Borderlands 4 – Análise (Review)
12 de setembro de 2025| FICHA DO JOGO: Lançamento: 12 de setembro de 2025 (PC, PS5 e Xbox Series X|S) / 3 de outubro de 2025 (Nintendo Switch 2) Jogadores: 1 jogador (modo solo) / até 4 jogadores online / até 2 jogadores em tela dividida (somente no PS5 e Xbox Series X|S) Gênero: Looter Shooter / RPG de Ação / FPS Desenvolvedora: Gearbox Software Publicadora: 2K Games Idiomas disponíveis: Português (legendas e menus), Inglês, Espanhol, Francês, Alemão, Italiano, Japonês, entre outros Disponível nas plataformas: PC (Steam e Epic Games Store), PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 Classificação Indicativa: 18 anos Jogo analisado na plataforma: PC |
Desde que Borderlands 3 foi lançado, confesso que fiquei com uma sensação estranha. A franquia, que sempre foi um marco dos looter shooters, parecia ter perdido parte do brilho que conquistou milhões de jogadores em Borderlands 2. Por isso, quando Borderlands 4 foi anunciado, fiquei empolgado, mas ao mesmo tempo preocupado. Será que a Gearbox conseguiria corrigir os erros do passado e entregar algo que realmente evoluísse a série? Após mais de 70 horas mergulhado no caos de Kairos, posso dizer com tranquilidade que não só consegui a resposta, como fui surpreendido por uma experiência que me fez redescobrir tudo o que amo na franquia.
Joguei Borderlands 4 no computador, utilizando uma RTX 4070, processador i7 de 12ª geração e 32 GB de RAM. Essa experiência me permitiu vivenciar cada detalhe gráfico, sonoro e mecânico de forma intensa, explorando desde os primeiros passos na campanha até os desafios mais brutais do endgame. Borderlands 4 é uma verdadeira reinvenção que mistura tradição e inovação em doses quase perfeitas.
Mecânicas e Jogabilidade
Se existe algo que define Borderlands, além de suas piadas e personagens excêntricos, é a jogabilidade caótica e viciante. Em Borderlands 4, a Gearbox conseguiu elevar o combate a um novo patamar, transformando cada confronto em um verdadeiro espetáculo de destruição. A base do gameplay continua sendo o tiroteio frenético aliado ao sistema de loot, mas agora com diversas camadas adicionais que tornam a experiência mais profunda e variada.
A primeira grande mudança está na movimentação. Agora é possível realizar dashes em quatro direções, usar um duplo salto e até planar por curtos períodos. O novo grappling hook, apesar de limitado a pontos específicos do cenário, adiciona momentos estratégicos durante os combates e na exploração. É possível, por exemplo, puxar barris explosivos em direção aos inimigos e arremessá-los de volta, criando situações de caos ainda maiores. Essa mobilidade extra traz um ritmo muito mais dinâmico às batalhas, permitindo estratégias criativas que simplesmente não eram possíveis antes.
O combate em si está mais visceral do que nunca. A sensação ao disparar as armas é impecável, com cada fabricante trazendo características únicas que impactam diretamente o gameplay. Agora, além das diferenças clássicas, as armas podem combinar atributos de marcas diferentes, criando híbridos absurdos. Lembro-me de uma escopeta da Jakobs que, ao acertar um tiro crítico, fazia o projétil ricochetear entre inimigos próximos, causando uma sequência de explosões em cadeia. O jogo constantemente recompensa a experimentação, e isso torna cada nova arma encontrada um momento emocionante.
Falando em armas, a variedade está em outro nível. São bilhões de combinações possíveis, com a adição de modos de disparo alternativos que permitem transformar uma SMG em um lança-chamas ou uma sniper em uma arma automática. É uma verdadeira festa de criatividade que mantém o jogador sempre ansioso pelo próximo drop lendário. Além disso, o ritmo de obtenção de equipamentos foi ajustado: itens de raridade máxima não aparecem em excesso no início da campanha, o que mantém a sensação de conquista viva durante toda a jornada.
