The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered para Nintendo Switch 2 é um retorno incomum a um dos RPGs mais reconhecidos dos anos 2000. Não se trata apenas de pegar um jogo antigo, aumentar sua resolução e colocá-lo em um sistema novo. Esta versão tenta reconstruir a identidade visual de Cyrodiil enquanto preserva a liberdade, a imprevisibilidade, a simulação e a personalidade peculiar que tornaram o jogo original tão inesquecível.
Depois de passar muitas horas viajando por Cyrodiil, caminhando pelo interior, entrando em cavernas sem saber o que encontraria lá dentro e me envolvendo em missões que nunca fizeram parte dos meus planos iniciais, fiquei com a impressão de que Oblivion Remastered ainda é um RPG bastante particular. Ele nem sempre parece moderno, mesmo com seus visuais aprimorados e sua interface atualizada. Algumas mecânicas são pouco práticas, determinadas animações claramente pertencem a outra época e o desempenho técnico não é tão consistente quanto eu esperaria de um grande lançamento em um hardware novo. Ainda assim, o jogo continua sendo capaz de criar situações que parecem pessoais e espontâneas.
Essa qualidade é difícil de reproduzir. Muitos jogos de mundo aberto são preenchidos com atividades, marcadores, recompensas e encontros cuidadosamente organizados. Oblivion costuma parecer menos controlado. Posso sair de uma cidade com a intenção de entregar uma mensagem importante, avistar uma torre distante, decidir investigá-la, encontrar um acampamento de bandidos no caminho, descobrir uma entrada escondida, me envolver em uma missão completamente diferente e, depois de algum tempo, perceber que esqueci o motivo original de ter deixado a cidade. O jogo funciona melhor quando permite que esse tipo de distração se transforme no acontecimento principal.
A história começa com o jogador preso em uma cela sob a Cidade Imperial. A situação muda de forma dramática depois da chegada do Imperador Uriel Septim, cuja voz imediatamente confere importância à abertura. O jogador recebe o Amuleto dos Reis e precisa encontrar Martin Septim, herdeiro do imperador. Ao mesmo tempo, portais misteriosos começam a surgir por toda Cyrodiil, permitindo que criaturas de uma dimensão perigosa invadam a província.
A trama principal envolve conflitos políticos, profecias antigas, grandes batalhas, defesas desesperadas e a tentativa de impedir que um culto destrua o império. É uma história tradicional de fantasia, com momentos memoráveis suficientes para manter o jogador envolvido, mas a campanha é apenas uma parte do que torna o jogo tão divertido. Em muitas das minhas sessões, a missão principal acabou ficando em segundo plano diante das inúmeras situações menores que aconteciam ao meu redor.
Cyrodiil continua sendo a verdadeira estrela da experiência. Suas cidades, estradas, ruínas, cavernas, fortalezas, fazendas, florestas e montanhas criam um cenário que incentiva a exploração sem obrigá-la o tempo todo. Posso seguir os objetivos principais, usar a viagem rápida e avançar de maneira eficiente de um local para outro. Também posso ignorar tudo isso e passar uma noite inteira coletando ingredientes, explorando construções abandonadas, desenvolvendo habilidades, testando feitiços ou simplesmente observando a rotina dos habitantes.
A edição remasterizada inclui Knights of the Nine e Shivering Isles, duas expansões substanciais que adicionam ainda mais conteúdo. Knights of the Nine oferece uma aventura com temática religiosa, envolvendo um conjunto de armadura mística e uma ameaça poderosa. Shivering Isles é muito mais distinta, levando o jogador a um reino bizarro governado por Sheogorath. Seus personagens estranhos, locais incomuns, humor sombrio e situações imprevisíveis conferem ao jogo um tom completamente diferente.
Juntos, a campanha principal, as histórias das facções, as expansões, as batalhas da Arena, as missões secundárias, as masmorras e as descobertas espontâneas oferecem uma quantidade enorme de conteúdo. Oblivion Remastered não é um jogo que pode ser concluído em um fim de semana, a menos que o jogador ignore deliberadamente boa parte do que o torna especial. Mesmo depois de muitas horas, continuei encontrando lugares, conversas, objetos e situações que me incentivavam a continuar explorando.
