. Com ele, eu ganhei um hover que salva saltos, um jato que dá impulso, e outras variações ao longo do jogo. Isso cria uma movimentação muito específica: o Mario vira um personagem que mistura plataforma com controle de recurso. Você tem água, precisa reabastecer, e usa isso para atravessar, ajustar pouso, alcançar lugares e até lutar. Eu me diverti muito com a sensação de “corrigir erro no ar” com o hover, porque dá uma segurança que o Mario 64 não tem.

Só que Sunshine também é um jogo que, às vezes, parece que quer te testar na maldade. Algumas fases especiais, principalmente quando você perde o FLUDD e fica só com sua habilidade pura, são difíceis de um jeito bem seco. A física pode punir, o controle pode escorregar, e a margem de erro em certas plataformas é mínima. Eu morri bastante em alguns desafios e senti aquela frustração clássica de “eu sei o que fazer, só preciso executar perfeito”.

O design de mundo é muito gostoso de explorar, mas a progressão também tem suas particularidades. Tem momentos em que o jogo parece mais “travado” por episódios, e alguns objetivos podem parecer repetitivos ou menos inspirados. Mesmo assim, Sunshine tem um charme absurdo, e quando você domina o FLUDD, o jogo vira uma dança aquática.

Super Mario Galaxy: ritmo, criatividade sem fim e a gravidade como brinquedo

Galaxy, para mim, é onde a coletânea vira espetáculo. A estrutura é mais guiada: você escolhe galáxias e entra em missões mais direcionadas. Só que o que ele perde em liberdade, ele ganha em ritmo e variedade. Cada fase parece uma ideia completa. O jogo não fica tempo demais em um conceito; ele apresenta, explora, e já pula para a próxima coisa absurda.

A gravidade aqui não é só um detalhe visual, é a mecânica principal. Andar em planetas pequenos, correr em superfícies curvas, pular de um corpo para outro, girar para atacar e também para ganhar altura, tudo isso cria uma sensação única. No começo eu estranhei o quanto o jogo parece “segurar” você no planeta, mas depois eu entendi que é justamente isso que deixa a navegação fluida e confiável. Galaxy é uma máquina de “movimento gostoso”.

Os power ups também têm aquele sabor Nintendo de ser simples e marcante. E as fases com desafios de plataforma são muito bem calibradas: tem desafio para iniciante, tem fase que pede precisão, tem segmento de velocidade, tem puzzle de espaço, tem luta contra chefe com leitura clara. Eu senti que Galaxy tem uma inteligência de diversão por minuto muito alta.

Se eu tivesse que criticar algo no controle, é que algumas interações que originalmente dependiam de recursos específicos de controle podem parecer um pouco diferentes dependendo de como você joga no Switch, especialmente no modo portátil versus na TV. Nada que mate o jogo, mas em alguns momentos eu senti que a coletânea está “traduzindo” uma experiência de origem para o Switch, e não reescrevendo do zero.

Gráficos

Como coletânea, Super Mario 3D All Stars é interessante porque eu estou falando de três jogos de épocas diferentes, com filosofias visuais diferentes.

Mario 64

Mario 64 tem aquela simplicidade de começo do 3D: formas mais chapadas, texturas simples, poucos detalhes. Só que a direção de arte segura. Os mundos são coloridos, a leitura é clara, e tem uma identidade muito forte. O castelo é memorável, e os cenários são quase “brinquedos gigantes”. Hoje ele não impressiona por fidelidade, mas impressiona por ser o esqueleto de um gênero inteiro.

Sunshine

Sunshine envelheceu com um charme diferente: ele tem cores vivas, água brilhando, tema tropical, cenários com mais detalhe e um visual que passa sensação de calor. Eu gosto do jeito que a Ilha Delfino parece um lugar de verdade dentro do universo Mario, com praça central, áreas conectadas e uma identidade consistente. E o efeito de limpeza, com a goop sumindo e deixando o ambiente bonito, dá uma satisfação visual real.

Galaxy

Galaxy é o mais “cinematográfico” dos três. As galáxias têm atmosfera, céu estrelado, efeitos de luz, partículas, e uma variedade visual que é absurda. Um minuto você está num planeta pequeno com grama e céu aberto, no outro você está numa estrutura mecânica no espaço, depois em um lugar com lava e gravidade maluca. E o jogo é muito bom em te dar aquele sentimento de escala e fantasia.

No geral, a coletânea não tem cara de remake moderno. Ela tem cara de clássico bem preservado e adaptado. E, para mim, isso funciona porque a força do Mario quase sempre está em direção de arte e leitura de gameplay, não em textura ultra realista.

Som

Aqui eu sinto que a coletânea brilha de um jeito muito consistente: Mario em 3D sempre teve música e efeitos sonoros que grudam.

Mario 64

As músicas são simples, icônicas e instantaneamente reconhecíveis. Os temas das fases aquele clima de aventura inocente, e os efeitos sonoros do Mario pulando, pegando moeda, entrando em cano, tudo isso é praticamente linguagem universal de videogame. É nostálgico, mas também é eficiente: você sabe o que aconteceu pelo som.

Sunshine

Sunshine tem uma trilha com mais “temperatura”, mais groove, mais praiana. Eu adoro como a música combina com o tema tropical sem virar algo repetitivo. E os sons da água, do FLUDD, das limpezas e dos impactos dão um feedback muito gostoso. É um jogo que soa “úmido”, no melhor sentido possível.

Galaxy

Galaxy é onde o som vira épico. A trilha tem um peso emocional enorme, com músicas que parecem de filme. Tem momentos em que eu estava só voando pelo espaço e a música fazia tudo parecer maior do que é. E quando o jogo entra em fases mais tensas ou chefes, a trilha cresce e te coloca no clima de grande aventura. Para mim, Galaxy tem algumas das músicas mais marcantes da história do Mario.

