Halo: Campaign Evolved – Review (Xbox Series X, PS5 e PS5 PRO)

Halo: Campaign Evolved – Review (Xbox Series X, PS5 e PS5 PRO)

24 de julho de 2026 Off Por Markus Norat

Halo: Campaign Evolved é daqueles lançamentos que carregam um peso enorme nas costas antes mesmo de o primeiro disparo ser dado. Estamos falando do remake completo de um dos jogos mais importantes da história dos consoles, aquele título que ajudou a colocar o primeiro Xbox no mapa lá em 2001 e que, de quebra, moldou boa parte do que hoje entendemos como shooter em primeira pessoa em consoles. Dessa vez, porém, existe uma camada extra de curiosidade envolvendo esse relançamento: pela primeira vez na história, Master Chief desembarca oficialmente em um console da Sony. Joguei a campanha tanto no Xbox Series X quanto no PlayStation 5 (e ainda em um PS5 PRO), testando tudo, desde o desempenho gráfico até o uso dos recursos específicos de cada controle, e o resultado dessa comparação é justamente o que quero trazer nesta análise.

A proposta da Halo Studios aqui não é reinventar a roda. Não estamos diante de um Resident Evil 2 remake, que transformou completamente a estrutura do jogo original. O que temos é uma reconstrução do zero, feita na Unreal Engine 5, mantendo a espinha dorsal da campanha de 2001 praticamente intacta, mas revisitando gráficos, som, controles, algumas partes do level design e adicionando um bloco generoso de conteúdo inédito. É um equilíbrio difícil de acertar, porque qualquer decisão errada pode tanto descaracterizar o que fez do jogo original algo especial quanto deixar a experiência datada demais para os padrões de 2026. Depois de terminar tanto a campanha clássica quanto as missões extras, em dificuldades diferentes, em solo e em cooperativo, nas duas plataformas, cheguei à conclusão de que o estúdio acertou na mão em praticamente tudo que se propôs a fazer, ainda que existam alguns pontos que incomodam e que vou detalhar ao longo desta análise, além de algumas diferenças interessantes entre as versões.

A história permanece essencialmente a mesma que qualquer veterano da franquia já conhece de cor, independente de qual controle você tem na mão. Sou o Master Chief, o supersoldado Spartan que sobrevive à destruição da nave Pillar of Autumn junto com a inteligência artificial Cortana, e acabo caindo em um misterioso mundo em formato de anel conhecido como Halo. A partir daí, a trama vai revelando aos poucos os segredos daquela estrutura gigantesca, ao mesmo tempo em que a guerra contra a aliança alienígena Covenant se intensifica e uma ameaça ainda mais perigosa, o Flood, entra em cena para virar tudo de cabeça para baixo. É uma narrativa simples na superfície, quase minimalista se comparada aos padrões narrativos de hoje, mas que ainda funciona muito bem justamente por confiar no ambiente e no mistério para conduzir o jogador, sem depender de horas de cutscenes ou diálogos explicativos.

Mecânicas e Jogabilidade

É aqui que sinto que o trabalho da Halo Studios mais se destaca, porque mexer na jogabilidade de um clássico tão amado é sempre um risco enorme. A base continua sendo exatamente aquele combate que ficou famoso por equilibrar armas de fogo, granadas e ataques corpo a corpo em um ciclo constante de decisões rápidas. Encarar um Elite continua sendo um ritual: primeiro descarrego a munição para quebrar o escudo dele, depois finalizo com um soco ou um tiro certeiro na cabeça. Os Grunts continuam sendo covardes deliciosos de enfrentar, fugindo em desespero quando o líder deles morre, e os Jackals seguem obrigando o jogador a pensar em como contornar aqueles escudos de energia antes de atacar. Essa variedade de comportamento entre as raças do Covenant é um dos maiores trunfos do jogo, e o remake preserva isso com muita fidelidade em ambas as plataformas.

O que muda, e muda bastante, são os acréscimos de qualidade de vida e mecânicas emprestadas de jogos posteriores da franquia. Agora consigo correr, algo que simplesmente não existia no original e que faz muita diferença na exploração dos cenários mais abertos. Também posso mirar de forma mais precisa com qualquer arma através de um sistema de mira aproximada, diferente da limitação antiga de zoom apenas em armas específicas. A recuperação de vida automática substituiu os kits médicos, funcionando de forma parecida com a regeneração de escudo que já existia. O arsenal também recebeu um reforço generoso, trazendo armas que só apareceriam em jogos futuros da série, como o Fuzil de Batalha, o Fuzil de Agulhas, o Canhão de Combustível e, o mais marcante de todos, a Espada de Energia dos Elites. Além disso, agora é possível sequestrar veículos inimigos, incluindo o temido tanque Wraith do Covenant, uma mecânica que abre novas possibilidades táticas em confrontos que antes só podiam ser resolvidos de um jeito.