Mecânicas e Jogabilidade
Oblivion Remastered preserva a estrutura de RPG do original, mas apresenta várias mudanças destinadas a torná-lo mais confortável para os jogadores atuais. A criação de personagem continua bastante detalhada. Posso escolher uma raça, definir a aparência, selecionar uma classe, determinar as habilidades preferidas e criar uma personalidade que favoreça um estilo específico de jogo.
As possibilidades são amplas. Posso criar um guerreiro fortemente protegido, que depende de espadas, escudos e resistência. Também posso jogar como um arqueiro furtivo, que evita confrontos diretos e procura posições vantajosas. Posso utilizar magia de destruição, feitiços de cura, criaturas invocadas, alquimia ou uma combinação de várias abordagens. O sistema permite experimentar bastante, embora nem toda construção seja igualmente eficiente.
Uma das características mais importantes do jogo é a maneira como as habilidades melhoram por meio do uso. O personagem se torna melhor naquilo que o jogador realmente faz. Se passo horas usando um arco, minha habilidade de arquearia aumenta. Se dependo de furtividade, arrombamento, alquimia ou lançamento de feitiços, essas capacidades evoluem naturalmente. Isso faz com que a progressão pareça conectada ao estilo de jogo, em vez de depender apenas de pontos distribuídos em uma tela.
O sistema também pode criar problemas. Como o nível do jogador influencia a força de muitos inimigos, simplesmente se tornar mais experiente não garante que o jogo ficará mais fácil. Se aumento habilidades que não contribuem diretamente para minha eficiência em combate, posso subir de nível sem me tornar poderoso o bastante para enfrentar adversários mais fortes. Uma progressão mal planejada pode resultar em batalhas longas e frustrantes.
Essa é uma daquelas mecânicas que recompensa o entendimento do sistema. Depois que comecei a prestar mais atenção aos atributos, equipamentos, feitiços e à maneira como minhas habilidades principais evoluíam, o personagem se tornou mais eficiente. O jogo nem sempre explica claramente suas regras internas, então os jogadores iniciantes podem precisar de algum tempo para entender por que certos inimigos parecem subitamente muito mais resistentes.
O combate continua funcional, mas também é um dos aspectos que mais lembram que o jogo nasceu em outra época. Os ataques com armas parecem mais substanciais do que na versão original, graças às animações e à apresentação aprimoradas, mas a luta com espadas ainda é relativamente simples. Na maior parte do tempo, alterno entre atacar, bloquear, recuar e esperar uma oportunidade para golpear.
O sistema fica mais interessante quando evito tratar cada confronto como um teste de apertar botões continuamente. Bloquear no momento certo, controlar a resistência, usar o cenário, aplicar veneno, trocar de arma e combinar ataques físicos com magia pode deixar as batalhas mais variadas. Ainda assim, a estrutura básica não possui a precisão encontrada em RPGs de ação mais recentes.
A magia oferece mais flexibilidade. Feitiços de destruição causam dano direto, restauração mantém o personagem vivo, alteração oferece utilidades práticas e conjuração permite invocar aliados para lutar ao meu lado. Gostei especialmente de usar magia não apenas como arma, mas também como uma forma de modificar as condições de um confronto.
Um feitiço pode oferecer uma vantagem antes do combate começar, facilitar a movimentação por uma área, alterar as defesas de um inimigo ou criar uma oportunidade de fuga. Isso torna a magia útil mesmo quando o jogador não está criando um mago tradicional. Um guerreiro ainda pode aproveitar feitiços de utilidade, enquanto um ladrão pode usar magia para apoiar a furtividade e a mobilidade.
O jogo mantém a estrutura de equipar uma arma junto com um feitiço, em vez de utilizar um sistema moderno de combate com duas armas. Isso pode parecer restritivo no início, especialmente para quem vem diretamente de RPGs de fantasia mais recentes. Ao mesmo tempo, essa limitação dá mais foco a cada confronto. Preciso escolher o que quero deixar preparado, em vez de carregar todas as opções nas duas mãos ao mesmo tempo.
