Análise (Review) de Art of Fighting 3: Estética e Ambientação em Jogos de Luta

11 de abril de 2021 0 Por Olivia Marinho
Ficha de Jogo
Gênero: Luta
Jogadores: 1 – 2 jogadores
Desenvolvedora: SNK
Lançamento: 12 de Março de 1996
Plataforma: Arcade, Neo Geo, Neo-Geo CD, PlayStation 2, Wii Virtual Console, Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One, NEOGEO Arcade Stick Pro.

SOBRE O JOGO

Em 1996, Path of the Warrior: Art of Fighting (AOF3) 3 era lançado com a promessa de ser diferente e realista (era o que dizia no encarte do jogo). Os dois jogos anteriores não eram inovadores, seus gráficos eram pobres e o design de personagens, pouco desenvolvido, o fazia parecer mais uma cópia de Street Figther, num mar de cópias mal sucedidas. Contudo, o terceiro título da franquia da SNK chegou mudando não só sua estética e jogabilidade por completo, como subiu o nível dos jogos de luta da época.

A intro do jogo mostrava uma nova arte, com movimentos mais fluidos, designs robustos e mais realistas. O jogo contou com o uso de motion capture (captura de movimentos) para que os movimentos dos personagem alcançassem aquela fluidez absurda que vemos. Isso num jogo 2D! Além disso, temos vozes gravadas para o gritos de vitória, além de finais diferentes para alguns personagens.

O sistema de luta do jogo conta com poucas características marcantes. Temos uma barra de super que se enche conforme a luta avança, além de ataques especiais, bem complexos de certa forma, que gastam energia da barra de super para serem utilizados. Tratando-se de luta propriamente dita, o jogo não é incrível: É UM JOGO DE LUTA! Luta é o que se espera. Agora… a execução dessas lutas é o que mais importa para que possamos dizer: “esse é um bom jogo de luta!”.

Devido a fluidez e a captura de movimentos, a forma como os personagens se mexe é realista o bastante para que eles não sejam absurdamente rápidos e leves como alguns jogos de luta fazem, ignorando questões físicas. Em Art of Fighting 3 a diferença de velocidade, peso, força e impacto dos golpes de cada personagem é bem mais marcante e afeta bastante a luta.

Um golpe mal executado e seu inimigo pode lançar um combo do qual você não tem capacidade de defender e a luta está perdida, já que o dano causado nesse jogo sempre é imenso (coisa que se repete nos títulos anteriores). Mas essa dificuldade deixa de ser do jogo querendo te fazer perder, para ser algo mais técnico. Não é só ir pra cima, socar e vencer. É preciso analisar movimentos, executar combos e até mesmo pulos precisos. Saber qual personagem se encaixa melhor no seu estilo de jogo, também auxilia na jogatina.

AOF3 é um jogo detalhista, desde as estratégias de combate até seus cenários e a trilha sonora. Afinal um jogo de luta por mais interessante que possa vir a ser, sem cenários divertidos, interessantes e bem criativos, acaba ficando um pouco vazio.

O jogo conta com uma estória bem ilustrada

Jogos como Street Fighter IV ULTRA é um dos exemplos atuais de jogos de luta com cenários ricos. Temos também Tekken, Mortal Kombat e Injustice com seus cenários interativos. Mas de volta aos anos 90 o que cativava de fato era a riqueza de detalhes, e como eles contavam a estória do jogo também.

Os cenários de AOF3 , como exemplificados nas imagens abaixo, parecem contar toda história de um povoado, seus costumes de ficar conversando num Café local, o cachorro de rua ali do lado, além do que parece ser uma feira de produtos variados. Enquanto isso, os homens no bar ficam assistindo as lutas que acontecem sempre por ali (e eles parecem lidar bem com isso).

Siesta Café

Muitos dos cenários do jogo mostram contextos urbanos e suburbanos, carregados do que parecem ser contextos mais latinos e triviais do cotidiano de uma cidade. Bares, cafés estações de trem, postos de gasolina. No caso abaixo, vemos o Bar Santana, onde vemos pessoas fumando, algumas jogando cartas num canto, e outras pessoas vendo uma luta num ringue com grades, ignorando a luta (a que você joga) ali no meio do bar. Talvez ignorem porque é um bar de lutas. O que são mais duas pessoas se batendo em outro canto dali?

Bar Santana

Conforme nos aproximamos do fim do jogo, os cenários vão ficando mais sombrios, como uma mansão sob a luz do luar, que pertence ao vilão do jogo, ou mesmo um cemitério, deserto e desolado, onde ocorrerá a última do jogo contra Wyler. O vilão é um homem louco com sede de poder que chega a se intoxicar de anabolizantes para alcançar o primor de sua forma física.

Cemitério – Fase Final

CONCLUSÕES

Tendo uma “arquitetura” tão variada e rica em detalhes, Art of Fighting 3 é um jogo de luta bastante interessante para os amantes de artes de jogos e que gostam de analisar gráficos e a sua fluidez. É um título impressionante pois, como dito anteriormente, seus dois predecessores não tinham uma marca única para chamar de sua.

Claro que Art of Fighting é um jogo querido desde a sua primeira edição, devido ao carisma de seus personagens, como Robert, Ryo e King, que também aparecem em outros jogos como The King of Fighters e no Mark of the Millenium.

Após expor os pontos mostrados aqui, pode-se concluir que não adianta a jogabilidade ser impecável, se ela não casar com uma estética agradável. É claro que existem jogos “feios” que são bons, mas jogos também são sobre o que vemos e o que sentimos com o que vemos. Ver cenários ricos, sprites fluidos, animações bem feitas e até mesmo transições e cutscenes bem realizadas torna toda a experiência de jogar videogame sempre mais cativante.

AVALIAÇÃO:
Jogabilidade: 10
Gráficos: 10
Diversão: 10
Som: 10
Nota Final: 10 / 10

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