The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered – Análise (Review)

The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered – Análise (Review)

13 de agosto de 2026 Off Por Markus Norat

Eis que a Bethesda lançou The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered para os consoles atuais e na versão para o Nintendo Switch 2, o game veio completo dentro do cartucho, e isso, por si só, já é uma maravilha nos tempos de hoje.

Oblivion Remastered nos proporciona uma experiência curiosa, porque parece existir entre dois períodos diferentes da história dos videogames. De um lado, temos um RPG originalmente lançado em 2006, com sistemas, comportamentos de personagens e limitações que pertencem claramente a outra época. Do outro, existe uma apresentação completamente renovada, construída para parecer muito mais próxima dos grandes jogos atuais da Bethesda. O resultado é um título que consegue ser visualmente moderno, mas que continua carregando boa parte da personalidade, das imperfeições e das esquisitices do jogo original.

Depois de explorar Cyrodiil, ficou claro para mim que esta versão não tenta transformar Oblivion em um jogo completamente diferente. A proposta é preservar sua estrutura, suas histórias, seus personagens e sua liberdade, enquanto melhora a aparência, ajusta alguns sistemas e oferece uma experiência mais confortável para quem chega agora. O problema é que algumas características antigas continuam presentes de maneira bastante evidente. Em certos momentos, isso reforça o charme do jogo. Em outros, revela limitações que poderiam ter sido corrigidas com mais cuidado.

A história começa de forma marcante, com o jogador preso em uma cela e envolvido em uma situação que rapidamente se transforma em uma crise de proporções enormes. O encontro com o Imperador Uriel Septim, interpretado pela voz de Patrick Stewart, estabelece imediatamente um tom épico. O protagonista recebe o Amuleto dos Reis e precisa encontrar Martin Septim, enquanto portais para uma dimensão demoníaca começam a surgir por toda Cyrodiil.

A narrativa principal funciona bem porque combina política, fantasia, batalhas de grande escala e uma ameaça que afeta o mundo inteiro. Ainda assim, o que mais me prendeu não foi necessariamente a história central, mas a maneira como ela divide espaço com todas as outras possibilidades. Eu podia sair para cumprir um objetivo importante, avistar uma construção no horizonte, encontrar uma caverna, descobrir um grupo de inimigos, pegar uma missão inesperada e passar horas sem lembrar qual era o motivo original de ter deixado a cidade.

Essa liberdade continua sendo o coração de Oblivion. O jogo não exige que eu siga uma rota única nem tenta controlar cada minuto da experiência. Cyrodiil funciona como um grande espaço de exploração, cheio de ruínas, masmorras, fortalezas, cidades, acampamentos, fazendas, cavernas e locais que podem ser encontrados apenas porque decidi caminhar em uma determinada direção.

A remasterização também inclui as expansões Knights of the Nine e Shivering Isles. A primeira adiciona uma história relacionada a uma armadura mística e a uma ameaça de natureza religiosa. Já Shivering Isles amplia consideravelmente a experiência, levando o jogador a um território governado por Sheogorath, uma figura tão excêntrica quanto imprevisível. Essa expansão possui uma identidade visual própria, novos personagens, missões diferentes e uma atmosfera que se distancia bastante do restante de Cyrodiil. Somando o conteúdo principal, as facções e as expansões, existe material suficiente para dezenas de horas de jogo.

Mecânicas e Jogabilidade

Oblivion Remastered mantém uma estrutura de RPG em mundo aberto que permite montar o personagem de muitas maneiras. Eu pude escolher raça, aparência, classe, atributos e habilidades, criando desde um guerreiro especializado em armas pesadas até um personagem furtivo, voltado para arco, alquimia e magia. Também é possível misturar estilos, embora essa liberdade possa gerar personagens pouco eficientes dependendo da forma como as habilidades são desenvolvidas.

O sistema de evolução continua baseado no uso das habilidades. Se eu uso bastante uma arma, melhoro naquela categoria. Se passo muito tempo lançando feitiços, avanço nas respectivas escolas de magia. Se me dedico à furtividade, ao bloqueio ou à alquimia, essas atividades também influenciam o crescimento do personagem. Essa abordagem é intuitiva porque a evolução acompanha aquilo que eu realmente faço durante o jogo, em vez de depender apenas de pontos distribuídos em uma tela.