A furtividade também é uma parte muito forte da experiência. Entrar em uma casa durante a noite, observar a rotina de um personagem, esperar o momento certo, roubar um item e sair sem ser percebido pode ser mais satisfatório do que derrotar um grupo de inimigos em combate aberto. A Guilda dos Ladrões aproveita muito bem essas ideias, com missões que envolvem planejamento, observação e movimentação cuidadosa.
A Irmandade Sombria talvez seja ainda mais bem-sucedida. Suas missões são mais sombrias, teatrais e inventivas do que a maior parte do conteúdo das outras facções. A missão que envolve várias possíveis vítimas dentro de uma casa é um excelente exemplo de como Oblivion consegue criar uma situação memorável a partir de uma premissa relativamente simples. O jogador recebe liberdade para decidir como lidar com o problema, e o resultado depende de suas escolhas.
A Guilda dos Magos também oferece uma sequência interessante de missões, enquanto a Arena apresenta uma série mais direta de batalhas e recompensas. As histórias das facções não são conteúdos secundários descartáveis. Elas possuem personagens, conflitos, momentos marcantes e conclusões próprias. Em alguns casos, achei essas histórias mais consistentes e divertidas do que a campanha principal.
A interface foi melhorada de forma significativa. O mapa está mais fácil de compreender, o gerenciamento do inventário é mais prático e os menus são menos trabalhosos do que eram no lançamento original. A opção de aumentar o tamanho do texto é especialmente útil durante o jogo no modo portátil. Também existem ajustes para campo de visão, assistência de mira, controles de movimento, intensidade da vibração e sensibilidade independente dos eixos.
A versão para Switch 2 oferece diferentes formas de controlar o jogo. Os controles tradicionais funcionam como esperado, enquanto o modo mouse com os Joy Con pode deixar a mira e a navegação pelos menus mais confortáveis. Os controles de movimento acrescentam outra alternativa, e a tela sensível ao toque pode ser útil nos menus. Gostei de contar com tantas opções, embora a troca entre os modos de controle nem sempre seja automática e possa ser menos conveniente do que deveria.
O jogo também preserva muitos de seus elementos de simulação. Armas e armaduras podem se desgastar, os personagens possuem rotinas, suas atitudes podem mudar e determinadas condições alteram a forma como o jogador interage com o mundo. O vampirismo é um bom exemplo. Um encontro descuidado pode infectar o personagem, levando a novas habilidades, restrições e uma relação diferente com o horário do dia e a luz do sol.
Esses sistemas podem criar histórias pessoais memoráveis. Em certa ocasião, passei a pensar mais em curar uma condição do que em cumprir a missão principal. O jogo não precisou criar uma longa sequência cinematográfica para tornar a situação importante. As próprias mecânicas mudaram a maneira como planejava meus deslocamentos, escolhia os locais e pensava sobre o personagem.
Gráficos
A transformação visual é a melhoria mais evidente de Oblivion Remastered. Cyrodiil foi reconstruída com modelos de maior qualidade, ambientes mais detalhados, materiais aprimorados e um sistema de iluminação muito mais avançado. As cidades parecem mais densas, os interiores possuem maior profundidade visual e a natureza apresenta mais detalhes do que na versão original.
A nova apresentação é especialmente eficiente quando observada à distância. Ficar no alto de uma colina e olhar para uma cidade, um castelo ou uma montanha distante pode produzir imagens impressionantes. O mundo parece mais amplo e atmosférico, mesmo que a organização geral dos locais continue familiar.
A iluminação é uma das adições mais importantes. Luz solar, sombras, fogo, reflexos e iluminação global dão ao cenário uma sensação muito maior de profundidade. As florestas parecem mais densas, os interiores se conectam de maneira mais natural ao ambiente externo e os portais para Oblivion criam um contraste dramático com o campo verde ao redor.
Os portais estão entre os elementos visuais mais impressionantes. Seus céus vermelhos, fumaça, fogo, estruturas rochosas e criaturas hostis fazem com que pareçam feridas reais na paisagem. Entrar em uma dessas áreas muda imediatamente o clima da experiência. Cyrodiil pode ser tranquila e iluminada, enquanto a outra dimensão parece opressiva, perigosa e instável.
Os modelos dos personagens também receberam uma grande atualização. Rostos, cabelos, roupas, armaduras e detalhes corporais foram muito refinados. Ao mesmo tempo, os novos modelos nem sempre combinam com o sistema de animações antigo. Alguns personagens parecem muito mais detalhados do que se movimentam, e certas expressões podem parecer estranhamente exageradas.