No controle do Xbox Series X, essa jogabilidade responde exatamente como eu esperava, com uma sensação de familiaridade quase instantânea, já que os padrões de botões e a curva de vibração seguem a linha que a própria franquia sempre utilizou em consoles Xbox. Já no DualSense do PlayStation 5, a experiência de jogar é igualmente sólida, mas senti falta de um uso mais criativo dos gatilhos adaptativos e da vibração háptica. Nenhuma arma oferece resistência real ao apertar o gatilho, e o feedback tátil não é muito diferente do que qualquer vibração tradicional de outros controles ofereceria. É uma pena, porque justamente esse seria um dos maiores diferenciais que a versão de PlayStation poderia ter oferecido para se destacar frente à experiência no Xbox.

Nem tudo é perfeito em nenhuma das duas versões, aliás. A condução dos veículos ainda deixa a desejar, principalmente o Warthog, que em determinados momentos parece ter vida própria, derrapando e quase capotando em curvas que deveriam ser simples, e esse comportamento se repete de forma idêntica tanto no controle da Microsoft quanto no da Sony. Também notei alguns problemas pontuais de checkpoint nas duas versões, sendo reposicionado no meio de um tiroteio caótico logo após morrer, sem tempo nenhum de reação, o que gerou algumas mortes seguidas bastante frustrantes independente da plataforma escolhida.

Gráficos

Visualmente, esse é sem dúvida o salto mais evidente e impressionante do remake, e aqui as duas versões entregam resultados muito parecidos, com pequenas nuances que valem a pena mencionar. A reconstrução completa na Unreal Engine 5 transformou cada cenário do anel em algo que impressiona de verdade. As áreas externas, com vegetação densa, iluminação dinâmica e efeitos de partículas convincentes, transmitem uma sensação de escala que o jogo original jamais conseguiria alcançar com o hardware da época. Ver o próprio Halo curvando o horizonte lá no céu, enquanto avanço por vales cobertos de neve ou florestas incendiadas, continua sendo um dos momentos mais marcantes que tive em muito tempo com um shooter, tanto em uma plataforma quanto na outra.

No Xbox Series X, joguei alternando entre o modo qualidade e o modo desempenho, e a diferença visual entre os dois não chega a ser tão gritante a ponto de me convencer a abrir mão da fluidez. No PlayStation 5 Pro, que aproveita o reescalonamento via PSSR, e o resultado também é bastante satisfatório, com uma nitidez de imagem que segura bem a comparação lado a lado com a versão da Microsoft. Em unidades padrão do PlayStation 5, é possível notar um leve aumento de ruído em superfícies metálicas e com reflexos, algo que fica um pouco menos perceptível no Xbox Series X.

As cutscenes também foram completamente refeitas, com uma direção de câmera muito mais cinematográfica, novas sessões de captura de movimento e uma qualidade de animação facial que deixa personagens como Cortana e o Capitão Keyes muito mais expressivos do que eram há duas décadas e meia, e esse trabalho é idêntico em ambas as plataformas, já que se trata do mesmo material audiovisual. Existe, sim, uma transição perceptível entre a qualidade dessas cenas pré-renderizadas e o visual durante o gameplay, mas isso não chega a incomodar de forma significativa, sendo mais uma curiosidade técnica do que um problema real, e vale tanto para quem joga no controle verde quanto para quem joga no controle azul.

A direção de arte, no entanto, divide um pouco minha opinião, independentemente da plataforma. As instalações dos Forerunners ganharam um acabamento mais metálico e polido, algo que alguns fãs de longa data podem estranhar por fugir um pouco daquela estética mais bruta e misteriosa do original. Por outro lado, ambientes como a temida Biblioteca receberam um tratamento visual muito mais orgânico e perturbador, reforçando a presença do Flood de uma maneira que o jogo de 2001 simplesmente não tinha capacidade técnica de fazer.