Ao mesmo tempo, o sistema pode produzir situações complicadas. O jogador sobe de nível ao desenvolver determinadas habilidades, mas os inimigos também ficam mais fortes. Isso significa que evoluir nem sempre representa uma vantagem absoluta. Em alguns momentos, eu encontrei adversários muito resistentes porque meu personagem não estava equilibrado para acompanhar o aumento da dificuldade. A escolha das habilidades principais, dos atributos e dos equipamentos pode tornar a experiência muito mais fácil ou muito mais difícil.

A necessidade de dormir para aplicar os pontos de evolução também ajuda a manter uma conexão maior com o personagem. Não é uma mudança profunda, mas cria uma pequena pausa entre uma fase e outra do desenvolvimento. A sensação de crescimento é mais concreta quando percebo que meu personagem passou a resistir melhor, causar mais dano ou utilizar feitiços mais poderosos.

O combate recebeu melhorias nas animações e na sensação dos golpes, mas continua sendo um dos aspectos mais antigos do jogo. Ataques físicos ainda podem parecer repetitivos, e muitas batalhas se resumem a alternar entre golpes, bloqueios, esquivas e recuos. O impacto das armas está mais claro do que na versão original, porém falta a precisão e a resposta imediata encontrada em RPGs mais recentes.

Eu também senti que o combate corpo a corpo funciona melhor quando combino ataque e defesa com inteligência. Partir para cima de qualquer inimigo golpeando sem parar costuma ser uma estratégia pouco interessante. Bloquear no momento certo, recuar, observar o padrão do adversário e utilizar magia ou poções pode fazer uma diferença enorme.

A magia oferece uma variedade maior de possibilidades. Posso lançar feitiços ofensivos, restaurar vida, melhorar atributos, alterar condições do ambiente, invocar criaturas e manipular situações de maneiras menos diretas. A escola de Alteração é especialmente útil para quem gosta de utilizar magia como ferramenta, enquanto Conjuração permite chamar aliados temporários para o campo de batalha.

O fato de o personagem utilizar uma arma e uma magia equipada, em vez de duas armas ao mesmo tempo, deixa o combate menos versátil para quem está acostumado com sistemas mais recentes. Ainda assim, essa limitação contribui para uma identidade própria. Eu precisava escolher melhor o que manter pronto para cada situação, principalmente quando alternava entre uma exploração perigosa e um confronto inesperado.

A furtividade continua bastante divertida. Invadir casas, observar a rotina dos moradores, roubar objetos e escolher o momento certo para agir cria situações que não aparecem em uma missão tradicional. A Guilda dos Ladrões oferece algumas das melhores oportunidades para esse estilo, especialmente quando o jogo coloca o jogador diante de roubos elaborados e objetivos que exigem paciência.

A Irmandade Sombria também se destaca. Suas missões possuem uma atmosfera mais cruel e teatral, com situações que incentivam o jogador a pensar em diferentes formas de eliminar os alvos. A missão em que fico preso em uma casa com várias vítimas é um dos melhores exemplos de como Oblivion consegue transformar um objetivo simples em uma situação cheia de possibilidades.

A Guilda dos Magos possui conflitos próprios, enquanto a Arena oferece uma sequência mais direta de combates. Participar da Arena é uma forma fácil de testar o personagem, conquistar recompensas e se envolver com um dos personagens mais irritantes e memoráveis do jogo. Essas histórias de facção não parecem simples tarefas secundárias. Muitas possuem começo, desenvolvimento, clímax e personagens que continuam na memória.

A interface foi atualizada e está mais funcional, principalmente para quem conhece sistemas de jogos mais recentes. O mapa, o inventário e os menus são mais fáceis de navegar do que eram originalmente. Também existem opções de tamanho de texto, algo muito útil no modo portátil. Mesmo assim, certos menus ainda lembram bastante o desenho de um jogo antigo. A administração de equipamentos, poções, armas, armaduras e objetos pode ficar cansativa depois de longas sessões.