Esse contraste contribui para a personalidade incomum do jogo. Um personagem pode ter um rosto moderno, roupas detalhadas e uma iluminação realista, mas caminhar ou reagir de uma maneira que parece ter vindo de uma produção muito mais antiga. Em vez de remover completamente o aspecto estranho de Oblivion, a remasterização frequentemente coloca essa característica dentro de um ambiente visual mais refinado.
A direção de arte é menos colorida do que eu me lembrava da versão original. Algumas paisagens e ambientes possuem uma aparência mais discreta, com menos ênfase em verdes intensos e cores saturadas. Entendo o desejo de criar uma atmosfera de fantasia mais realista, mas houve momentos em que senti falta do contraste visual mais forte da versão antiga.
A nova iluminação cria cenas mais dramáticas. Um pôr do sol sobre a Cidade Imperial pode ser muito bonito, e determinadas florestas ficam excelentes quando a luz atravessa as árvores. O fogo ilumina paredes e personagens próximos, enquanto tempestades e condições noturnas criam uma atmosfera mais séria.
A maior fraqueza visual está nas áreas internas escuras. Cavernas, catacumbas e ruínas subterrâneas podem ficar tão escuras que a navegação se transforma em um teste de paciência. Muitas vezes tentei identificar o chão, localizar portas e descobrir se já havia visitado determinado corredor.
Uma tocha ajuda, mas nem sempre o suficiente. O problema não é apenas o fato de os locais serem escuros. A questão é que objetos e superfícies podem ficar difíceis de distinguir, o que afeta a navegação, e não apenas a atmosfera. Uma masmorra assustadora pode ser eficiente. Uma masmorra onde o jogador não consegue descobrir para onde o caminho continua é menos bem resolvida.
A tecnologia de reconstrução de imagem também produz alguns artefatos visuais. Objetos em movimento podem deixar um borrão ou rastro discreto, principalmente quando o jogador utiliza um arco ou quando elementos finos atravessam rapidamente a tela. Os reflexos na água também podem se comportar de maneira estranha, às vezes exibindo objetos em posições que não parecem fisicamente corretas.
Esses problemas são perceptíveis, mas não apagam a melhoria geral. O jogo está muito mais bonito do que o lançamento de 2006, e os locais mais importantes se beneficiam bastante da nova tecnologia de renderização. Mesmo quando encontrei uma animação estranha ou um reflexo incorreto, ainda consegui apreciar a quantidade de detalhes adicionada ao mundo.
No modo portátil, o resultado visual é particularmente impressionante. A resolução é menor do que no modo conectado à televisão, mas a tela mais compacta ajuda a esconder parte da suavidade causada pela reconstrução de imagem. O jogo pode parecer um pouco borrado durante os movimentos, mas os ambientes continuam detalhados e atraentes.
Também percebi alguns elementos do cenário surgindo enquanto eu me movimentava pelo mundo. Detalhes distantes podem carregar depois, e personagens muito afastados podem utilizar animações mais simples. Esses problemas não são incomuns em um mundo aberto tão grande, mas se tornam mais visíveis quando a taxa de quadros já está enfrentando dificuldades.
Som
A trilha sonora continua sendo um dos pontos mais fortes do jogo. As composições criam uma sensação de escala sem dominar a exploração. Temas suaves acompanham caminhadas tranquilas pelo interior, enquanto arranjos mais intensos aparecem durante batalhas, descobertas e momentos de perigo.
A música principal continua memorável, mas o restante da trilha também merece atenção. A música sabe quando se tornar dramática e quando desaparecer completamente. Alguns dos meus momentos preferidos aconteceram enquanto caminhava por uma estrada ouvindo apenas o vento, os passos, os animais ao longe e alguns efeitos ambientais.
Essa contenção faz com que o mundo pareça mais amplo. O jogo não força música em todos os segundos da experiência. O silêncio pode tornar uma caverna mais ameaçadora, enquanto uma mudança repentina na trilha consegue dar mais importância a um encontro simples.
