EA SPORTS Madden NFL 26 – Análise (Review)
8 de agosto de 2025| FICHA DO JOGO: Lançamento: 14 de agosto de 2025 Jogadores: Até 06 jogadores (online). Gênero: Simulação de esporte. Desenvolvedora: Electronic Arts Publicadora: Electronic Arts Idiomas disponíveis: Inglês. Disponível nas plataformas: PC – Computador, Switch 2, Playstation 5, Xbox Series X|S. Classificação Indicativa: 12 anos – Linguagem Imprópria; Compras on-line (Inclui itens aleatórios), Interação de usuários. Versão do jogo analisada: Versão para Nintendo Switch 2. |
Eu precisava que a série me surpreendesse de novo. E, jogando Madden NFL 26 no Nintendo Switch 2, equilibrando temporadas no Franchise, sessões no Ultimate Team e partidas rápidas no sofá, fiquei com a sensação de que a franquia finalmente apertou vários parafusos que estavam frouxos há anos e ainda trouxe novos sistemas que mudam a forma como pensamos cada chamada de jogada. Não é uma revolução absoluta, mas é o salto mais consistente que joguei em muito tempo, sobretudo considerando a qualidade do port no portátil da Nintendo.
A primeira coisa que me ganhou foi a combinação de ritmo mais veloz em campo com um controle fino das decisões do quarterback e do coordenador que vive dentro de cada um de nós. É um jogo que premia leitura, antecipação e microajustes, sem abandonar o espetáculo audiovisual da NFL. Fora do campo, encontrei um treinamento finalmente digno de quem quer aprender de verdade; e, no Franchise, uma estrutura que traz personalidade para técnicos e equipes, com decisões que reverberam por semanas. No Switch 2, a experiência tem uma assinatura própria: quarenta quadros por segundo que soam perfeitos no modo portátil, uma apresentação caprichada e, sim, algumas concessões no dock e nas funções online.
Mecânicas e Jogabilidade
Em campo, Madden 26 tem um “andar” diferente. O jogo está mais rápido na execução das jogadas, mas a velocidade não rouba a agência do jogador. Pelo contrário. O grande divisor de águas é o modelo de animações com ramificações curtas. Aquelas sequências longas e pré-determinadas que, às vezes, tiravam o controle da sua mão, dão lugar a microrrespostas contextuais. Isso se sente em rotas de passe que antes eram uma loteria. Em curls e comebacks, por exemplo, o recebedor agora ajusta o corpo, encurta a rota ao perceber a bola vindo mais cedo e já vira procurando o defensor. Em slants e digs, o primeiro passo após a recepção é mais orgânico, o que abre janelas de YAC que antes morriam em colisões esquisitas.
O jogo aéreo é o coração dessa transformação. Madden 26 exige timing de dropback e antecipação de lançamento. Se você solta a bola atrasado, ou fora da contagem correta, o passe perde força, flutua, ou sai impreciso. Se lança no momento certo, com leitura pré-snap dos match-ups e da cobertura, a sensação é de estar realmente “cirúrgico” como um QB de elite. Errar virou consequência da decisão, não de um capricho do motor. E isso, para mim, muda a relação com a jogabilidade: as interceptações doem menos porque têm causa clara; os passes em janelas apertadas são prazerosos porque você construiu a jogada desde o huddle.
No jogo terrestre, a física de contato e os ângulos de perseguição melhoraram. O hit stick voltou a ter impacto, mas sem virar botão mágico. Cortes curtos funcionam melhor por causa das transições de animação, e se você trabalha bem bloqueios de zona e paciência atrás da linha, os ganhos aparecem com consistência. A defesa acompanha essa evolução: reagir ao play-action, espelhar rotas no meio do campo e atacar o ponto da bola estão mais responsivos. Blitzes criativos são recompensados, mas a linha ofensiva tem mais ferramentas para reconhecer e ajustar, então mandar pressão virou xadrez, não moeda cara ou coroa.
As habilidades de superestrela e fatores X continuam sendo um tempero excelente. Eles funcionam como minicontratos dentro da partida: cumpra certas condições e você desbloqueia uma janela de impacto que altera como o adversário precisa te marcar. Quarterbacks com braços mais pesados realmente ameaçam a secundária em profundidade quando “ligados”. Corredores móveis ganham segurança na proteção da bola depois de estabelecer o chão. O importante é que o jogo não vira arcade: você precisa construir o estado da habilidade, e um erro a desativa. Ainda sobre profundidade, a gestão de fadiga, desgaste e intensidade de treino (falo mais no Franchise) dialoga com o que acontece na partida. Forçar seus playmakers o tempo todo tem custo que você sentirá ao longo da temporada.
