Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – The Hinokami Chronicles 2 – Análise (Review)

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – The Hinokami Chronicles 2 – Análise (Review)

5 de agosto de 2025 Off Por Misael Montenegro
FICHA DO JOGO:
Lançamento: 05 de agosto de 2025
Jogadores: Até 2 jogadores
Gênero: Ação, Aventura, Luta.
Desenvolvedora: SEGA
Publicadora: SEGA
Idiomas disponíveis: Alemão, Chinês Simplificado, Chinês Tradicional, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Japonês.
Disponível nas plataformas: PC – Computador, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X e Series S.
Classificação Indicativa: 16 anos – Violência, Compras on-line.
Versão do jogo analisada: Versão para Nintendo Switch.

Com uma animação simplesmente deslumbrante, personagens carismáticos e uma história de superação envolvente, a adaptação para os videogames era quase inevitável. Já tinha jogado o primeiro Hinokami Chronicles e, apesar de ter curtido a proposta, saí com a sensação de que havia muito potencial não explorado. Por isso, minhas expectativas estavam altas para a sequência.

Passei muitas horas explorando, lutando e desbloqueando tudo o que pude em Demon Slayer: The Hinokami Chronicles 2, e agora posso afirmar com tranquilidade: esta continuação é tudo aquilo que a primeira tentativa prometia ser, e mais um pouco. Apesar de algumas limitações pontuais, especialmente técnicas no Nintendo Switch, o jogo consegue entregar uma experiência sólida, divertida e rica para qualquer fã da obra, e até para quem está chegando agora no universo de Tanjiro e seus companheiros.

Mecânicas e Jogabilidade

A estrutura básica de Hinokami Chronicles 2 mantém o DNA dos jogos anteriores da CyberConnect2. Trata-se de um arena fighter 3D com combates um-contra-um, com movimentação livre pela arena, assistências, golpes especiais e os tradicionais ataques definitivos que são verdadeiros shows visuais. Mas não se engane achando que é mais do mesmo: a sequência traz ajustes sutis, porém significativos, que tornam a experiência de jogo muito mais fluida e satisfatória.

Logo de início, percebi que os comandos estavam mais responsivos e os inputs mais intuitivos. Diferente do primeiro título, onde alguns comandos pareciam fora de sintonia com a ação, aqui o jogo responde de forma natural. Os Dual Ultimates, ataques especiais combinados entre personagens com vínculos fortes, são uma das grandes novidades. Ver Tanjiro e Nezuko desferindo um golpe final em perfeita sincronia é simplesmente de arrepiar.

Outro ponto positivo é o sistema de equipamentos, chamado de Gear System. Ele permite montar conjuntos de bônus passivos, como resistência a certos efeitos ou aumento de ataque em situações específicas, que podem ser usados tanto no modo história quanto em batalhas casuais. Esse sistema adiciona uma camada de estratégia interessante, especialmente para quem quer experimentar combinações diferentes de personagens e estilos de luta.

O modo história também ganhou vida com novas mecânicas de exploração. Cada personagem tem habilidades únicas que podem ser usadas fora dos combates. Zenitsu, por exemplo, protagoniza minigames musicais bastante divertidos, enquanto Inosuke usa sua audição para encontrar objetos e personagens escondidos. As missões secundárias e a coleta de itens (como memórias e pontos Kimetsu) ajudam a quebrar a linearidade e dão um ritmo melhor à progressão.

Ainda assim, o sistema de combate continua sendo acessível, quase ao ponto de parecer simplório para os jogadores mais hardcore. É fácil de entender, fácil de executar e muito difícil de enjoar, especialmente com o excelente elenco de mais de 40 personagens jogáveis.

Gráficos

Joguei Demon Slayer: The Hinokami Chronicles 2 no Nintendo Switch, e embora estivesse ciente das limitações do console, fiquei agradavelmente surpreso com o que foi entregue. O visual cel-shading continua espetacular, respeitando com maestria o estilo artístico da animação original da Ufotable. Os efeitos das técnicas elementais, como água, fogo e eletricidade, são incrivelmente bem aplicados, mesmo com a resolução reduzida na versão do Switch.

O destaque visual continua sendo as animações dos golpes especiais e dos Dual Ultimates, que são um espetáculo à parte. A modelagem dos personagens também foi caprichada, mesmo que no modo portátil eu tenha notado certa queda na definição dos modelos em cenas mais carregadas, não houve comprometimento do entendimento da ação.

Os cenários são belamente construídos, e cada arena de batalha é fiel ao ambiente do anime. As áreas exploráveis no modo história, como o Distrito do Entretenimento e a Vila dos Ferreiros, estão ricas em detalhes e ambientação. O jogo também acerta ao usar imagens estáticas dubladas em momentos opcionais de flashbacks e extras, simulando os encerramentos dos episódios da série. Um mimo para os fãs.

