Islanders: New Shores – Análise (Review)
11 de julho de 2025| FICHA DO JOGO: Lançamento: 10 de julho de 2025 Jogadores: 01 Gênero: Quebra-cabeça Desenvolvedora: The Station Publicadora: Coatsink Software Idiomas disponíveis: Alemão, Chinês Simplificado, Chinês Tradicional, Coreano, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Japonês, Português, Russo. Disponível nas plataformas: PC – Computador, Switch, Playstation 5, Xbox Series X|S. Classificação Indicativa: Livre – Indicado para todas as idades. Versão do jogo analisada: Versão para Nintendo Switch e também versão para PC. |
Poucos jogos conseguem unir simplicidade estética, profundidade estratégica e uma sensação constante de relaxamento como Islanders: New Shores. Em meio a uma indústria saturada por mecânicas complexas, microtransações e loops de progressão viciantes, mergulhar nesse jogo foi como respirar fundo em uma ilha deserta após meses preso no trânsito de uma metrópole. Islanders: New Shores me surpreendeu por não apenas refinar o que já era ótimo em seu antecessor, mas por trazer uma quantidade de conteúdo e pequenas adições que transformam uma experiência inicialmente casual em algo profundamente envolvente.
Joguei tanto no Nintendo Switch quanto no PC e, embora a essência do jogo se mantenha intacta nas duas plataformas, a forma como cada uma se encaixa na proposta minimalista e contemplativa de Islanders varia sutilmente, afetando a fluidez e o conforto da experiência. Mas antes de entrar nessa comparação técnica, preciso compartilhar como foi essa jornada por entre ilhas flutuantes, prédios empilhados e decisões milimetricamente calculadas.
Mecânicas e Jogabilidade
A espinha dorsal de Islanders: New Shores continua sendo a colocação estratégica de edifícios para maximizar pontos. A cada nova ilha, recebo um pacote de construções, como se fossem boosters de cartas. Esses pacotes variam e contêm estruturas que ganham ou perdem pontos dependendo da proximidade com outras construções. Uma cervejaria próxima a um campo de lúpulo gera bônus, mas colada em outra cervejaria, resulta em penalização. O jogo exige não apenas um bom senso espacial, mas também um conhecimento gradativo das sinergias entre os prédios. Com o tempo, comecei a reconhecer padrões e planejar mentalmente combos futuros.
A grande novidade dessa sequência são os “boons” — pequenas vantagens desbloqueadas conforme avanços em cada ilha. Eles variam desde multiplicadores de pontuação até a capacidade de remover um prédio e reter parte dos pontos, ou até mesmo ignorar penalizações por posicionamentos ruins. Os boons se tornaram ferramentas estratégicas valiosas e, frequentemente, salvadoras. Um clique no momento certo poderia significar a passagem para a próxima ilha ou um game over evitável.
Outro elemento que achei muito interessante foi a escolha entre duas novas ilhas ao final de cada fase. Agora, não apenas continuamos avançando, mas podemos escolher entre biomas diferentes, cada um com sua estética e desafios únicos. Em um deles, por exemplo, o espaço disponível era inicialmente minúsculo, mas crescia conforme eu avançava na pontuação. Isso adicionou uma camada de progressão dinâmica que transformou minha visão de como planejar o crescimento de uma cidade.
Ainda há o modo sandbox, ideal para quem só quer construir por prazer estético, sem se preocupar com pontuações. É um oásis criativo: todos os edifícios ficam liberados, você pode escolher o bioma, o clima e até manipular a posição e o tamanho das construções. Ali, o jogo se transforma quase em uma ferramenta artística — e foi um prazer criar pequenas vilas costeiras cheias de torres, mercados e templos nas falésias.
Gráficos
A estética de Islanders: New Shores é minimalista, mas extremamente expressiva. As construções são simples em forma, mas únicas em identidade. Cada prédio possui cores e formas distintas, o que torna fácil reconhecê-los de imediato, mesmo em ilhas mais densas. Essa clareza visual é essencial, pois o jogo depende da nossa leitura rápida do espaço e da relação entre elementos no mapa.
No PC, as texturas são um pouco mais limpas e definidas, especialmente em telas maiores e com boa resolução. A interface é elegante, as animações suaves e os efeitos climáticos — como a mudança de iluminação ao longo do dia ou a brisa que move as árvores — criam uma atmosfera serena e quase hipnótica. Já no Nintendo Switch, especialmente no modo portátil, notei um leve “granulado” visual e uma menor nitidez nas bordas dos prédios. Porém, essa perda de definição não comprometeu a jogabilidade. A tela pequena até colaborou para a imersão, tornando o jogo ideal para relaxar antes de dormir ou durante viagens.
Apesar de tudo, senti falta de uma opção de zoom mais profundo ou de ajuste fino de câmera em ambos os sistemas. Em construções mais densas, isso teria ajudado a visualizar pontos estratégicos de posicionamento.