No conjunto, o áudio é um dos motivos pelos quais esses jogos continuam vivos. Você entra neles e, em poucos minutos, já está assobiando alguma coisa.

Diversão

O que mais me divertiu em Super Mario 3D All Stars é que ele entrega três sabores diferentes de diversão, e eu posso escolher de acordo com meu humor.

Se eu quero liberdade e “parquinho de exploração”, eu vou de Mario 64. Ele tem aquele prazer de descobrir, de testar movimento, de entrar numa fase e pegar estrela do meu jeito.

Se eu quero um Mario diferente, com ferramenta central e um mundo mais “coeso” como lugar, eu vou de Sunshine. Ele é o mais esquisito, mas também é o mais único. Quando eu estou no clima do FLUDD, é difícil largar.

Se eu quero ritmo, criatividade e uma sequência constante de fases memoráveis, eu vou de Galaxy. Ele é o que mais parece “jogo moderno” em termos de fluidez e variedade, mesmo sendo um clássico.

Também é muito divertido comparar como cada jogo te ensina. O Mario 64 te solta e confia que você vai aprender brincando. Sunshine te dá uma ferramenta e te pede domínio dela. Galaxy te guia, mas te surpreende com ideias novas o tempo todo.

Agora, eu não vou mentir: parte da diversão depende da sua tolerância a coisas antigas. Mario 64, principalmente, pode frustrar quem está acostumado com câmera perfeita e controles atuais. Sunshine pode irritar em desafios específicos bem punidores. Mas se você entra com a mente de “vou curtir a história do videogame” e aceita a proposta, a diversão é enorme, porque a base do Mario ainda é gostosa demais.

E tem um bônus emocional: é muito forte ver como o Mario 3D nasceu, cresceu e virou espetáculo em um único pacote. Para mim, isso por si só já vale horas de jogo.

Performance e Otimização

No Switch, eu senti a coletânea bem estável no geral, mas cada jogo tem sua “cara” técnica.

Mario 64, por ser mais simples, tende a rodar de forma bem tranquila. O que pode pegar mais é a sensação de controle e câmera, que não é performance, mas afeta como a fluidez é percebida pelo jogador.

Sunshine também roda bem, com boa resposta de comando. Como ele tem áreas mais abertas e água e partículas, dá para notar que ele é mais pesado que o 64, mas ainda assim a experiência é sólida. A parte que mais influencia aqui é a precisão em plataformas: quando você erra, normalmente é execução e física do jogo, não travamento.

Galaxy é o mais “ambicioso” visualmente, mas também me passou uma sensação bem firme de fluidez e resposta. O Switch segura o pacote de forma competente, e o jogo continua sendo extremamente jogável. Em momentos muito carregados de efeitos, eu fico mais atento, mas no geral eu senti confiança para fazer plataformas e movimentos rápidos sem medo de atraso.

Em termos de interface, a coletânea é direta: você escolhe um jogo e vai. Não tem um monte de extras e “museu” cheio de menus pesados. Isso é bom para entrar rápido, mas também pode deixar uma sensação de pacote mais simples do que poderia ser em conteúdo complementar.

Conclusão

Super Mario 3D All Stars foi, para mim, uma coletânea que entrega exatamente o que eu queria: três clássicos gigantes, com suas diferenças e personalidades intactas, em um formato prático para jogar no Switch. Ele não tenta reescrever a história, ele te dá acesso a ela. E isso é poderoso.

Eu recomendo muito, especialmente se você gosta de Mario, se você gosta de plataforma 3D, ou se você quer entender por que esses jogos são tão importantes. Mario 64 é um pedaço vivo da origem do 3D moderno, Sunshine é um experimento cheio de estilo que muita gente aprendeu a amar com o tempo, e Galaxy é uma aula de criatividade e ritmo que ainda hoje parece especial.

O único aviso honesto é alinhar expectativa: não é remake, então você vai sentir idade em controles e câmera, principalmente no Mario 64. E Sunshine tem seus momentos “estressantes” que podem dividir opiniões. Mas, no saldo final, a coletânea é uma viagem divertida, histórica e cheia de fases que ainda dão vontade de rejogar só pelo prazer de controlar o Mario.

Se você curte plataforma e quer um pacote com três jogos que mudaram o gênero, eu considero recomendado sim.


Pontos positivos

  • Três clássicos enormes e diferentes no mesmo pacote, com muito conteúdo e variedade
  • Super Mario Galaxy continua sendo absurdamente criativo e com trilha sonora épica
  • Super Mario 64 ainda é divertido pela liberdade e pelo movimento acrobático
  • Super Mario Sunshine tem identidade única, com FLUDD criando uma jogabilidade muito própria
  • Ótima “linha do tempo jogável” para ver a evolução do Mario 3D
  • Performance geral sólida no Switch, com boa resposta de controles na maior parte do tempo

Pontos negativos

  • Super Mario 64 pode frustrar pela câmera e por decisões antigas de controle e leitura
  • Super Mario Sunshine tem desafios específicos bem punitivos e uma física que nem sempre perdoa
  • Coletânea é bem “seca” em extras e conteúdo de bastidores, para quem esperava um pacote mais completo nesse sentido
  • Alguns elementos de controle em Galaxy podem depender do modo de jogo e do conforto do jogador com o esquema escolhido

Avaliação:
Gráficos: 8.4
Diversão: 9.2
Jogabilidade: 8.8
Som: 9.4
Performance e Otimização: 9.0
NOTA FINAL: 8.9 / 10.0

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