Som

A parte sonora do jogo é um dos seus pilares de sustentação. A trilha sonora original é fiel ao anime, com melodias emocionantes e temas épicos que aumentam a tensão nas lutas. Cada batalha contra os membros das Doze Luas Demoníacas, por exemplo, é acompanhada por trilhas que casam perfeitamente com o ritmo do combate.

Além disso, The Hinokami Chronicles 2 oferece dublagem completa em japonês e inglês, com os mesmos dubladores do anime, algo que eleva muito o nível da imersão. Os efeitos sonoros também são muito bem utilizados: os cortes de espada, as respirações elementais e os sons ambientais reforçam a sensação de estar dentro do universo do anime.

Os menus e interfaces sonoras são sutis, funcionais e esteticamente consistentes com a apresentação geral do jogo. E não posso deixar de mencionar o impacto dos Ultimate Arts: cada vez que um ataque final é acionado, a trilha, os efeitos e a dublagem se combinam para entregar uma experiência cinematográfica.

Diversão

Este é um jogo claramente feito para os fãs, e isso se reflete no quanto ele diverte. Desde o modo história, que reconta com fidelidade e fluidez os principais arcos da série até agora, passando pelos desafios opcionais, minigames, e chegando ao robusto modo Training Paths, tudo foi pensado para manter o jogador envolvido por muitas e muitas horas.

Aliás, o modo Training Paths foi uma grata surpresa. Inspirado em mecânicas de roguelike, esse modo propõe desafios variados com modificadores de combate, lutas em sequência e pequenas narrativas envolvendo os Hashiras. Ele funciona não só como alternativa ao multiplayer, mas também como uma excelente forma de treinar e desbloquear novos itens.

A quantidade de conteúdo desbloqueável é absurda: trajes, falas, ilustrações, cartões de jogador, personagens extras, tudo está disponível e distribuído de forma que o jogador se sinta constantemente recompensado.

Mesmo após terminar a história, eu me peguei voltando para completar desafios, melhorar minha pontuação, testar personagens e buscar completar a galeria. A sensação de progressão é muito bem construída. E embora o combate não tenha a profundidade de um Guilty Gear ou Street Fighter, ele é viciante, visualmente recompensador e extremamente satisfatório.

Performance e Otimização

No Nintendo Switch, o jogo se mantém estável, com raríssimos problemas de desempenho. No modo dock, a performance é mais suave, com fps travado em 30 quadros por segundo, sem engasgos perceptíveis. No modo portátil, notei alguns pequenos engasgos em momentos com múltiplos efeitos na tela ou em animações complexas, mas nada que afetasse a jogabilidade de forma significativa.

Os tempos de carregamento são rápidos, os menus respondem bem e as transições entre cenas e batalhas ocorrem de forma fluida. A otimização é ótima.

O modo online também funcionou adequadamente. Partidas casuais aconteceram sem lag, e os lobbies possuem opções razoáveis de customização. Ainda que o sistema utilize delay-based netcode (e não rollback), a experiência foi aceitável nas partidas testadas.

Conclusão

DS: KnY – THC 2 é, sem dúvida, o jogo que os fãs da série mereciam. Ele refina os conceitos do primeiro game, amplia o conteúdo de maneira significativa, entrega um combate mais variado e polido, e oferece uma gama enorme de modos e desbloqueáveis. Tudo isso sem perder a essência visual e emocional que consagrou a obra original.

Apesar de alguns tropeços pontuais, como a repetição ocasional no combate, capítulos excessivamente cinematográficos e limitações técnicas da versão para Switch, a experiência geral é extremamente gratificante. Se você ama o anime, este jogo é obrigatório. Se você apenas quer um arena fighter divertido, com bastante conteúdo e estilo, ainda assim vale muito a pena conferir.


Pontos Positivos:

  • Elenco robusto com mais de 40 personagens bem representados
  • Fidelidade visual impressionante mesmo no Switch
  • Modo história rico, bem narrado e com boa integração de gameplay
  • Combate acessível e espetacular, com ajustes estratégicos bem-vindos
  • Modo Training Paths viciante e excelente para prolongar a vida útil do jogo
  • Trilha sonora e dublagem impecáveis

Pontos Negativos:

  • Sistema de combate pode parecer simples demais a longo prazo
  • Modo história com seções muito lineares e sem lutas
  • Versão de Switch sofre pequenas quedas gráficas e de desempenho
  • Poucas inovações mecânicas em relação ao antecessor

Avaliação:
Gráficos: 8.0
Diversão: 9.0
Jogabilidade: 8.5
Som: 9.5
Performance e Otimização: 7.5
NOTA FINAL: 8.5 / 10.0

Deixe o seu comentário abaixo (via Facebook):