Os controles são um dos pontos mais interessantes desta versão. O modo mouse com os Joy Con funciona bem, especialmente para mirar, movimentar o cursor e navegar pelos menus. Os controles de movimento também retornam, permitindo gestos para ações específicas, como abaixar o corpo, levantar ou sacar armas. O giroscópio pode agradar quem gosta de ajustar a mira com movimentos leves, embora eu tenha preferido desativá-lo em algumas situações.

Há suporte para tela sensível ao toque, vibração HD, ajuste separado dos eixos de mira, controle de assistência de mira, campo de visão e som surround. Essa quantidade de opções mostra um cuidado importante com diferentes estilos de jogador. O problema é que a troca para o modo mouse não acontece automaticamente em todas as situações, o que me obrigou a alternar manualmente algumas vezes.

Gráficos

A mudança visual é imediatamente perceptível. Cyrodiil recebeu modelos mais detalhados, texturas mais limpas, iluminação mais sofisticada e ambientes com muito mais informação visual. Cidades, florestas, estradas, ruínas e interiores possuem uma aparência mais próxima de um RPG moderno, mesmo quando a estrutura original ainda pode ser reconhecida.

O uso do Unreal Engine 5 traz efeitos de iluminação global, reflexos e uma atmosfera mais volumétrica. A luz atravessa árvores, reflete em superfícies e transforma a aparência de determinados espaços dependendo do horário. Ao entrar em uma cidade durante o amanhecer, eu conseguia perceber uma mudança gradual na iluminação. Em cavernas, ruínas e masmorras, a escuridão cria uma sensação mais pesada, embora nem sempre de maneira positiva.

Os personagens também foram remodelados. Rostos, cabelos, roupas e armaduras possuem muito mais detalhes do que na versão original. A evolução é grande, mas os personagens ainda mantêm uma aparência peculiar. Alguns rostos continuam estranhos, certas expressões parecem artificiais e determinados movimentos não combinam totalmente com o novo visual. Essa diferença entre modelos modernos e animações antigas produz situações engraçadas e, em alguns momentos, bastante desconfortáveis.

A direção de arte também mudou. A versão original era mais colorida e vibrante, enquanto a remasterização adota uma aparência um pouco mais sóbria. Eu senti falta de algumas cores fortes que faziam Cyrodiil parecer mais fantasiosa. Por outro lado, a nova iluminação cria uma atmosfera mais dramática, especialmente em noites chuvosas, florestas densas e áreas próximas aos portais de Oblivion.

Os portais são visualmente impressionantes. O fogo, a fumaça, as estruturas rochosas e o céu avermelhado conseguem transmitir uma sensação de perigo. Ao atravessar um desses portais, o contraste com o campo aberto de Cyrodiil é forte. As terras de Oblivion são hostis, mais agressivas e menos acolhedoras, e a nova apresentação reforça essa diferença.

No modo portátil, a qualidade visual permanece surpreendentemente boa. A resolução é menor, mas a reconstrução de imagem ajuda a preservar detalhes. Árvores, personagens e construções continuam apresentáveis na tela do Switch 2. Em alguns momentos, a imagem fica um pouco mais borrada, principalmente quando há muito movimento, mas o resultado geral é bastante competente para um jogo desse tamanho.

O principal problema visual está na iluminação de áreas escuras. Algumas cavernas e catacumbas ficam tão escuras que eu precisei ajustar a câmera, aumentar o brilho ou utilizar uma tocha para tentar identificar o caminho. A escuridão deixa de ser apenas uma escolha de atmosfera quando começo a confundir paredes, pisos e corredores. Em determinadas masmorras, é possível passar várias vezes pelo mesmo lugar sem perceber.

A tocha nem sempre resolve o problema de forma satisfatória. Ela ajuda, mas não ilumina tudo ao redor com a intensidade esperada. Isso pode transformar uma área que deveria ser misteriosa em uma sequência de tentativas para descobrir onde estou pisando.