Som
A trilha sonora de Islanders: New Shores é um verdadeiro convite à tranquilidade. São melodias sutis, com instrumentação suave, que ecoam como uma brisa marítima ao fundo. Nada é agressivo, repetitivo ou intrusivo. Ao contrário, a música funciona como um fio condutor para o estado meditativo que o jogo provoca. Houve momentos em que, após uma hora jogando, percebi que não havia sequer me mexido na cadeira.
Os efeitos sonoros também merecem destaque. Cada ação possui um som satisfatório: o clique ao posicionar uma construção, o som da pontuação surgindo, o leve estalo ao desbloquear uma nova ilha. Tudo soa limpo, bem mixado e coerente com a proposta.
O curioso é que, no Nintendo Switch, mesmo com fones mais simples, a imersão sonora manteve-se intacta. No PC, com caixas de som maiores ou headsets de qualidade, os graves e reverberações ficam mais evidentes — o que aprofunda a experiência auditiva. Em ambas as plataformas, o som é um dos elementos que mais contribui para tornar Islanders uma experiência verdadeiramente relaxante.
Diversão
A grande magia de Islanders: New Shores é que ele consegue ser duas coisas ao mesmo tempo: um jogo meditativo e um desafio tático. Quando quero apenas relaxar, me desligar do mundo e focar em algo bonito e tranquilo, ele me entrega isso. Quando estou com o cérebro fervendo e preciso de um bom puzzle estratégico, ele também me satisfaz. Essa dualidade é rara.
Há uma sensação muito prazerosa em ver sua cidade crescendo com harmonia, planejando espaços para parques, fontes, centros urbanos e templos. E quando tudo se encaixa perfeitamente, com aquela sequência de pontuações altas, a dopamina atinge o pico. Ainda assim, o jogo nunca me pressionou. Se eu falhava, bastava tentar novamente. As runs são curtas o suficiente para não cansar e longas o bastante para construir vínculo com cada ilha.
O modo sandbox é uma válvula de escape fantástica. Quando estou cansado da lógica do modo highscore, apenas sento e crio. Já gastei horas só testando formas de empilhar prédios ou criar ilhas “perfeitas” com mercados flutuantes e vilas à beira do penhasco. Se você tem um lado criativo, essa será sua praia.
Performance e Otimização
No Nintendo Switch, o jogo roda bem, mas com ressalvas. Em geral, a performance é estável, porém percebi alguns pequenos travamentos ao mover estruturas rapidamente ou girar muitas construções seguidas. Nada que comprometa a jogabilidade, mas visível. A sensibilidade do analógico também é um pouco inferior ao controle do mouse, o que às vezes torna a movimentação dos prédios menos precisa.
No PC, a experiência é praticamente perfeita. Interface fluida, nenhum travamento, carregamentos instantâneos, e suporte a resoluções altas. Mesmo em laptops intermediários, o jogo roda com excelência. A versão de PC também se beneficia de atalhos rápidos via teclado, facilitando a navegação entre menus e packs de construção.
A sincronização entre os dois sistemas é inexistente, ou seja, não há save compartilhado entre plataformas. Isso é um ponto a ser considerado por quem deseja alternar entre portátil e desktop.
Conclusão
Islanders: New Shores é mais do que uma sequência competente — é uma evolução tranquila, cuidadosa e elegante de uma ideia já muito bem executada. Não tenta reinventar a roda, mas aprimora com sabedoria tudo que já funcionava, adicionando novas mecânicas como os boons, mais variedade de ilhas, efeitos únicos e uma camada estratégica mais rica. É um daqueles jogos que você instala achando que vai jogar por vinte minutos e acaba se vendo preso por horas.
É verdade que falta uma campanha ou objetivos mais elaborados que sustentem o jogador por longuíssimas sessões. Também é real que o sistema de pontuação às vezes força uma “caça ao pixel”, tornando o ato de posicionar construções em um exercício de tentativa e erro um tanto cansativo. Mas nada disso diminui o brilho da experiência.
Se você procura um jogo para relaxar, exercitar a mente e se perder na construção de cidades flutuantes, Islanders: New Shores é um convite irrecusável. Um jogo que respeita seu tempo, sua criatividade e sua busca por calma.
Pontos Positivos:
- Estética encantadora e minimalista
- Sistema de construção estratégico e intuitivo
- Trilha sonora relaxante e imersiva
- Modo sandbox completo e criativo
- Grande variedade de biomas e edifícios
- Interface limpa e fácil de entender
- Sistema de boons adiciona profundidade
- Jogabilidade viciante e sem pressão
Pontos Negativos:
- Pequenos engasgos no Switch
- Sensação de “caça ao ponto perfeito” pode ser frustrante
- Ausência de modo campanha ou história
- Boons variam em utilidade
- Falta de sincronização entre versões
Avaliação:
Gráficos: 8.5
Diversão: 9.0
Jogabilidade: 8.8
Som: 9.2
Performance e Otimização: (versão PC: 9.5) | (versão Switch: 7.8)
NOTA FINAL:
Versão para PC: 9.0 / 10.0
Versão para Nintendo Switch: 8.66 / 10.0
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