Por fim, o Skills Trainer redesenhado é mais do que um tutorial: é um laboratório. As explicações são claras, com drills classificados por nível e objetivos mensuráveis. Pequenos detalhes de execução, como leitura de vento em field goals ou a zona eficiente do medidor de chute, agora são ensinados dentro do jogo, não terceirizados para vídeos externos. Para iniciantes, é a melhor porta de entrada em anos. Para veteranos, é uma coleção de insights que afina fundamento.
Gráficos
No Nintendo Switch 2, Madden 26 é surpreendentemente próximo da experiência visual que espero de consoles maiores, principalmente no modo portátil. Modelos de jogadores, texturas de uniformes, gramado e iluminação apresentam um conjunto coeso. O destaque, porém, está na apresentação televisiva. Entradas de equipes com rituais próprios, cânticos característicos, telões de estádio com artes e slogans específicos e pacotes de transmissão que variam conforme o horário da partida elevam a imersão. É o tipo de detalhe que fica nas laterais da sua visão, mas muda como você sente cada snap.
As animações têm momentos brilhantes na recepção e após o contato, embora ainda ocorram, aqui e ali, colisões estranhas e membros em posições improváveis. Nada que quebre a experiência, mas é perceptível. Em dock, jogando na TV, a imagem perde um pouco de refinamento na resolução e alguns elementos de HUD (como rotas desenhadas e play-art) ficam menos nítidos. Não chega a comprometer, mas o salto em relação ao portátil vai na direção contrária: é no portátil que o conjunto brilha mais.
Uniformes, capacetes e detalhes como respirações no frio e acúmulo de neve estão bem executados. Clima afeta a leitura visual da partida, e jogos nevados, em particular, ficaram muito bonitos. Close-ups de atletas durante apresentações em horário nobre mostram um capricho acima do padrão recente da franquia.
Som
O pacote de áudio acompanha a evolução visual. A narração varia por pacote de transmissão e transmite bem a diferença entre um jogo de domingo à tarde e um confronto de horário nobre, com trilhas de estúdio, vinhetas e uma mixagem que dá o peso certo à multidão nos momentos decisivos. O som do impacto no tackle está mais seco e pesado, e as reações da torcida respondem com boa granularidade a viradas, terceiras descidas e big plays.
Nos estádios, cânticos específicos e efeitos locais enriquecem a identidade de cada casa. O trabalho de efeitos de ambiente tem nuances legais: o barulho de linha de scrimmage, os gritos de ajuste de cobertura, o cadenciamento do snap count. A trilha licenciada fora de campo continua dentro do esperado para o estilo da série. No Switch 2, usei fones e o stage sonoro se manteve estável, sem cortes ou compressões agressivas notáveis.
Diversão
A diversão aqui nasce do casamento entre expressividade em campo e progressão fora dele. No dia a dia, o Franchise foi onde passei mais tempo. A criação de técnico recebeu atenção, com filosofias que vão além de flavor text e realmente influenciam sugestões de jogadas, ajustes pré-snap e até a forma como o staff propõe um plano para cada adversário. Os “playsheets” semanais mudam o repertório de chamadas para explorar fraquezas específicas do rival. Escolher bem essa abordagem e ver o plano se traduzir em jardas e pontos é viciante.
O sistema de desgaste ao longo da temporada pede planejamento. Você pode vencer um jogo ruim sem abrir o playbook inteiro e poupar seus titulares de pancadas desnecessárias. Na sequência, aquele cuidado vira diferença em dezembro. A possibilidade de configurar intensidade de treino por jogador é um acerto gigante, porque conecta a gestão do elenco com a performance no domingo. Soma-se a isso um scouting mais útil, com leitura de encaixe tático dos prospectos, e o loop de temporada fica saboroso do primeiro ao último snap.
No Ultimate Team, a coleta e montagem de elenco seguem com o mesmo poder de vício. A boa notícia é que há bastante conteúdo solo e online para quem quer jogar sem viver apenas de partidas ranqueadas. É um modo amplo e é onde senti mais o peso das demandas online, com gates de progressão que exigem conexão, o que vai irritar quem só quer brincar off-line. Em compensação, eventos temáticos e recompensas por time favorito fazem diferença em engajamento.