Os reflexos na água também apresentam resultados variados. A superfície pode parecer muito bonita em um lago ou rio, mas certos objetos produzem reflexos estranhos. Em alguns momentos, uma arma ou parte do cenário aparece refletida de uma maneira que não corresponde à posição real. Não é algo que destrua a experiência, porém mostra que a apresentação visual está trabalhando no limite do hardware e das técnicas utilizadas.

A distância de visão é boa, mas existem carregamentos de detalhes durante a exploração. Árvores, objetos e elementos do cenário podem surgir alguns metros à frente. Também notei que personagens distantes utilizam animações mais simples, o que reduz o impacto visual quando observo uma cidade de longe ou atravesso uma região aberta.

Mesmo com essas falhas, a transformação é expressiva. Eu consigo reconhecer o mesmo mundo, mas a forma como ele se apresenta é muito mais atual. O jogo é capaz de produzir belas paisagens e momentos de grande impacto, principalmente quando observo Cyrodiil de uma colina, vejo uma cidade iluminada ao longe ou encontro um portal aberto no horizonte.

Som

A trilha sonora continua sendo uma das maiores qualidades da experiência. As composições de Jeremy Soule acompanham a exploração com delicadeza, criando uma sensação de tranquilidade nas áreas abertas e de tensão quando a situação começa a se complicar. A música principal mantém sua força e continua sendo imediatamente reconhecível.

O som de Oblivion não tenta ocupar todos os espaços. Existem longos períodos em que caminho por uma estrada ouvindo apenas o vento, os passos do personagem, o som dos animais e a movimentação distante do ambiente. Essa escolha torna a exploração mais contemplativa e permite que a música apareça nos momentos certos.

Nas cidades, percebi uma combinação interessante de vozes, conversas, portas, vendedores e movimentação de pessoas. Os habitantes possuem rotinas próprias, entram em casas, conversam entre si, trabalham e caminham pelas ruas. O som ajuda a reforçar a ideia de que cada local possui uma vida própria, mesmo quando o comportamento dos personagens pode parecer exagerado ou artificial.

As dublagens continuam marcantes. Patrick Stewart dá peso à introdução, enquanto outros personagens ajudam a criar uma identidade própria para cada guilda, cidade e grupo. A repetição de algumas vozes pode chamar atenção, principalmente quando encontro vários moradores com vozes muito parecidas, mas isso também é parte da personalidade de Oblivion.

Os efeitos de combate receberam mais presença. Espadas, escudos, feitiços, flechas e criaturas produzem sons mais claros, e os golpes parecem mais impactantes do que antes. Ainda assim, o áudio não consegue resolver totalmente a falta de peso de algumas animações. Um ataque pode soar forte, mas o movimento na tela nem sempre transmite a mesma intensidade.

As áreas de Oblivion possuem sons mais agressivos, com criaturas, fogo, ruídos metálicos e uma trilha que aumenta a sensação de ameaça. As masmorras são mais silenciosas e claustrofóbicas, criando uma diferença importante em relação aos campos abertos. Em certos locais, a ausência de música é o que mais contribui para a tensão.

No Switch 2, o áudio se mantém limpo tanto no modo portátil quanto na televisão. O suporte a som surround é bem-vindo para quem possui uma configuração compatível. Os efeitos ambientais são suficientes para fazer com que eu identifique inimigos, portas e movimentos antes mesmo de vê-los.

O trabalho sonoro também preserva a sensação de estar em um mundo de fantasia clássico. A música não parece deslocada do cenário, e as composições conseguem acompanhar tanto uma batalha grandiosa quanto uma caminhada sem objetivo. É um conjunto que envelheceu muito bem e continua sendo essencial para a identidade do jogo.

Diversão

O maior mérito de Oblivion Remastered é a capacidade de transformar distração em conteúdo. Eu podia iniciar a sessão com a intenção de cumprir uma missão específica e terminar fazendo alquimia, procurando ingredientes, invadindo uma casa, seguindo um personagem, explorando uma ruína ou tentando descobrir o que havia dentro de uma torre distante.

