Análise de Vectorman 2
25 de fevereiro de 2022Por: Cosmão
| Ficha do jogo: Data de lançamento inicial: 15 de novembro de 1996 Gêneros: Shoot ‘em up, Run and gun Desenvolvedora: BlueSky Software Publicadora: Sega Plataformas: Mega Drive, PC – Computador (Microsoft Windows, Linux, macOS) Avaliação: Nota: 7,0 |
Em 1995 a Sega criou Vectorman, um jogo onde controlamos um robô verde, feito de bolinhas de átomos e com um carisma extremo. Alguns dizem que foi pra competir com Donkey Kong, mostrando que o Mega também tinha capacidade de fazer gráficos bonitos e com belas animações. Acontece que Vectorman fez sucesso, pois fazia parte de um gênero bacana, tinha excelentes gráficos, músicas legais e uma jogabilidade viciante. Ele tinha potencial, então a Sega resolveu repetir a dose e criou Vectorman 2 em 1996. O resultado? É o que vamos ver agora…
Vectorman 2 traz de volta o famoso robô, dessa vez obrigado a escapar de sua nave, atingida misteriosamente por um míssil. Após a fuga da nave de paraquedas (que, aliás, é a primeira fase do game), Vectorman pousa em um planeta estranho, cheio de criaturas estranhas, onde sua missão será descobrir quem o atingiu enquanto tenta se manter vivo no planeta hostil.

Quase ninguém fala de Vectorman 2 e isso tem uma razão bastante convincente: o jogo não conseguiu manter o sucesso da franquia. Vectorman 2 tem suas qualidades, eu diria que quase as mesmas que fizeram de Vectorman 1 um clássico, mas faltou alguma coisa a qual eu, e tantos outros jogadore, não conseguiram identificar. Tudo está lá, as transformações (mais variadas), os gráficos cheios de efeitos de luz, a movimentação de inimigos, cenários, do próprio Vector e tantas outras características que fizeram sucesso no primeiro game. Então, por quê não deu certo? Tentarei explicar da forma que consegui entender, espero que todos possam concordar.

Vectorman 1 tinha fases bacanas. Começávamos em torres, com bandeirolas ao vento, um local alto onde a maioria dos inimigos era apresentada de forma simples e crua. O jogo seguia por fases criativas e novas, como no porto, onde podíamos entrar na água, na neve, onde uma cascata de gelo deixava todo mundo babando nos gráficos e na fábrica, onde o inimigo era um monstro enorme que cuspia dezenas de bolinhas de energia. Entre essas fases, algumas etapas esbanjavam criatividade, como o chefe em uma ponte onde era preciso atirar em suas garras, outro em uma espécie de pista de dança onde era preciso acertar o centro do lugar. A variedade era muito maior.

Enfim, Vector 2 começa em uma floresta, fase clássica de jogos de plataforma, mas que não daria muito certo pela temática futurista do game. Não daria e não deu, realmente. Um dos motivos é que a fase ficou escura demais, fica complicado controlar Vectorman em um cenário tão pobre e escuro. Outro é que o jogo ficou extremamente difícil, qualquer bobeada te arranca energia, ainda mais em um cenário o qual mal se consegue enxergar os inimigos. Devido à esses fatores, MUITA gente (muita gente mesmo, só eu conheço vários deles) mal passou da primeira etapa. O game segue por uma fase sobre árvores, também na escuridão e em seguida por um vulcão, onde as coisas começam a melhorar.

Vectorman 2 demora pra engrenar, o que acaba irritando o jogador. A falta de alguma novidade mais consistente também desanima quem jogou exaustivamente o primeiro game do começo ao fim. O robô ainda salta, dá um pulo duplo e atira em todas as direções. E só. Não acrescentaram mais nada, apenas algumas transformações são diferentes, bem como alguns bônus, mas todos podem ser considerados medíocres perto do que fizeram em Vectorman 1.

Em se tratando de gráficos, o jogo não faz feio, mesmo aproveitando algumas idéias do jogo original. A cascata de neve, tão comentada do primeiro game, retorna, mas dessa vez no vulcão, sendo uma cascata de magma, espalhada por todo o cenário. Vector se transforma em um escorpião nessa fase, enquanto em outra pode se transformar em um rinoceronte para quebrar paredes. O reaproveitamento dos inimigos também é nítido, tal qual no primeiro game.

O som não apresenta novidades. A maioria dos efeitos sonoros foram reaproveitados (sem críticas aqui, afinal, ajudaram a construir a identidade do primeiro game), mas as músicas estão visivelmente mais fracas. Não há apelo sonoro, não existem muitas melodias e os chefes, pra completar, quase inexistem. Notei uma melhora, contudo, na voz do personagem, mais robótica e menos rouca, como é de praxe no Mega Drive.

à direita: Vector transformado em rinoceronte, quebrando tudo pela frente
Com tantas caraterísticas negativas, ainda assim o game agrada, mas agrada principalmente aquele fã que jogou o primeiro de cabo a rabo. Mesmo com o repeteco de quase tudo, quem gosta de um bom jogo de tiro pode encontrar em Vectorman 2 uma boa dose de diversão. E pra quem nunca jogou, recomendo fortemente o primeiro game, um verdadeiro clássico. Em tempo, ainda bem que a Sega parou por aí, imagino o que seria se tivesse lançado aquele Vectorman 3 para Playstation 2 em meados de 2004…

Resumão:
Prós:
+ belos gráficos;
+ jogabilidade clássica e bem cadenciada.
Contras:
– fases sem carisma algum;
– dificuldade bem acentuada;
– falta de variedade em geral;
Final Score: 7
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