Som

A trilha sonora continua sendo um dos maiores trunfos dessa franquia, e aqui ela retorna remasterizada, mantendo aquela mistura icônica de coros, percussão tribal e composições orquestrais que definiram a identidade sonora de Halo desde o primeiro instante. Só de ouvir aquele tema principal tocando na tela inicial, senti um arrepio de nostalgia daqueles que fazem qualquer fã da série sorrir sozinho, e essa sensação se repetiu exatamente da mesma forma tanto ligando o Xbox quanto ligando o PlayStation.

O trabalho de dublagem foi completamente refeito, com atores retornando para regravar suas falas de forma mais natural e convincente. Cortana ganhou uma interpretação mais humana, os marines continuam soltando comentários engraçados e desesperados durante o combate, e as vozes das diferentes raças do Covenant mantêm aquele equilíbrio entre humor e ameaça que sempre foi uma marca registrada da série. Os efeitos sonoros das armas também foram atualizados, e cada uma delas mantém uma identidade única, permitindo reconhecer o que está disparando só pelo som, mesmo em meio ao caos de uma batalha grande.

A única diferença real entre as duas versões nesse quesito fica por conta do áudio 3D e da tecnologia Tempest do PS5, que entrega uma sensação de direcionamento sonoro ligeiramente mais precisa quando jogado com um bom fone de ouvido, ajudando a identificar de onde vem um tiro de plasma ou um grito de um Grunt se aproximando pela lateral. No Xbox Series X, o resultado sonoro também é excelente e envolvente, mas sem esse diferencial específico de processamento espacial, algo que depende mais do equipamento de áudio utilizado pelo jogador do que propriamente de uma limitação da versão em si.

Diversão

Aqui é onde Halo realmente mostra para que veio ao mundo, e isso vale igualmente para quem vai jogar no console da Microsoft ou no console da Sony. A sensação de liberdade dentro dos combates continua sendo algo raro de se encontrar em shooters modernos. Os cenários mais abertos funcionam quase como pequenas arenas, onde posso escolher se vou avançar de frente, flanquear pelas laterais, usar um veículo para atropelar a resistência ou simplesmente ficar de longe usando um rifle de precisão enquanto os inimigos brigam entre si. Essa filosofia de design, que já era inovadora há vinte e cinco anos, ainda funciona surpreendentemente bem e prova que um bom shooter não precisa necessariamente de um mundo aberto gigantesco para ser envolvente.

As três novas missões que compõem a Operação Meteorite são um dos maiores destaques desse pacote. Ambientadas um ano antes dos eventos principais, elas me colocam ao lado do carismático Sargento Johnson em uma infiltração dentro de uma nave do Covenant, introduzindo os Brutes antes mesmo de sua estreia oficial na franquia e culminando em uma sequência de combate espacial que eu não esperava encontrar em um jogo de Halo. É um conteúdo mais compacto, mas extremamente bem construído, e joguei essas três missões inteiras tanto no Xbox quanto no PlayStation sem notar qualquer diferença de conteúdo ou de qualidade entre as duas experiências.

A rejogabilidade também merece elogios. Com quarenta e duas caveiras espalhadas pelos cenários, incluindo tanto veteranas conhecidas quanto novidades, o modo Campanha Remix embaralha completamente a disposição de inimigos, armas e até a relação entre as facções, criando situações inéditas mesmo para quem já decorou cada corredor da campanha original. Some a isso o cooperativo, seja em tela dividida com um amigo no sofá ou online com até quatro jogadores com crossplay completo entre as plataformas, e temos um pacote com uma quantidade de horas de diversão que vai muito além das dez ou doze horas da campanha principal. Inclusive, joguei uma sessão cooperativa com um amigo no Xbox enquanto eu estava no PlayStation, e a integração entre as duas versões funcionou de forma impecável, sem nenhum tipo de atrito perceptível.

O maior ponto negativo nessa seção, sem dúvida, é a ausência total de um modo multijogador competitivo. Para uma franquia que ajudou a popularizar o multiplayer online em consoles, sentir falta dessa opção é inevitável, mesmo entendendo que o foco declarado desse remake sempre foi a campanha, e essa lacuna é sentida da mesma forma em qualquer plataforma escolhida.

Performance e Otimização

Aqui é onde encontrei as diferenças mais relevantes entre as duas versões. No Xbox Series X, o modo desempenho entrega uma taxa de quadros que fica bem próxima dos sessenta frames na maior parte do tempo, com quedas pontuais apenas em situações de caos extremo, com muitos inimigos, explosões e veículos em cena simultaneamente. O modo qualidade, por sua vez, prioriza fidelidade visual em detrimento da fluidez, e particularmente prefiro sempre manter o desempenho ligado, já que um shooter como esse se beneficia muito mais de uma resposta mais rápida do que de alguns pixels a mais de definição. O cooperativo em tela dividida no Xbox fica travado em trinta quadros por segundo em ambos os modos gráficos, o que é compreensível dado o esforço extra de renderizar duas telas simultâneas.