As cidades possuem sua própria identidade sonora. Conversas, passos, portas, atividades do mercado, animais, guardas e ruídos ambientais criam a sensação de que as pessoas vivem ao meu redor. As rotinas nem sempre são convincentes, mas o design sonoro ajuda a transmitir a ideia de que cada local possui seu próprio ritmo.
A dublagem continua marcante, especialmente nas cenas de abertura. Patrick Stewart confere ao imperador uma presença séria e autoritária, ajudando a fazer com que a introdução pareça mais importante do que o ambiente subterrâneo poderia sugerir. Outros personagens também contribuem para a identidade das guildas e das regiões.
Existe certa repetição no elenco de vozes. Vários NPCs podem soar muito parecidos, e a quantidade limitada de vozes se torna evidente depois de muitas horas de jogo. Mesmo assim, as atuações fazem parte da identidade de Oblivion, e eu não gostaria que fossem completamente substituídas.
Os sons dos combates estão mais claros e presentes do que antes. Choques de espadas, impactos de escudos, feitiços, flechas, criaturas e efeitos ambientais são mais fáceis de distinguir. O som de um golpe bem-sucedido ajuda a transmitir a sensação de contato, mesmo quando a animação permanece um pouco rígida.
As áreas de outro mundo possuem paisagens sonoras mais agressivas. Fogo, criaturas, impactos distantes e tons ambientais desconfortáveis tornam esses locais menos acolhedores do que o restante do mapa. As masmorras frequentemente utilizam ecos, silêncio e pequenos ruídos para criar tensão, em vez de depender de música constante.
O Switch 2 lida bem com o áudio tanto no modo portátil quanto no modo conectado à televisão. Fones de ouvido facilitam a percepção de pequenos detalhes ambientais, enquanto uma configuração de televisão pode aproveitar o suporte ao som surround. Muitas vezes consegui ouvir uma movimentação ou atividade antes de localizar sua origem.
A trilha sonora e o design de áudio ajudam a preservar a identidade emocional do jogo. Os gráficos podem ser novos, mas a música e os efeitos sonoros mantêm a experiência conectada à atmosfera que associo a Cyrodiil. Essa é uma das áreas em que a remasterização é especialmente bem-sucedida.
Diversão
Oblivion Remastered é mais divertido quando paro de tentar jogá-lo de maneira eficiente. No momento em que decido seguir todos os objetivos em linha reta, perco algumas das melhores qualidades da experiência. O verdadeiro prazer vem de permitir que o mundo interrompa meus planos.
Posso sair da Cidade Imperial para encontrar alguém, notar uma construção incomum, investigá-la, encontrar uma passagem secreta, lutar contra um grupo de inimigos, descobrir um item relacionado a outra missão e, no fim, passar o restante da noite tentando entender como aquela situação se desenvolveu. Esse tipo de narrativa acidental continua sendo uma das maiores forças do jogo.
O mundo é cheio de pequenas atividades que se tornam importantes porque estão conectadas ao personagem que criei. Coletar flores pode levar à criação de poções úteis. Desenvolver uma habilidade pode mudar a maneira como enfrento os combates. Comprar equipamentos pode alterar minha aparência e minhas capacidades. Ajudar um NPC pode levar a uma nova tarefa, que por sua vez revela uma parte completamente diferente da cidade.
A imprevisibilidade do jogo também está ligada às suas imperfeições. NPCs podem ficar presos, companheiros podem agir de maneira estranha e a física pode produzir situações que claramente não foram planejadas pelos desenvolvedores. Embora esses problemas possam irritar, eles também podem criar histórias que lembro com mais clareza do que algumas cenas roteirizadas.
Encontrei personagens que caminhavam de maneira incorreta, seguiam rotas estranhas ou apareciam em lugares onde claramente não deveriam estar. Esses momentos podem interromper a imersão, mas também fazem com que o mundo pareça único e imprevisível. Oblivion possui um senso de humor que muitas vezes nasce do choque entre a narrativa séria de fantasia e o comportamento absurdo dos personagens.
Os sistemas de simulação fazem com que o mundo pareça reativo. Os NPCs possuem horários, relacionamentos, opiniões e rotinas. Eventos podem ocorrer fora da visão imediata do jogador, e os resultados só podem se tornar evidentes muito tempo depois. Retornar a uma cidade e descobrir que alguém morreu pode ser surpreendentemente eficaz, pois o jogo nem sempre explica exatamente o que aconteceu.