O mapa é cheio de atividades, mas não parece uma lista excessivamente organizada de tarefas. Muitas descobertas acontecem de forma natural. Uma montanha chama atenção, uma estrada leva a outro lugar, uma conversa menciona uma pessoa, uma porta escondida revela uma sala e uma pequena decisão pode criar uma situação completamente diferente do planejado.

A inteligência artificial e as rotinas dos personagens são responsáveis por boa parte dessa imprevisibilidade. Os moradores não ficam parados esperando o jogador. Eles se movem, conversam, entram em casas e podem se envolver em conflitos. Às vezes, algo acontece enquanto estou longe e só percebo as consequências mais tarde. Um comerciante pode morrer, um personagem pode desaparecer ou uma situação pode mudar sem que eu tenha visto o motivo.

Nem sempre isso funciona perfeitamente. Personagens podem ficar presos em portas, andar de maneira estranha ou assumir posições que nenhum ser humano assumiria. Um companheiro morto pode aparecer de forma inesperada em diferentes locais, caindo no chão sempre que atravesso determinadas portas. Tecnicamente, é um erro. Como experiência, pode se transformar em uma lembrança engraçada.

Essa mistura de liberdade, simulação e falhas produz histórias que não parecem roteirizadas. Uma infecção por vampirismo, por exemplo, pode mudar completamente a forma como exploro o mapa. De repente, preciso pensar nos horários, evitar a luz do sol, procurar uma cura e lidar com alterações nas habilidades. A missão principal continua existindo, mas meu problema mais importante passa a ser outro.

A criação de poções também contribui bastante para essa sensação de descoberta. Coletar flores, cogumelos e outros ingredientes parece uma atividade simples, mas pode se tornar bastante útil. Com o tempo, aprendi a criar poções capazes de causar efeitos muito poderosos, e a alquimia passou de uma distração para uma ferramenta estratégica.

A exploração das guildas é outro ponto alto. A Irmandade Sombria possui uma atmosfera mais cruel e teatral. A Guilda dos Ladrões aposta em furtividade, observação e planejamento. A Guilda dos Magos apresenta conflitos ligados ao conhecimento e ao poder. A Arena oferece uma estrutura mais direta, com lutas e recompensas. Cada grupo possui um tom próprio, e isso evita que o conteúdo secundário pareça repetitivo.

Shivering Isles é especialmente importante para a diversão porque oferece uma mudança completa de ambiente. A região é mais excêntrica, colorida e imprevisível. Seus personagens e situações possuem um humor diferente, e a presença de Sheogorath dá ao conteúdo uma identidade que não poderia ser confundida com a campanha principal.

O jogo também é excelente para sessões curtas ou longas. Posso jogar por vinte minutos, cumprir uma pequena tarefa e desligar o console, ou passar cinco horas explorando sem perceber o tempo. O modo portátil combina muito bem com essa estrutura. Posso interromper a experiência no meio de uma exploração e retornar depois sem precisar reservar uma noite inteira para jogar.

A ausência de suporte a modificações limita a variedade para quem vem do computador. No PC, os jogadores podem transformar praticamente todos os aspectos do jogo, adicionando missões, ajustando sistemas, corrigindo falhas e alterando a apresentação. No Switch 2, a proposta é mais fechada. Isso não impede a diversão, mas deixa claro que esta versão não é a escolha ideal para quem gosta de personalizar cada detalhe.

Performance e Otimização

O Switch 2 consegue executar Oblivion Remastered de forma surpreendente em vários aspectos, mas também deixa evidente que o jogo exige bastante do hardware. No modo portátil, a resolução fica em torno de 900p, enquanto no modo conectado à televisão o objetivo é chegar a 1080p. A taxa de quadros tem como alvo 30 quadros por segundo.

Na maior parte do tempo, o jogo é jogável e apresenta longos períodos de estabilidade. Porém, não é uma experiência completamente consistente. Durante a exploração do mundo aberto, percebi travamentos breves, pausas e problemas de ritmo entre os quadros. Mesmo quando a contagem parece próxima do objetivo, a movimentação pode não transmitir uma sensação totalmente suave.