No PlayStation 5 Pro, a experiência de desempenho também se mostrou bastante sólida, mantendo os sessenta quadros por segundo firmes durante a maior parte da campanha, com quedas visíveis apenas em momentos muito específicos de combate intenso em áreas abertas. Já em um PlayStation 5 padrão, a estabilidade cai um pouco mais em comparação ao Xbox Series X, especialmente em cenas com muita vegetação e efeitos de iluminação simultâneos, ainda que nada que comprometa a jogabilidade de forma grave.

Encontrei alguns pequenos problemas técnicos ao longo da campanha em ambas as plataformas, como leves engasgos durante certas cutscenes, uma ocasional perda de sincronia entre áudio e vídeo após pausar o jogo, e um inimigo ou outro que simplesmente sumiu da tela em determinados momentos. Nada que tenha comprometido meu progresso ou me forçado a reiniciar alguma missão, mas são detalhes que mostram que ainda existe espaço para polimento em futuras atualizações, independentemente de qual console você utiliza.

Depois de tudo isso, minha conclusão é que Halo: Campaign Evolved cumpre exatamente aquilo a que se propõe, seja no console que ajudou a criar a franquia ou no console que recebe Master Chief pela primeira vez em sua história. Ele não tenta reinventar o que já funcionava, mas também não se acomoda em ser apenas um polimento gráfico como aconteceu com a edição de aniversário lançada anos atrás. É um remake construído com respeito genuíno pelo material original, entendendo perfeitamente o que fez daquele jogo de 2001 algo tão especial, e ao mesmo tempo corajoso o suficiente para trazer melhorias que fazem sentido para os padrões atuais.

Para quem já é fã de longa data e possui um Xbox Series X, essa continua sendo a experiência mais tradicional e ligeiramente mais estável de se jogar. Para quem está no ecossistema PlayStation e nunca teve a chance de conhecer essa franquia, o PlayStation 5, especialmente na versão Pro, entrega uma experiência quase idêntica em qualidade, ainda que com um aproveitamento mais tímido dos recursos exclusivos do DualSense. Recomendo em ambas as plataformas (até porque não podia ser diferente, pois o jogo é ultra TOP e os proprietários do console da Sony têm muita sorte de receber um jogos maravilhoso desses em seu console), mesmo reconhecendo que a ausência do multiplayer competitivo e alguns problemas pontuais de design e otimização impedem que essa experiência seja absolutamente impecável em qualquer um dos dois consoles.

Pontos positivos:

  • Combate continua extremamente satisfatório, equilibrando armas, granadas e ataques corpo a corpo
  • Reconstrução gráfica na Unreal Engine 5 impressiona em cenários abertos e cutscenes, tanto no Xbox quanto no PlayStation
  • Trilha sonora remasterizada e dublagem refeita com muita qualidade
  • Operação Meteorite entrega um conteúdo extra curto, porém muito bem construído
  • Alta rejogabilidade graças às caveiras e ao modo Campanha Remix
  • Cooperativo local e online funcionando muito bem, com crossplay perfeito entre plataformas
  • Adição de armas e mecânicas de jogos posteriores encaixa naturalmente na experiência original
  • Desempenho estável em ambos os consoles, com destaque para o Xbox Series X e o PlayStation 5 Pro

Pontos negativos:

  • Ausência de modo multijogador competitivo em qualquer plataforma
  • Condução de veículos, especialmente o Warthog, ainda apresenta instabilidade
  • Alguns checkpoints mal posicionados geram mortes injustas em sequência
  • Pequenos bugs técnicos pontuais, como sincronização de áudio e inimigos desaparecendo
  • Level design de certos trechos ainda revela a idade do projeto original, com corredores repetitivos
  • Recursos do DualSense pouco explorados na versão de PlayStation 5
  • PlayStation 5 padrão apresenta pequena queda de estabilidade gráfica em comparação ao Xbox Series X e ao PS5 Pro

Avaliação:

Avaliação no Xbox Series X:
Gráficos: 10.0
Diversão: 9.8
Jogabilidade: 9.1
Som: 9.9
Performance e Otimização: 8.7
NOTA FINAL: 9.5 / 10.0