Isso cria uma forma diferente de contar histórias. Em vez de assistir a todos os acontecimentos importantes em uma cena de animação, às vezes preciso reconstruir o que aconteceu a partir das pistas deixadas no ambiente. Um comerciante morto perto de um acampamento de refugiados, um personagem desaparecido ou um novo conflito em um local familiar pode sugerir que o mundo continuou funcionando enquanto eu estava longe.
As missões das facções são uma grande fonte de diversão. A Irmandade Sombria é cheia de situações memoráveis, objetivos incomuns e um tom mais dramático do que a campanha principal. A Guilda dos Ladrões recompensa paciência e furtividade. A Guilda dos Magos se concentra em conflitos mágicos e ambição. A Arena oferece um caminho mais direto para quem deseja lutas e recompensas sem tanta investigação.
Shivering Isles adiciona uma atmosfera completamente diferente. A região é mais colorida, absurda e imprevisível do que Cyrodiil. A presença de Sheogorath dá à expansão uma identidade clara, e os textos frequentemente combinam humor e desconforto. Não se trata apenas de mais conteúdo semelhante. É um mundo separado, construído em torno de uma ideia criativa própria.
O jogo também combina muito bem com o formato portátil. Uma sessão curta pode ser produtiva, mas sessões longas também são recompensadoras. Posso cumprir um pequeno objetivo durante uma pausa ou passar várias horas explorando o interior. A possibilidade de suspender o jogo e continuar mais tarde faz com que um RPG grande seja mais fácil de encaixar na rotina.
A ausência de suporte a modificações é a principal limitação para quem está acostumado à versão para PC. No computador, Oblivion pode ser alterado de maneira radical por meio de modificações gráficas, novas missões, reformulações de sistemas, correções de problemas e ferramentas de personalização. A versão para Switch 2 não oferece o mesmo nível de flexibilidade.
Isso não torna a adaptação desnecessária. Significa apenas que a versão para console é direcionada a jogadores que valorizam praticidade, portabilidade e uma experiência pronta para jogar. Posso iniciar o jogo sem passar horas ajustando arquivos ou organizando modificações. Para alguns jogadores, essa simplicidade será uma vantagem.
A quantidade total de conteúdo também é um ponto forte. A história principal, as campanhas das facções, as expansões, as masmorras, os encontros aleatórios, a exploração, o desenvolvimento do personagem e os sistemas de criação oferecem variedade suficiente para sustentar muitas horas de jogo. Mesmo depois de retornar a locais conhecidos, continuei encontrando motivos para explorá-los novamente.
Performance e Otimização
A versão para Switch 2 causa uma boa impressão visual, mas apresenta desempenho inconsistente. O jogo geralmente tem como objetivo 30 quadros por segundo, com o modo conectado à televisão buscando uma resolução próxima de 1080p e o modo portátil operando perto de 900p. Esses objetivos são razoáveis para um mundo aberto tão exigente, mas o resultado nem sempre parece estável.
Durante a exploração comum, a taxa de quadros pode cair ao atravessar áreas movimentadas, entrar em cidades cheias de personagens, cavalgar pelo interior ou se aproximar de locais com muitos elementos ambientais. Batalhas maiores também podem provocar quedas perceptíveis. O jogo não é uma experiência de ação acelerada, então os problemas raramente tornam a experiência impossível, mas são fáceis de notar.
O ritmo dos quadros é uma preocupação importante. Mesmo quando o jogo parece estar próximo de sua meta, a movimentação pode apresentar pequenas pausas ou transições irregulares. Isso fica especialmente visível ao viajar pelo mundo, quando partes do mapa e detalhes do ambiente são carregados em tempo real.
O problema pode ser mais perceptível no modo conectado à televisão, pois a imagem maior torna cada engasgo mais fácil de observar. O modo portátil não é perfeito, mas achei a experiência mais confortável nele. A tela menor reduz o impacto das irregularidades visuais, e a apresentação geral continua atraente.