Os quatro novos Vault Hunters são outro destaque. Cada um tem três árvores de habilidades, e suas mecânicas são profundas o suficiente para incentivar múltiplos estilos de jogo. Escolhi começar com Vex, a nova Siren, e fiquei impressionado com a variedade de builds possíveis. Uma das minhas favoritas foi focada em clones espectrais, que atacam automaticamente enquanto eu controlava o campo de batalha de forma estratégica. Essa liberdade de personalização é algo que os fãs mais dedicados vão adorar, especialmente no endgame, onde otimizar builds se torna essencial.
As missões principais têm uma estrutura mais aberta, permitindo escolher a ordem em que algumas áreas serão exploradas. Além disso, as missões secundárias estão mais criativas do que nunca, fugindo da repetitividade vista no jogo anterior. Há momentos genuinamente engraçados, emocionantes e até bizarros, que reforçam a identidade única da série. E mesmo quando o humor não acerta em cheio, ele nunca chega a incomodar como em Borderlands 3.
Por fim, vale destacar o sistema de progressão após o término da campanha. Borderlands 4 oferece modos desafiadores com escalas de dificuldade crescentes, recompensando o jogador com equipamentos raríssimos e incentivando o jogo em grupo. É o tipo de conteúdo que pode facilmente prender os fãs por centenas de horas, especialmente para aqueles que gostam de grind e teorias de builds.
Gráficos
A transição para a Unreal Engine 5 trouxe um salto visual significativo, mantendo o icônico estilo cel-shading que tornou a série inconfundível, mas agora com muito mais detalhamento e profundidade. Kairos, o novo planeta, é um espetáculo à parte. Cada uma das regiões apresenta identidade visual própria, desde desertos áridos até montanhas geladas e cidades futuristas repletas de neon.
Os cenários são vastos e repletos de detalhes, com elementos que contam histórias por si só. Em uma área devastada por batalhas, é possível ver destroços de naves e marcas de explosões no solo, criando uma atmosfera imersiva que reforça a narrativa. O ciclo dinâmico de dia e noite e os efeitos climáticos, como tempestades de areia e chuvas torrenciais, trazem uma sensação de mundo vivo que incentiva a exploração.
Os modelos dos personagens estão mais expressivos e bem animados. Durante diálogos importantes, é possível perceber nuances nas expressões faciais que antes não existiam na franquia. Os inimigos também receberam atenção especial, com designs criativos e animações fluídas que tornam cada combate visualmente impactante.
Mesmo em meio ao caos de explosões, poderes e dezenas de inimigos na tela, o jogo consegue manter sua identidade artística única. Borderlands 4 não tenta ser realista, mas seu estilo cartunesco foi aprimorado de forma impressionante, tornando-o uma verdadeira obra de arte interativa.
Som
O áudio de Borderlands 4 é outro ponto que merece elogios. A trilha sonora acompanha perfeitamente a ação, alternando entre músicas intensas durante batalhas e composições mais sutis nas áreas de exploração. Cada região possui temas próprios, ajudando a criar uma atmosfera única e memorável.
Os efeitos sonoros das armas são incrivelmente satisfatórios. Cada disparo tem peso e personalidade, permitindo identificar o tipo de arma apenas pelo som. Explosões, gritos de inimigos e os ruídos do ambiente trabalham em conjunto para criar uma experiência auditiva imersiva.
O trabalho de dublagem também é digno de destaque. Tanto os novos personagens quanto os veteranos da franquia têm vozes marcantes e atuações cheias de emoção. O humor característico da série é potencializado por performances cheias de energia, e mesmo as piadas mais bobas funcionam graças à entrega dos dubladores.
Joguei com o áudio em inglês, mas testei rapidamente a dublagem em português e fiquei positivamente surpreso com a qualidade. É um grande avanço em relação a títulos anteriores, mostrando o cuidado da Gearbox em oferecer uma experiência completa para os jogadores brasileiros.