O problema se torna mais visível ao atravessar áreas com muitos elementos, cavalgar pelo mapa ou chegar a regiões com grande quantidade de personagens. A cidade imperial e outros locais movimentados podem causar quedas perceptíveis. Grandes combates também exigem mais do console e podem fazer a taxa de quadros cair em momentos nos quais a resposta dos controles deveria ser mais rápida.

No modo portátil, a experiência parece mais equilibrada para mim. A tela menor reduz o impacto de algumas imperfeições, e a apresentação continua boa o bastante para que eu aceite a resolução mais baixa. Os engasgos ainda aparecem, mas parecem menos agressivos do que na televisão. O modo conectado destaca melhor a qualidade visual, porém também evidencia mais os problemas de fluidez.

Os tempos de carregamento são razoáveis, mas não especialmente rápidos. Entrar em áreas internas costuma levar alguns segundos, enquanto carregar regiões externas pode demorar mais. O armazenamento utilizado também influencia o resultado, e a instalação em determinada área do console pode aumentar o tempo de espera.

Outro ponto importante é a possibilidade de falhas relacionadas a carregamentos e estabilidade. Encontrei situações em que uma tela de carregamento parecia não terminar, além de um encerramento inesperado para o menu principal. Problemas desse tipo podem ser raros, mas são especialmente preocupantes em um RPG no qual uma sessão pode durar horas.

Também é recomendável não depender de um único arquivo de salvamento. O jogo possui um histórico de problemas relacionados a arquivos grandes, vazamentos de memória e degradação da performance durante sessões muito longas. Por isso, eu prefiro manter vários salvamentos manuais e reiniciar o jogo depois de algum tempo. Essa prática não deveria ser necessária em uma versão remasterizada, mas ajuda a reduzir riscos.

A parte técnica fica ainda mais complexa porque a remasterização combina um sistema antigo com uma camada visual moderna. O novo acabamento gráfico é muito mais exigente, enquanto certos comportamentos e limitações da estrutura original continuam presentes. O Switch 2 consegue equilibrar esses dois lados, mas nem sempre com a estabilidade que eu esperava.

O uso de DLSS ajuda bastante na qualidade da imagem. A reconstrução mantém o cenário relativamente nítido mesmo quando o console precisa trabalhar com uma resolução interna menor. Por outro lado, podem surgir rastros, borrões e pequenos artefatos em objetos que se movimentam rapidamente. Arcos, efeitos de água e elementos finos do cenário são os casos em que mais percebi esse tipo de problema.

A latência dos controles é um ponto positivo. Mesmo com o limite de 30 quadros por segundo, os comandos respondem melhor do que eu esperava. O modo mouse se beneficia disso e pode ser uma ótima alternativa para quem deseja uma sensação mais próxima da experiência original no computador.

No fim, a otimização é funcional, mas não definitiva. O jogo está longe de ser impossível de jogar, e consegui aproveitar muitas horas sem que os problemas técnicos anulassem a experiência. Porém, as quedas, os engasgos e as falhas ocasionais impedem que eu considere esta a versão mais estável de Oblivion Remastered.

Conclusão

Oblivion Remastered no Nintendo Switch 2 é uma adaptação competente de um RPG enorme, ambicioso e cheio de personalidade. O jogo continua oferecendo uma quantidade impressionante de conteúdo, com uma campanha principal extensa, missões de facção excelentes, expansões relevantes e um mundo aberto que recompensa a curiosidade.

O que mais me marcou foi perceber que a experiência ainda consegue produzir histórias pessoais. Eu não estava apenas seguindo objetivos indicados na tela. Estava criando situações a partir das minhas escolhas, dos lugares que visitava, das habilidades que desenvolvia e dos problemas inesperados que surgiam. Uma infecção, um personagem morto, uma criatura encontrada no caminho ou uma simples tentativa de invadir uma casa podia alterar completamente o ritmo da sessão.