O jogo também apresenta travamentos ocasionais enquanto novas partes do mundo são carregadas. Árvores, objetos e detalhes distantes podem aparecer pouco depois de eu entrar em uma área. Essas mudanças nem sempre são graves, mas contribuem para a sensação de que o hardware está gerenciando constantemente um ambiente muito exigente.
Falhas e travamentos de progressão também são uma preocupação. Um personagem pode ficar preso durante uma sequência importante, os menus podem parar de responder ou o jogo pode retornar à tela inicial do console. Esses problemas talvez não aconteçam o tempo todo, mas seu impacto é maior em um título construído para sessões longas e muita exploração.
Eu prefiro manter vários arquivos de salvamento em vez de depender de apenas um. O jogo pode sofrer degradação de desempenho depois de longas sessões, e reiniciá-lo periodicamente é uma precaução sensata. Uma versão remasterizada deveria remover a necessidade desse tipo de cuidado, mas os jogadores precisam estar preparados para isso aqui.
A situação técnica é parcialmente explicada pela forma como a remasterização foi construída. A nova camada visual é consideravelmente mais avançada, enquanto muitos sistemas básicos continuam se comportando como os do jogo original. O resultado é um sistema moderno de renderização trabalhando ao lado de estruturas antigas que podem criar gargalos.
O DLSS ajuda a preservar a qualidade da imagem. Ele permite que o jogo apresente uma imagem detalhada mesmo quando não consegue renderizar todos os quadros em uma resolução nativa elevada. Em muitas cenas, a reconstrução funciona bem e faz com que a versão para Switch 2 pareça muito melhor do que eu esperava.
A desvantagem está no aparecimento de rastros e artefatos de movimento. Objetos rápidos, arcos, água, folhagens e elementos finos do cenário podem deixar rastros ou apresentar pequenos erros visuais. Esses artefatos não aparecem o tempo todo, mas ficam perceptíveis quando presto atenção nos detalhes em movimento.
A resposta dos controles é melhor do que a taxa de quadros poderia sugerir. Os comandos parecem responsivos, e o modo mouse é especialmente agradável para mirar ou navegar pelos menus. Uma opção de 60 quadros por segundo teria deixado a experiência muito mais suave, mas o tempo de resposta disponível ainda é aceitável para o tipo de RPG que o jogo oferece.
Os tempos de carregamento também são administráveis, embora as áreas externas demorem mais do que os locais internos. Instalar o jogo em um armazenamento interno mais rápido pode influenciar a velocidade com que determinadas áreas carregam, mas isso não elimina completamente as esperas.
No geral, o hardware do Switch 2 faz um trabalho respeitável ao executar um RPG visualmente ambicioso, mas o software não está totalmente otimizado. O jogo continua jogável e divertido, porém a apresentação técnica impede que eu o considere a versão definitiva. Jogadores que exigem desempenho estável terão de aceitar alguns compromissos.
Conclusão
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered no Nintendo Switch 2 é uma boa adaptação de um RPG enorme e marcante, mas não é uma modernização perfeita. Sua apresentação visual melhorou enormemente, a interface está mais acessível e a inclusão de controles por mouse, suporte a movimentos, tela sensível ao toque e formato portátil confere uma atração própria à versão.
A conquista mais importante é que o jogo ainda parece Oblivion. A liberdade continua intacta. As histórias das facções continuam envolventes. O mundo ainda incentiva a curiosidade, em vez da eficiência. As rotinas dos NPCs podem criar resultados inesperados, e até mesmo uma falha técnica pode se transformar em uma lembrança engraçada.
Ao mesmo tempo, os problemas são impossíveis de ignorar. O combate continua pouco refinado, o inventário pode se tornar cansativo, as áreas escuras às vezes são difíceis de atravessar e o desempenho sofre com quedas de quadros, engasgos, problemas de carregamento e instabilidade ocasional. As melhorias visuais não conseguem esconder completamente a idade dos sistemas básicos.
Para quem nunca jogou Oblivion, a versão para Switch 2 oferece uma maneira conveniente de conhecer um dos RPGs de mundo aberto mais ricos em conteúdo disponíveis em uma plataforma Nintendo. É importante entender que este não é simplesmente um Skyrim mais limitado. Oblivion possui sistemas mais estranhos, combates menos refinados, personagens mais imprevisíveis e uma disposição maior para permitir que o jogador crie seus próprios problemas sem explicar claramente como resolvê-los.