Diversão
Poucos jogos conseguem oferecer um ciclo de diversão tão viciante quanto Borderlands 4. A sensação de encontrar uma arma lendária, experimentar novas combinações de habilidades e enfrentar hordas de inimigos em tiroteios frenéticos é algo que dificilmente cansa.
A campanha principal já é robusta, com cerca de 40 a 50 horas de duração dependendo do estilo de jogo. Mas o que realmente mantém o jogador engajado é o conteúdo pós-game, que adiciona desafios ainda mais complexos e recompensas tentadoras. Jogar em grupo eleva a experiência a outro nível, transformando cada missão em uma verdadeira festa do caos.
Borderlands 4 também sabe equilibrar momentos de humor e emoção. Algumas missões secundárias são hilárias, com piadas absurdas que remetem aos melhores momentos da série. Outras surpreendem com narrativas mais sérias, explorando temas como perda, sacrifício e resistência. Essa variedade garante que o jogador nunca se sinta entediado ou sobrecarregado por um único tom narrativo.
Mesmo jogando sozinho, me diverti imensamente. O jogo se adapta bem ao estilo solo, embora seja evidente que a experiência foi pensada para brilhar em co-op. Ainda assim, a progressão é gratificante independentemente da forma como se joga.
Performance e Otimização
Aqui reside um dos poucos pontos problemáticos de Borderlands 4. Apesar de rodar bem na maior parte do tempo, percebi quedas de framerate em áreas muito populosas ou durante combates extremamente caóticos. Esses momentos não chegaram a prejudicar minha experiência, mas são perceptíveis e podem incomodar jogadores mais exigentes.
Durante os primeiros dias, também enfrentei alguns crashes ocasionais, principalmente ao alternar rapidamente entre menus ou durante viagens rápidas. Felizmente, patches recentes já corrigiram parte desses problemas, e a Gearbox prometeu atualizações constantes para melhorar a estabilidade.
Outro detalhe é que, mesmo com hardware potente, senti que o jogo exige mais do que deveria. Em configurações ultra, meu PC manteve uma média de 90 FPS, mas em 4K houve quedas notáveis que só foram suavizadas após ajustes no DLSS.
Ainda assim, considerando a complexidade gráfica e o tamanho do mundo aberto, o desempenho geral é satisfatório, e acredito que futuras atualizações trarão melhorias significativas.
Conclusão
Borderlands 4 é tudo o que os fãs da série poderiam desejar e muito mais. Ele consegue resgatar a essência que tornou a franquia um fenômeno, ao mesmo tempo em que introduz inovações ousadas que a projetam para o futuro. A jogabilidade está mais dinâmica e viciante do que nunca, os gráficos são impressionantes, e o conteúdo é vasto o suficiente para manter os jogadores engajados por meses.
Mesmo com alguns problemas de performance, a experiência como um todo é tão divertida e recompensadora que esses defeitos acabam se tornando secundários. Se você gosta de tiroteios caóticos, loot infinito e personagens carismáticos, Borderlands 4 é simplesmente imperdível.
Eu recomendo sem hesitar, tanto para veteranos da série quanto para novatos que querem conhecer um dos universos mais loucos e criativos dos videogames.
Pontos Positivos:
- Combate frenético e extremamente satisfatório
- Variedade absurda de armas e builds
- Mundo aberto cheio de segredos e eventos dinâmicos
- Trilha sonora e dublagem de alta qualidade
- Campanha longa e conteúdo pós-game robusto
- Melhor equilíbrio entre humor e narrativa séria na história
Pontos Negativos:
- Quedas de framerate em momentos muito caóticos
- Alguns crashes ocasionais no lançamento
- Exigência de hardware acima do esperado para PCs
Avaliação:
Gráficos: 9.5
Diversão: 9.8
Jogabilidade: 9.7
Som: 9.4
Performance e Otimização: 8.0
NOTA FINAL: 9.3 / 10.0
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