A remasterização melhora bastante a apresentação. As cidades são mais detalhadas, os cenários possuem iluminação mais sofisticada, os personagens foram reconstruídos e Cyrodiil parece muito mais próximo dos padrões visuais atuais. A música continua excelente, os controles adicionais são bem-vindos e o modo portátil transforma o jogo em uma opção muito conveniente para quem não quer ficar preso a uma televisão ou computador.

Entretanto, a modernização não é completa. O combate ainda é duro, os menus ainda podem ser trabalhosos, algumas animações parecem antigas e vários problemas técnicos continuam presentes. A performance no Switch 2 oscila, o ritmo dos quadros não é totalmente uniforme e certas áreas podem apresentar quedas ou travamentos. A escuridão exagerada em algumas masmorras também prejudica a navegação.

Para quem nunca jogou Oblivion, esta versão representa uma oportunidade excelente de conhecer um dos RPGs mais importantes da Bethesda em uma plataforma Nintendo. É preciso entrar sabendo que o jogo não funciona exatamente como Skyrim. Ele possui sistemas menos refinados, combate mais desajeitado, uma estrutura mais simulada e comportamentos mais imprevisíveis. Quem aceitar essas características encontrará uma experiência muito rica.

Para quem já conhece o jogo original, a remasterização oferece uma boa oportunidade de retornar a Cyrodiil com visual melhorado e mais praticidade. A ausência de alguns erros antigos pode causar certa nostalgia, mas a maior parte da personalidade foi preservada. O jogo continua capaz de surpreender, mesmo quando eu já sabia qual seria o resultado de uma missão.

Eu recomendo Oblivion Remastered para Switch 2, principalmente para quem valoriza liberdade, exploração, histórias secundárias e a possibilidade de jogar em qualquer lugar. Não considero esta a versão ideal para quem exige desempenho impecável, suporte a modificações ou a melhor qualidade técnica disponível. Nesse caso, outras plataformas oferecem vantagens importantes.

Ainda assim, a adaptação faz sentido. Poder carregar Cyrodiil no console portátil muda a forma como eu me relaciono com o jogo. Posso explorar uma caverna durante uma pausa, cumprir uma missão no sofá ou passar horas percorrendo as estradas enquanto o mundo se apresenta aos poucos. Mesmo com suas falhas, Oblivion continua sendo uma experiência especial, e o Switch 2 consegue preservar boa parte dessa força.

Pontos positivos

  • Mundo aberto enorme e cheio de atividades
  • Grande liberdade para criar personagens diferentes
  • Missões de facção muito bem construídas
  • Campanha principal extensa e envolvente
  • Expansões Knights of the Nine e Shivering Isles incluídas
  • Exploração recompensadora e cheia de descobertas inesperadas
  • Rotinas dos personagens criam situações imprevisíveis
  • Visual muito superior ao da versão original
  • Iluminação e efeitos modernos bem aplicados em várias áreas
  • Boa qualidade de imagem no modo portátil
  • Trilha sonora marcante e muito bem preservada
  • Dublagem de destaque, especialmente na introdução
  • Controles com mouse, giroscópio e tela sensível ao toque
  • Opções de tamanho de texto, campo de visão, vibração e assistência de mira
  • Baixa latência dos controles
  • Grande quantidade de conteúdo para o preço

Pontos negativos

  • Taxa de quadros limitada a 30 quadros por segundo
  • Engasgos e problemas de ritmo entre os quadros
  • Quedas de performance em áreas abertas e combates maiores
  • Possibilidade de telas de carregamento intermináveis
  • Ocorrência eventual de encerramentos inesperados
  • Problemas antigos relacionados a memória e arquivos de salvamento
  • Combate ainda pouco preciso e repetitivo
  • Menus e inventário podem ser trabalhosos
  • Algumas animações continuam datadas
  • Masmorras excessivamente escuras
  • Artefatos visuais causados pela reconstrução de imagem
  • Reflexos ocasionais com comportamento estranho
  • Ausência de modificações disponíveis na versão para console
  • Troca manual para o modo mouse em algumas situações

Avaliação:
Gráficos: 8.5
Diversão: 9.0
Jogabilidade: 8.0
Som: 9.5
Performance e Otimização: 6.5
NOTA FINAL: 8.2 / 10.0