Para quem está retornando ao jogo, a remasterização oferece motivos convincentes para revisitar Cyrodiil. As paisagens estão mais detalhadas, a iluminação é mais dramática, a interface é mais fácil de usar e o formato portátil facilita continuar jogando em sessões curtas ou longas. A personalidade antiga não foi apagada, mesmo quando algumas das imperfeições originais são menos frequentes do que antes.
Eu recomendo Oblivion Remastered para Switch 2, com uma ressalva importante. Esta versão é recomendada para jogadores que valorizam exploração, liberdade, criação de personagens, histórias de facções e a possibilidade de jogar um RPG gigantesco longe de um computador ou televisão. Ela não é a melhor escolha para quem considera estabilidade técnica, suporte a modificações ou uma taxa de quadros elevada como fatores indispensáveis.
O jogo funciona porque suas melhores qualidades não dependem de tecnologia perfeita. Os momentos mais fortes surgem quando decido investigar um local distante, vejo um plano sair do controle, me envolvo em uma história secundária inesperada ou resolvo um problema de uma maneira que o jogo nunca sugeriu diretamente. Cyrodiil continua sendo um lugar onde o jogador pode criar histórias por meio de ações, acidentes, erros e curiosidade.
Mesmo com suas imperfeições, Oblivion Remastered é um pacote impressionante. Ele oferece uma quantidade enorme de conteúdo, uma trilha sonora marcante, excelentes missões de facção, um mundo visualmente transformado e liberdade suficiente para fazer com que cada partida pareça pessoal. A versão para Switch 2 exige que o jogador aceite alguns compromissos técnicos, mas a recompensa é ter acesso a um dos RPGs de fantasia mais imprevisíveis e divertidos em um console portátil da Nintendo.
Pontos positivos
- Mundo aberto enorme, com forte sensação de descoberta
- Excelentes linhas de missões das facções, com temas distintos
- Campanha principal acompanhada por grande quantidade de conteúdo secundário
- Knights of the Nine e Shivering Isles incluídas
- Criação de personagens e desenvolvimento de habilidades bastante flexíveis
- Magia, furtividade, alquimia e combate permitem diferentes estilos de jogo
- Rotinas dos NPCs criam situações inesperadas
- O mundo consegue gerar histórias pessoais por meio das escolhas do jogador
- Atmosfera marcante em cidades, florestas, ruínas e áreas de outro mundo
- Grande melhoria visual em relação ao lançamento original
- Ambientes detalhados e iluminação mais avançada
- Boa qualidade de imagem no modo portátil
- Trilha sonora memorável e áudio ambiental eficiente
- A atuação de Patrick Stewart dá mais impacto à introdução
- Controles por mouse, movimento e tela sensível ao toque são boas adições
- Opções úteis para tamanho do texto, campo de visão, mira e vibração
- Controles responsivos, apesar do objetivo de 30 quadros por segundo
- Conteúdo suficiente para garantir uma experiência muito longa
Pontos negativos
- O desempenho não mantém o objetivo de 30 quadros por segundo de maneira consistente
- Ritmo irregular dos quadros durante a exploração
- Quedas perceptíveis em locais movimentados e batalhas maiores
- Engasgos ocasionais enquanto partes do mundo são carregadas
- Ocorrência rara de travamentos, falhas de progressão e problemas em telas de carregamento
- É recomendável manter vários arquivos de salvamento
- Cavernas e catacumbas escuras podem ser difíceis de atravessar
- O combate continua desajeitado e repetitivo
- Algumas animações parecem antigas ao lado dos modelos de personagens aprimorados
- O inventário e os menus ainda podem se tornar cansativos
- O DLSS pode produzir rastros e artefatos de movimento
- Os reflexos na água ocasionalmente parecem incorretos
- Objetos e animações distantes podem surgir de maneira visível
- Não há suporte a modificações na versão para console
- O modo mouse nem sempre é ativado automaticamente
Avaliação:
Gráficos: 8.6
Diversão: 9.2
Jogabilidade: 8.1
Som: 9.4
Performance e Otimização: 6.6
NOTA FINAL: 8.3 / 10.0