Para partidas rápidas, Madden 26 está mais expressivo e imediato. O prazer de acertar uma progressão de leitura, de manipular um safety com o olhar e lançar na janela oposta, ou de costurar bloqueios em outside zone e cortar contra o fluxo, está em alta. Mesmo em derrotas, senti que perdi por decisões minhas. E isso, em um jogo anual, é o que me faz querer entrar para “só mais uma”.
Performance e Otimização
No Switch 2, Madden 26 roda a 40 fps. Em portátil, essa taxa é estável e “encaixa” muito bem com a tela. Depois de alguns minutos, vira o novo normal, e a fluidez somada à clareza visual me convenceu. Em dock, a redução de resolução aparece e a suavidade extra que eu gostaria não vem. Continuou jogável e agradável, mas é no portátil que a performance brilha.
Não há cross-play nesta versão, o que faz sentido em termos de paridade de desempenho, mas limita um pouco o ecossistema on-line. Nas primeiras horas, enfrentei congestionamento de servidor e menus lentos em pontos específicos, com destaque para fichas de jogador demorando a abrir. É o tipo de coisa que historicamente recebe correções pós-lançamento, mas vale o aviso. Fora isso, partidas on-line encontradas no Switch 2 funcionaram como deveriam, sem quedas notáveis ou descompassos bizarros de input.
No geral, o tempo de carregamento ficou aceitável para o hardware, e o jogo mantém uma boa consistência de frame pacing no portátil. A apresentação mais pesada (entradas, telões, pacotes de transmissão) não destrói a performance, o que é mérito da otimização. Ainda assim, há espaço para melhoria nas telas e submenus, que poderiam ser mais responsivos.
Conclusão
Madden NFL 26 é a resposta mais convincente da série em anos às críticas sobre imersão, profundidade e controle do jogador. Em campo, o jogo premia conhecimento real de futebol americano, desde o timing do dropback até a leitura de cobertura e a manipulação de defensores. Fora dele, Franchise ganhou cérebro e personalidade, com planos semanais, filosofia de técnico realmente impactante, gerenciamento de desgaste e treino individual que fazem cada semana importar. O Skills Trainer finalmente assume a responsabilidade de ensinar e capacitar o jogador dentro do próprio jogo.
No Nintendo Switch 2, a versão entrega qualidade técnica surpreendente no portátil, com 40 fps que combinam com a tela e uma apresentação visual e sonora que aproxima a experiência da TV. As concessões existem: sem cross-play, queda de nitidez em dock, menus lentos em áreas pontuais e a dependência online para certos progressos. Ainda assim, o pacote é sólido e, para quem joga no ecossistema Nintendo, é facilmente a melhor experiência de futebol americano que já tivemos em um portátil da empresa.
Recomendo? Sim, com entusiasmo. Se você é novato, este é um ótimo ponto de entrada. Se é veterano, vai sentir a diferença no first read, na progressão e no gerenciamento do elenco. E se você pretendia jogar no Switch 2, pode encarar sem medo: o port cumpre o papel com competência e entrega partidas que são, acima de tudo, divertidas.
Pontos Positivos:
- Modelo de animações mais curto e ramificado, que devolve agência e realismo às jogadas.
- Jogo aéreo baseado em timing e antecipação, punindo más decisões e premiando leitura.
- Franchise profundo: filosofia de técnico relevante, playsheets semanais, desgaste sazonal, treino por jogador e scouting mais inteligente.
- Skills Trainer redesenhado, didático e útil para todos os níveis.
- Apresentação riquíssima: entradas, telões e pacotes de transmissão que variam por contexto.
- Portátil no Switch 2 muito estável e agradável de jogar.
Pontos Negativos:
- Sem cross-play no Switch 2.
- Queda de nitidez e impacto maior da taxa de quadros quando jogado em dock.
- Menus lentos em pontos específicos, com fichas de jogador demorando a abrir.
- Dependência online para parte da progressão em alguns modos.
Avaliação:
Gráficos: 8.5
Diversão: 9.0
Jogabilidade: 9.0
Som: 8.0
Performance e Otimização: 8.0
NOTA FINAL: 8.6 / 10.0
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